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sábado, 29 de agosto de 2020

Por onde ando?



Por onde anda eu?
Se me procuro não me acho,
Se falo, não escuto,
Se sinto, adormeço.
Por onde anda eu?
Que ria mais a cada dia,
Geralmente pura alegria,
De ser somente, eu.
Por onde anda eu?
Que o mal não via,
E a dor? Nem sentia!
Por onde anda eu?
Nas gavetas das cartas velhas?
Nas antigas fotos amarelas?
Na poeira do passado?
Nos sonhos definhados?
Nos planos abortados?
Por onde anda eu?
Esquadrinho-me a cada instante,
Busco a mim em um constante,
E por me ver ser tão inconstante,
Triste em mim perambulante,
Não consigo responder.
O que era, o que sou, o que vou ser...
Por onde anda eu?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Amores antigos.

Amores não morrem.
Eles podem dormitar.
Esconderem-se por medo de se mostrar.
Fugir para não serem apanhados, amarrados, pegos.
Fingir que não existem mais.
Dobrar rápido a esquina para não serem encontrados.
Ficarem nas ruelas escuras para não serem vistos.
Cavarem buracos e neles se enfiarem.
Imitarem os avestruzes.
Silenciarem por todo tempo que puderem.
Maquiarem-se para não parecer amor.
Buscar olvidarem o que são.
Fingir que não mais existem.
Para não criar problemas.
Em vão.
Latentes sempre estarão.
Esperançosos de serem encontrados.
Mimados, tocados, acariciados.
Relembrados em todos os acontecimentos.
Revividos.
Ressuscitados.
Sentidos com todos os sentidos.
Libertos de toda a poeira, de toda sujeira, de todo erro.
Para limpos, brilhantes, fulgurantes.
Adentrarem no lugar que lhes pertencem

Nosso eu.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Gratidão!


Quando estou presente
Minha atenção recai no agora.
Vivo!

Sinto que todas as bênçãos me pertencem
Sei que Deus não está ausente.
Regozijo-me!

Ouço vozes celestiais em coro angelical
Louvar a vida num tom uníssono virginal.
Extasio-me!

Sinto a presença do meu guia
Do meu amigo sutil a me orientar.
Felicito-me!

Não me atormenta a saudade
Dos que já são idos.
Aceito!

A velhice, as rugas, as dores.
Trato-os como companheiros queridos
Compreendo!

O mal gerado pelo caminhar nem sempre sereno.
Meu próprio veneno e professor.
Agradeço!

Pelos presentes dados e herdados
Pelo agora que vivo e pelo eterno ser

Gratidão ao Cosmo Pai e Mãe.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Prece.


Eis que toda a prece é ouvida
Pela miríade de seres que habitam o universo
Nenhuma lagrima, nenhuma dor sentida.
Passa despercebida sem eco ou resposta.
Possa ser que não tenha a missiva escrita em fel
A réplica banhada em mel.
Mas, virá com certeza nessa noite escura.
Um lume para findar as agruras
Para apontar uma saída.
Que não seja talvez a que sonhamos
Porém a necessária para que cresçamos
Quebremos o grilhão do sofrimento.
Rasquemos a nossa escuridão.
E tornemo-nos o sal da terra
A luz na janela
Até para quem nos observa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ilusão



Que me vale a vida?
Pois quando começa inicia a morte.
Tantos esforços e lutas
Lagrimas e torturas.
Qual sentido dessa senhora
Que nos envolve em manto de ilusão
E embriaga nossa alma.
Tolhe as nossas escolhas
Embaça nossa visão
Embaralha nossas decisões
Confunde-nos a razão.
Liberta-te alma minha
Desse lodo
Banhado a ouro e prata
Dessa magnifica... Pedra falsa
E alça voos em busca do Divino.

sábado, 16 de agosto de 2014

Perdido



Perdidos.
Anos de vida em vão?
Em busca de insanas satisfações
Passageiras e infantis.

Perdidos...
Esforços de retificação
De busca de deificação
De purificação.

Perdidos...
Atos de boa vontade
Presentes de amizade
Aos amigos que nunca foram ou são?

Perdidos...
Todo o caminho escolhido espinhoso
Todo ato bondoso
Todo o mel?

