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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Percurso da alma


Besurrantak hozzám régi éjszakák, leplükkel takarva tiszta szenvedélyt, szürke, néma sóhajtásnyi csöndek reszkettek vágytól éhes percekért. Függönyrojtok bársonyába szökve titkok ültek hold-sütötte rögre, körbefont az álomszerű csoda, dalolt a múlt, szívem volt a kotta. Hazudtak az arra járó szelek melódiát játszva a zsindelyen, az éj sötét zegzugába rejtve reményem bújt - újabb csatát vesztve.
Como em uma esteira rolante no universo,
Minha alma percorre o espaço e o tempo.
Há tantas eras sendo o verso e o inverso,
Que nem recordo se o que fui, continuo sendo.

Habitando corpos entre si tão diferentes,
Numa cadeia do mais denso ao sutil,
Saio da condição de ignorância para senciente,
Da pedra à arvore, do troglodita ao ser gentil.

Neste difícil e longo percurso divinatório,
Cometo erros pesados, dolorosos e grassos.
Mas, minha alma continua nos seus passos.

Não desiste, apesar de toda demora,
Essa alva senhora, em aprender a deixar...
De noite escura ser e se tornar o alvorecer.

Mallika Fittipaldi. 2020

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Olhos de Borboleta.




Assim como uma borboleta pousa em frágil flor
Minha alma pousa na carne que vem a se decompor.
Trago tanta beleza e amor
Para enfrentar feiura e dor.

Infelizmente termino por olvidar minha parte etérea
Dedicando-me as delicias da carne na Terra.
Não me sutilizo me faço granito.

Esqueço o que tanto lutei para edificar.
Emaranho-me neste fútil lutar
Pelo pão e sangue azul
Pelas verdes notas não musicais.

Pelo prazer que passar rápido como brisa.
Enquanto eu a borboleta pouco aprendo
E escasso brilho a mim acrescento.

Até que minhas asas de olhos ensandecidos
Fecham-se e recomeça um novo ciclo.
No mesmo ou em outro lugar
Para a pequena alma borboleta luz se tornar.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sonhos



Sonhos
São como flocos de neves que derretem aos primeiro raios do Sol
Que trás a luz, o calor, a verdade do mundo.
São ilusões que felicitam seus senhores
E os abandonam no corre-corre do dia, na presa, pelos próprios pendores.
Torna-nos palhaços, brinquedos, folia.
Até que relembremos nosso dia-a-dia.
Sonhos de brisas leves. Sonhos de caricias e amor.
Quando findam resta somente a dor.
Sonhos que tentamos resgatar
Mas deparamos com tantos obstáculos
Com os fossos medievais,
Precipícios,
Fogos infernais,
Medos,
Culpa.
Desistimos.
Sepultamos nossos sonhos
Dentro das paredes do nosso quarto
E a noite
Ele enlouquecido, como nós, arranham as paredes e urram.
Em busca da liberdade da realização.
Das quimeras da nossa alma e dos nossos corações.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Por que me criaste?



Por que me criaste?
Concedendo-me a visão
Dos astros, da relva, das águas que correm.
Dos olhos do meu pai, da figura materna, da minha paixão.
Por que me criaste?
Sentindo o cheiro do mar, das algas, dos peixes vivos.
Das flores com todos os seus coloridos.
Por que me criaste?
Vivenciando o toque de amor
Do sexo sem pecado ou pudor.
Por que me criaste?
Ouvindo o canto do rouxinol, da cotovia.
Dos ventos nos coqueirais, da brisa que assovia.
Por que me criaste?
Experimentando o doce mel das frutas
A embriaguez libertadora do eu.
Por que me criaste?
E tanto me destes
Quando já sabias de antemão

Que esse eu feneceria por tuas mãos.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Pó.


Sou torta semente
Ledo engano da natureza
Não atraio pela beleza
Não canto e nem encanto
Sou o mais comum dos seres
Nada tenho que me diferencie de outro
Nem tampouco que me identifique com quem quer que seja.
Não fui o primeiro e nem o último
Parei no meio do nada
E muitas vezes nada me sinto
Tão pouco nada faço.
Ando sem rumo
Assim não canso
Nem penso
Não quero e não desejo.
Aceito o que vier a chuva, o sol, o relampejo.
Acoita-me a noite, o descampado ou o freixo.
Os fantasmas me tomam por companheira
Não se assustam nem me maltratam
Respeitam a dor que comigo habita
De ter me tornada nada na vida
Como eles poeira e pó.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Homem Lego.


Homem Lego.

Cada momento uma peça
Que se monta ou desmonta.

Uma quebra cabeça
Espalhado, esmiuçado, para que ele se erga.

Que avança em direção indefinida
Indo par a par com a vida.

Peças diferentes
Para forma esse ente que quer ser gente.

Apegando-se a uma visão, uma realização,
Contendo ou não razão.


Em vão parece buscar seu ser
Significado para justifica sua criação.

De homem lego sem sentido, sem alma, sem noção.
Sem coração.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O que entorta.



Nascemos anjos perfeitos
Primorosas obras primas
Crianças de luz
Em nosso riso felicidade
Nas pequenas mãos nenhuma maldade
Nada que perturbe a paz da humanidade.

Crescemos

E entortamos nossos espíritos.
Na luta por sermos notados
Na guerra surda para sermos amados
Nas suplicas famintas de não sermos abandonados.

Mentimos, enganamos, ludibriamos

A quem quer que seja
Por um pouco de amor
Pelo pão a nossa mesa
Pelo reconhecimento de alguma de nossas obras.

