domingo, 19 de maio de 2024

Dome anjinho ( em homenagem a todas as crianças que pereceram na tragédia do Rio Grande do Sul em 2024).

 


Dorme meu anjo.

Dorme meu anjo como já dormiram tantos outros anjinhos,

Arrancados dos braços dos pais, dos seus ninhos.

Adormece para sempre e nos abandona,

Deixa para trás essa masmorra medonha.

 

Dorme anjinho, dorme sozinho,

Sua mãe já não te ninará com cânticos ou carinhos.

Não ouvirar teus choros ou risos, somente o silêncio mortuário.

 

Levaram-te as águas dos desalinhos humanos,

Que mesmo sabendo dos riscos engavetaram o futuro socorro.

Em seus delírios de riqueza e poder no fundo te aniquilaram.

Dorme meu anjinho, dorme eternamente.

 

Espero que algum anjo de verdadeiras asas te encontre,

Coloque-te no colo, ampara-te e salve-o dessa escuridão mesquinha e vil,

Que abraçou nosso Brasil.


domingo, 12 de maio de 2024

Lembranças de minha mãe.




Trago nas lembranças, de ti, imagens que varam o atempo,

No peito guardadas com cuidado, vigiadas para não serem perdidas,

Visitadas tantas vezes quanto possa minha alma atormentada de saudades revivê-las.

Como um jardineiro de lembranças, rego-as para que não feneçam.

 

Tenho receio de esquecer teu sorriso, de tons infantis ou maliciosos,

Tua voz a me chamar pelo nome de outra filha,

Teu gargalhar de si mesma.

 

Mãe como dói a tua perda e como magoa tua falta,

Sobreviver sem ti é um pesadelo.

A luz diminuiu no mundo quando partisses, todas as cores esvaneceram.

A vida encheu-se de tons cinzas e sombrios.

 

Parece-me que falhei em fazer-te compreende o quanto te amo.

Falta-me na vida o teu pedaço, teu corpo, teu cheiro, teu abraço...

Onde estiveres mãe amada, sintas que te amo.

 

 12/05/2024

Mallika Fittipaldi.

 

domingo, 29 de outubro de 2023

Escolho o riso.

 

Escolho o riso todos os dias, a falsa ou verdadeira alegria,

Prefiro mostrar os dentes arreganhados,

Do que o rosto taciturno e fechado.

Apesar de “não mais ter idade” para certas coisas,

Esqueço de me incomodar com quem se incomoda,

E passo leve, pela vida, como a brisa.

 Perdoe-me, os sorumbáticos, se lhes causo feridas.

Serei para sempre essa senhora engraçada?

Que em sua frente é disparatada

E no seu íntimo ajuizada.

Olhes para mim como em um espelho,

Podes escolher ser sisudo ou sorridente,

Vou te afirma que certamente serás mais feliz sempre,

Ao mostrar invariavelmente, no teu sorriso, teus dentes.


sábado, 28 de outubro de 2023

A quem busco?


Eis que bate à porta do coração

A saudade sem motivação.

Uma dor de não se sabe o que

Sentimento de falta de um ser.

E nos olhos dos estranhos

Pareço buscar alguém, de um sonho,

Sem ter sentido algum esse anelo.

Em cada rosto almejo ver

Um outro rosto, de antigo bem querer,

Que não conheço no agora...

Mas sinto-o em minha alma que chora.

Aonde andara esse não reconhecido?

Pelo presente por mim esquecido,

Olvido que deveria ser vencido.

A cada nova manhã nova busca,

Esquadrinhando pelas ruas,

Em cada homem, mulher ou criatura

Teus modos, trejeitos... minha tortura.

Põem-se o Sol, escurece o céu e surgem estrelas

Amanhã buscar-te-ei sem mapas.

Um dia te encontrarei com certeza.

 

Mallika Fittipaldi. 28.10.2023.

 

 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Dissolvendo-se

 

Se dentro do peito a solidão se espalha...

Pelo corpo feito praga.

Engolindo como névoa branca, translúcida,

Todo o resto que em mim brilhava,

A felicidade perdida nesse sortilégio,

Enlouquecida pelos seus mistérios,

Vaga triste então pela escuridão.

Sinto que não há mais sol que me acalente o corpo,

Nem sopro que me faça viva.

Transpiro todas as dores do parto.

Parto da vida! Sumo!

Em mim desapareço.

Entre as lágrimas dos que não me amaram,

Dos que em mim (verdadeiramente) não pensaram,

Enquanto eu lhe alegrava as vidas.

 

Mallika Fittipaldi. 2023


segunda-feira, 14 de agosto de 2023

TCC sobre a infiltração de diabinhos na produção das almas terrestres.