Perdidos...
Duvidoso.
Diante da angustia e da duvida
E a certeza da fé.

Estou
Ainda perdido.


domingo, 2 de março de 2014

Sigam


Siga o riso
A falta de siso
O não preciso.

Siga a alegria
A boemia
A alforria.

Siga a alucinação
A ilusão
Do desejo a realização.

Siga sem pensar
A insensatez
A estupidez.

Siga
Sem medo
Sem pudores.

É o caminho
De todos os atores
Que as vidas iniciam

Até que um dia
Cansados de falsa euforia
Descansarão nos braços de Deus.

sábado, 1 de março de 2014

Onde.


Onde encontro alegria?
Somente em Ti.
Jamais me decepcionas
Jamais me faltas
Jamais me diz o que vais me dá
Assim, nada tenho a perde ou ganhar.

Onde mora meu júbilo?
Somente em Ti.
Quando sinto tua presença
Seu cheiro nos cheiros do mundo
Sua voz em cada cântico divino
Em qualquer língua.

Onde sou perfeito?
Somente em ti
Quando acendo Tua luz em mim
E minhas faces ficam transfiguradas de amor
E minhas mãos de servo trabalham com dedicação plena
E meus pés não cansam na busca de auxiliar os necessitados do caminho

Somente em Ti
Senhor da criação

Posso ser alegria e perfeição.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Grilhões partidos.


Quando os nós desatam
As algemas caem
As dúvidas dissipam-se
E a vontade impera
Os pensamentos impõem-se
O coração emudece
Os pés se mexem
E andam.

Abrem-se portas
Escancaram-se janelas
Caem os muros.
Repentinamente lá está ela:
A vida
De roupa nova
Novos desafios
Tantas alegrias
Algumas novas dores.

Mas, vida
 Pulsando...
Invocando-te. Vem!

Aos que romperam os grilhões
Com os velhos amores
Situações pendentes resolvidas
Optaram pela liberdade
Existe nova chance de ser feliz.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Chave

 

Tenho comigo a verdade,

De todas as coisas a explicação,

De todos os segredos as respostas.

Nada há que não conheço,

Nunca existiu, existe ou existira mistério.

Sei de todas as coisas,

Conheço todas as faces,

Pertenço a todas as classes,

Sinto todas as dores e saudades,

Como os risos e alegrias.

Posso saber o que sois,

O que queres e o que temes.

Nada oculto sob o céu ou o Sol.

Falta-me apenas um pequeno instrumento,

Simples e mínimo...

Uma chave.


A chave da iluminação.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Hora Certa

Tivesse sabedoria e saberia
A hora certa da ação
A hora certa da inercia.
Não perderia o bonde
Da vida...
Não ficaria prisioneira
Das tempestades...
Saberia ir embora.
Decidiria ficar pelo melhor.
Sem consciência vago
Entre ir e não ir
Ser ou não ser.
Sofro a indecisão dos humanos
Tendo por fim orgulho aquebrantado
Peço
Pai resolve por mim... Abre-me os olhos...

E a trilha.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sou grande?


Sou grande.
Na minha loucura de ser o que não sou.
Em busca desenfreada da perfeição.
Esquecendo minhas próprias pedras de tropeço... Falho.

Insisto, constantemente, diariamente nessa busca de ser grande.
Grande mulher,
Grande oradora,
Grande mãe,
Grande amiga,
Grande esposa,
Grande estudiosa,
Grande colega de trabalho,
Grande ajuda,
Grande, grande, grande.
Em tudo que fizer grande.

Porém, cá entre nós o que conseguir chegar mais perto de grande
Foi à certeza de que não o sou.
Encontrei, contudo, algo grande em mim.
Minha pequenez.  Essa sim é grande.
Forrando todos os meus sonhos de grandeza
Com a verdade de que ainda não o sou grande
Grande o bastante para procurar não sê-lo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dualidade.



Nesse momento em que estou
Tenho sempre que ser dois
Para que através de um
Possa perceber o outro.
Não saberei o que é a luz
Se não tiver vivenciado a sombra.
Não identificarei saúde
Caso não tenha vivenciado de alguma forma
O mal estar.
Como saber o que é o amor
Caso nunca tenha pressentido a raiva.
Ou saber o que é a dor
Se for completamente insensível.
Vivo no mundo dual
Para aprender a ser uno.
Não há percepção de felicidade
Para os que nunca presenciaram a tristeza.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá e cá.