Necessitamos, queremos, desejamos

Perdemo-nos, como crianças luz, escurecemos.
E quando em um dia nos vemos no espelho da alma
Não nos reconhecemos.
Assusta-nos aquele ser vil que nos tornamos.

Tombamos e sofremos.

Entortamos pela busca dos prazeres que nos oferece o mundo.
Ei que então com sua luz morta e fria
Bordamos nossa mortalha onde enrolamos nossa casca vazia.

Pudéssemos saber de antemão

Que tudo que nos oferta a vida poderia ser iluminado
Por cada ação amorosa que fizéssemos.
O gesto carinhoso com o outro mesmo quando nosso coração sangra de solidão
O pão repartido quando também temos forme
O braço amigo mesmo que a dor faça-se presente pela nossa ação.

Pudéssemos saber

Que a rota da real da felicidade
Não é a conquista da nossa  alegria
Ou louros de vitória
Ou ouro e gloria

Somente sim criar o bem de todos

Sendo seres calorosos e amorosos
Manteríamos nossas almas eretas
Nossos espíritos radiantes.
Nossas mortalhas brilhantes.

Nossas cascas... Amor.




sábado, 26 de julho de 2014

Sementes.



Já te foram dadas as sementes
Custa-lhe então plantá-las.


Pois, mesmo em árido solo.
O cacto flore grandiosamente.

No pântano escuro, sombrio e lamacento.
Brota o lótus de brancura celestial.




Nos jardins fecundos pelo estrume
Borbulham centenas de rosas.

Em meio a estradas esquecidas pequenas flores silvestres, sem trato algum.
Serpenteiam e enfeitam os prados.

Em venenosas e temidas ervas
Surgem botões delicados.

Na vegetação rasteira e em altas copas de árvores frondosas
Resplandece as mais diversas espécies rosáceas.

Em todos os locais, considerados propícios ou impróprios.
Elas estão presentes com sua mimosa beleza.

Da mesma forma a flor do amor apresenta-se miúda e singela
Ou estonteante e perfeita em todas as almas humanas.

Psicografado.
Autoria extra física – Humberto.

22.07.2014

segunda-feira, 17 de março de 2014

Anjo da morte.


A morte te espreita em cada canto
É a flor que fenece
A folha caindo do galho
A raiz que seca de uma arvore.

A Senhora do Fim te espia a cada passo
O homem morto pela bala perdida
A criança atropelada
A anciã com crise de asma.

O Anjo final te espreita em todos os lugares
Esperando a hora.
Em que deixarás essa roupa velha rota.
Essas ideias ultrapassadas.
Esse olhar senil.

Então te abrira os braços
E carinhosamente te erguera desse charco
Alçando-te as venturas divinas
De um sétimo céu.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Alma criança.




Examino os mais diversos cantos,

Em cada centímetro do espaço,

Em torno dessa imensidão,

Busco quase que desesperada,

Entre soluços e lágrimas,

Desnorteada,

Em meio a tanta escuridão.

E eis que vejo

Dormindo sossegada,

Minha estrela guia,

Amada,

Minha amiga, adorada,

Alma criança

Despreocupada.

Ciente que a minha estrada,

Levar-me-á certamente,


A Luz que nos alimenta, ama e salva.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Desisti? Nunca!


Renzo Castaneda


Não desisto dos meus sonhos
Que podem ou não serem
Para ti esquisitos.
De poder vê além da conta,
Além da porta,
Além da vida,
Morta.
Não desisto
De ser o que sou
E ainda não abicho.
Viver com intensa felicidade
De saber o que ainda nem pressinto.
Conhecer, aprender e reconhecer.
Que quanto mais sei
Mais tenho a aprender.
E que tudo o que levo comigo
E levarei sempre amigo,
Será o que aprendi
Pensando,
Sentindo,
Fazendo.
Todas essas coisas serei eu
Montada em pequenos pedaços
Feito quebra cabeças gigante
Durante as encarnações dessa minha alma
Errante, pulcra e brilhante.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá e cá.


Não sou mais daqui
Também não me sinto de lá.
Fico e estou perdido entre lá e cá.

Assim como pluma ao vento
Balanço entre mundos
Um calmo outro violento
Não me decido onde ficar.

Quando cá estou
Saudade de lá
Da terna terra de ninguém.

Quando lá estou
Saudades de cá
Com seus movimentos constantes
E almas inconstantes.

Vivo entre mundos
Meio lá
Meio cá

Mas quem pode de algo me acusar?
Tendo eu amores lá e cá
Apegos lá e cá
Tornei-me alma errante sem poder me enraizar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Alma bailarina.


Vai bailarina e rodopia.
Solta como pipa ao vento.
Em contorcionismo intento.
A liberdade minha alma contamina.


Vai bailarina e rodopia.
Entre rosas e espinhos.
Entre risos e alegria.
Entre escárnio e orgia.

Vai bailarina e rodopia.
Pelos becos das cidades.
Pelas ruas e botecos.
Pelas praças e jardins.

Vai bailarina e rodopia.
Nos castelos suntuosos.
Nos imensos casarões.
Nos casebres imundos.

Vai bailarina e rodopia.
Pelo túnel do tempo.
Em tempos tão antigos que nem lembro.
Bailarina rodopia.

Vem bailarina e repousa.
Vagastes por tantos séculos.
Vivestes tantas venturas e desventuras.
Sossegas.

Vem bailarina, alma minha e repousa tranqüila.
Encontra teu descanso e alento.
Pois ele, Jesus Nazareno,
Abre os braços para ti.