 

Pensando no mói de gente ruim que existe por aqui

Decidi, decididamente elabora um TCC

Para explicar a causa desse fuzuê!

O pessoal de cima e o pessoal de baixo

Vivem na concorrência isso é fato.

Achei, depois de matutar, a teoria para elucidar

O motivo de tanta alma sebosa aqui na Terra atracar.

O controle da qualidade, criação e entrega d’almas tá a falhar.

E a única aclaração dessa situação

É a de que na hora da produção das almas a encarnar,

Tem lá infiltrado anjo rabudo, chifrudo e malvado.

E taí explicado!

O mói de gente ruim que tem por aqui baixado!

Mallika Fittipaldi.

domingo, 14 de maio de 2023

A Bruxa Bela dos Ovos.

 



Tem muita bruxa no mundo

Ninguém vai me desmentir.

Para todo tipo de gosto

Nem dá para discutir.

Porém, de todas que vi

Uma me vem confundir

A bruxa do ovo verde

Que amei e vou curtir.

Num sei bem o que ela faz...

Num sei bem o que ela quer...

Mas não pode ver um ovo

Pois se arrepia a mulher.

Parece que tem coleção,

De tudo que cor e jeito,

Para ela o que mais importa

É que o ovo seja perfeito.

Não pode ter um furinho,

Não pode ter um rasgão,

Nem mesmo machucadinho,

Ou mesmo pequeno arranhão.

Vendo tanto ovo assim

Me levantou a suspeita...

Que lugar dessa bruxinha

Vai se transformar em cesta? 

Mallika Fittipaldi.

Minha giganta

 


Ela era enorme uma giganta!

Que balançava o meio do corpo

Numa cadência incompreensivelmente perfeita.

Sobre a cabeça tufos negros, à guisa de cabelos, soltos e finos, lisos e brilhantes.

Os pés marcavam os chãos, o capim, o areal.

Nas mãos cabia o mundo.

Criava e aniquilava, nutria e protegia, batia ou acariciava.

A boca tinha os dentes tão belos, a língua sábia dos mestres da vida.

Quando sorria iluminava meu universo.

Quando calava taciturna enchia-me os olhos d’agua.

A seguia aonde ia, era meu prazer observá-la,

Dizer tudo o que fazia ou quase tudo para não incomodá-la.

Era meu titã, minha deusa!

Meu amparo, minha luz, meu sustentáculo!

Minha mãe.          

Ontem tudo...

Hoje só lembranças...

Só saudade...

sábado, 29 de abril de 2023

A alma e o Corpo


Já foste belo meu carcereiro!

Me destes tantos prazeres e gozos

Levaste-me a tantas aventuras

Fizesse-me rir de tudo,

Encantasse-me com um primeiro amor

Com tantas primaveras de profusas flores

E arrebatasse-me com milhões de cores.

Arrastasse-me para mil conquistas;

De poder e posse tão desejadas,

De comandos soberbos irrevogáveis,

De reinos onde reinamos incontestáveis.

Pelas tuas mãos abri milhares de livros,

Com teus olhos li tantas estórias,

Embriagada achei-me sábia por isso...

Tantos prazeres concedesse-me

Que não percebia a tua doce obrigação

De carcereiro e companheiro

Na tua dolorosa missão.

Foram-se os dias primevos,

A pubescência e a consciência juvenil,

O ouro de tolo do falso “eu reino”.

Sem senti-me ser pequeno e tolo.

Invernou em branca neve nossos cabelos,

O frio rachou em dores nossos ossos,

Envelhecemos nessa prisão estadia.

Reconheci-te então como meu masmorreiro

Reconheci-me como teu ocupante.

Devolvo-te agora a Mãe Terra aconchegante

Que te abraça neste teu último janeiro.

Demo-nos prazer simultâneo a dor,

Caminhamos cegos, juntos iguais a frater e soror.

Enquanto desce a esse túmulo úmido e acolhedor

Parto para as estrelas até ouvir novamente teu clamor.

Então, entre riso e lágrimas, primaveras e outonos,

Reiniciaremos como corpo e alma novas venturas.

Criando novo livro de vida onde os heróis somos sempre

Eu e Tu.

domingo, 23 de abril de 2023

Busca (mãe)

 


Não há um dia que de ti não lembre,

Nem marejem meus olhos com água salgada,

Ou te invoque, na mente, silenciosamente,

Nem sofra de intensa saudade.

 

Não a vejo no dia a dia,

Não escuto tua voz a me chamar,

Não há teu cheiro nos cantos da casa,

Nem mesmo tua sombra a me visitar.

 

E quando em sonhos te procuro desesperada

Desejosa ao menos ao longe ver-te a silhueta,

Fala-me tranquila, quem sabe para me aquietar;

Afirmas que aqui não mais estais.