Não sou mais daqui
Também não me sinto de lá.
Fico e estou perdido entre lá e cá.

Assim como pluma ao vento
Balanço entre mundos
Um calmo outro violento
Não me decido onde ficar.

Quando cá estou
Saudade de lá
Da terna terra de ninguém.

Quando lá estou
Saudades de cá
Com seus movimentos constantes
E almas inconstantes.

Vivo entre mundos
Meio lá
Meio cá

Mas quem pode de algo me acusar?
Tendo eu amores lá e cá
Apegos lá e cá
Tornei-me alma errante sem poder me enraizar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Logradouros.


 
Que caminhos me trouxeram até cá?

Não era aqui que eu deveria estar.

Não era aqui que queria ficar.

Falsos caminhos de conforto,

Vias asfaltadas,

Sem buracos ou pedras de tropeço,

Linhas retas aprumadas.

Sem surpresas,

Sem ações,

Sem diversões.

Caminhos seguros.

Trilhado por milhões.

Não era esse o caminho que ansiava.

Mas, o medo do inusitado,

A moleza dos fracos,

Os sentimentos de culpa,

A humildade humilhada,

Pela praga da danação amedrontada,

Arrastaram-me de roldão por essas estradas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A caça.


Buscando em tudo perfeição
Procuro ser melhor no que fizer
Eu faço
Por Ti.

Para te encontrar mais rapidamente possível.
Reconhecer-te em minhas entranhas
Amar-te tempo integral.

Não sei como verbalizar essa procura
Essa procura escandalizada da Verdade
Por tantos caminhos
Às vezes tão contraditórios.

Perco-me em minhas estradas
E se penso que te acho naquela esquina
Já ultrapassasse antes o meu sinal vermelho.

Caminho assim em torturada procura
Mas, sei que um dia te encontro.
Quando menos esperares.

Estarei em mim
Profundamente implantada
E serei plenamente feliz
Pois serei Tu e Eu num só Ser.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Onde estão?


Onde estão?

Àqueles que saíram há poucos minutos?

Os que foram trabalhar,

Os que se deram às caminhadas,

Mas, principalmente, os filhos que foram à escola.

Onde estão?

Àqueles que voltariam em cinco minutos,

Àqueles que retornariam com o pão,

Àqueles que nunca chegaram da viagem.

Onde estão?

Os maridos que foram comprar cigarros,

As esposas que foram provar as roupas novas,

Mas, principalmente, as crianças.

Onde estão?

Os que se perderam na boca da noite,

No vicio das drogas,

Nos seus próprios pensamentos,

Mas, principalmente, nossas crianças.

Quem segurou suas pequenas mãos?

Quem lhes convidou a palácios?

Quem lhes prometeu alguma coisa boa?

Onde estão todos?

Que sumira,

Que desapareceram,

Que se esconderam aos nossos olhos,

Que se ocultaram,

Que se perderam na vida.

Onde estão todos eles?

Esquecidos de nós?

Tão distantes que não podem voltar?

Presos, amarrados, algemados?

Onde estão nossos maridos?

Nossas mulheres?

Nossos amigos?

Mas, principalmente, onde estão os nossos filhos?


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Feitos para o amor.

Fomos feitos para o amor.

Moldados no amor.

Riscados nossos traços com amor.

Implantado nosso odor com amor.

Nos olhos só brilho com amor.

No sorriso aberto amor.

Nas mãos estendido amor.

Nas palavras doce amor.

Fomos feitos para o amor.

O amor de mãe.

O amor de amiga.

O amor irmã.

O amor de filha.

O amor do amante.

O amor da família.

Amor espalhando amor.

E quando nos tiram o amor humano.

A vida.

Seca.

Morre.

Petrifica.

O corpo perece em pus e feridas.

A alma se contorce, disforme, distorcida.

Em lágrimas sofridas.

Busca o fim dessa vida.

Foge do corpo.

Busca amor verdadeiro.

Único.

Interminável.

Brando, caloroso, acolhedor.

O Pai.

O Criador.

(visite:
Poemas e Encantos II )