domingo, 1 de fevereiro de 2026

Minha árvore genealógica.

 



Minha árvore genealógica não é um retrato na parede,

É um eco vivo dentro de mim.

Cada galho quebrado, cada raiz retorcida, sussurra em meus ossos.

Carrego a coluna curvada da minha mãe,

Pela mesma ter carregado o mundo nas costas.

O coração ávido da minha avó,

Por não ter sido a preferida do pai.

A mente febril do meu tio-avô,

Enlouquecido pela busca de conhecimento, oculto e sombrio.

Sou um arquivo ambulante de dores alheias,

Uma biblioteca de almas que buscam reparo nas minhas páginas.

Como sarar cicatrizes que não são minhas, mas que sangram em meu nome?

Cuido-os, revivendo-os, transformando seus lamentos em minha própria canção.

Gerando uma nova árvore, menos torcida, para as gerações que ainda virão.

A aranha mãe.

 


A aranha mãe.


Tece a aranha sua teia, calma, tranquila e alheia.

Silenciosa, como a mãe natureza,

Fia com aptidão e beleza.

Desenhos geométricos seus sonhos perneiam.

Fará o melhor que puder, com certeza.

Do seu ventre sairá o futuro,

Descendentes desejados ou não.

Eles herdarão sua beleza,

Sua ira,

Sua bondade,

Sua solidão.

Tece a mãe aranha sem saber,

Que suas dores e amores,

Eles de legado irão receber.

Culpa sem culpa.

 


Culpa sem culpa.

Quanta culpa sem razões,

O peito pesa toneladas,

A dor de quem sabe que não fez nada,

Continuo arder em chamas como acusada.

O que fiz eu que não saiba?

Donde vem essa sombra doentia?

Que machuca minha mente,

Com acusações vazias.

De que baú do passado elas saíram,

Não me lembro de mau algum ter cometido.

Parecem gritos do passado, que ecoam estremecidos,

Imploro a todos, que gritam, por favor, parem com isso!

É um tormento imerecido?

Ou só não compreendo esses gritos?

 


Frutos de outros homens

 


Não há frutos sem árvores,

Homens sem pais.

Arvores sem raízes,

Homens sem ancestralidade.

Raízes sem passado,

Vidas sem heranças.

Sementes sem futuro,

Porvindouro sem frutos.

Somos partes dos que nos geraram,

Deles não nos apartamos por completo.

Mallika Fittipaldi


terça-feira, 15 de abril de 2025

 


Os ancestrais e eu.

 

No túnel do tempo, do passado ao futuro, repouso no presente.

Comigo no universo, sei que outros estão.

Próximos ou longe, fazem parte da minha história.

De uns recebi bênçãos

De outros... maldições.

Estão comigo! Falam em sussurros nos meus ouvidos.

Ou gritam suas dores em meu corpo, como doenças.

Mulheres me ensinam o Caminho da Mãe.

Homens, o Caminho do Guerreiro.

Debatem-se ainda em situações que não resolveram.

No meu livro da vida, há muito mais vidas que somente a minha.

Como se não me bastasse meu próprio peso,

Carrego comigo, queira ou não, seus erros e acertos.

 Sou o vaso de carne para suas redenções.

Antecedera-me, deixaram-me suas heranças.

São meus ancestrais, os que vieram antes.

Formaram, em grande parte, o que hoje sou.

Honro suas dores e alegrias.

Valorizo seus feitos e glórias.

Acolho suas perdas e fracassos.

Essa herança fez-me crescer.

Eu sou aquela que, no momento, busca a cura.

Para todos que, no antes de mim, criaram o que eu sou.

E quando me curo, torno são meus ancestrais.


Mallika Fittipaldi.

15/04/2025

In: Cura Ancestral.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

 


Natal 2025

Você notou que o Natal mudou?

O quanto diminuíram os pisca piscas nas janelas das casas?

E não encontramos tantos presépios nos lares?

Que as ruas e as praças não se enfeitam e brilham como antes?

Enfim, você notou como o natal estar escuro?

Como parece frio e distante das efusivas palavras de amor e bênçãos que ouvíamos e pronunciávamos uns aos outros, num passado nem tão distante?

Que os presentes escolhidos, um a um tendem a se tornarem um Pix, um valor sem a mesma importância do tempo, do carinho e da preocupação na escolha de cada presente para agradar a um e a outro, que íamos presentear?

O Natal está mais escuro...

Não só com a falta de piscas, presépios e arvores nas praças, ruas e casas.

Ele está mais escuro quando uma parte dos humanos esqueceram completamente do aniversariante,

E muitos, para impor seu estilo de vida, seus prazeres e valores modernos condenam o Cristo ao esquecimento e os cristãos a perseguições.

É tudo se encontra mais escuro...

A Luz do Mundo se encontra obliterada pelos prazeres mudanos,

Pelos valores humanos esquecidos e aviltados,

Pela vontade de riscar da existência no mundo do menino Jesus.

Porém, por mais que a escuridão se faça presente nas casas, praças e ruas

Em milhões de coração oprimidos, cansados e, contudo, esperançosos

Brilha a Luz do Mundo.

E se nesse momento, a Luz, parece pequena,

Por mínima que for sem sombra de dúvidas clareia, mesmo que um pouco, toda essa escuridão.

E toda essa maldita escuridão de ódio, perseguição, maldade e equívocos não consegue, nem a base do sangue e da vida daqueles que ama a Luz do Mundo, apagá-lo.

Ele brilhara para sempre, queiram ou não.

Feliz aniversário Jesus.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Pedido de um “Feto”

 


Pedido de um “feto”.

 Sou flor em botão pelas tuas mãos

Abrirei ou não...

É teu ventre, teu colo, meu chão.

Sou também tua semente posta ou imposta,

Com teu consentimento ou não...

Deixa-me brotar, deixa-me viver.

Ais de ver que posso ser teu arrimo, teu futuro amor

Aquele a quem a ti si consagrou.

Não me arranques feito erva daninha,

Não sabes ainda a minha sina.

Se cá estou há um propósito.

Ajude-me a realizar meu ato e minha cena.

Nada que aqui, cá venha deixar de ter uma meta, uma missão.

Dá-me teu amor, tuas mãos.

Ampara-me agora.

Mate-me não.


Mallika Fittipaldi.

27.09.2024

domingo, 4 de agosto de 2024

Só uma oração...





Só uma oração.

Coloquei em diversos grupos de WhatsApp um pedido de oração pelo povo da Venezuela...

Não, disse que a oração fosse cristã ou pagã,

De direita ou de esquerda,

Deste ou daquele caminho espiritual.

Pedi uma oração de coração para o povo abatido como caça...

Pelos poderosos do mundo e não vistos pelos cumplices da morte e da dor do próximo.

Poucos levantaram as mãos e oraram.

De muitos,

Recebi o silêncio dos não inocentes,

O descaso dos ocupados, sempre consigo mesmos,

A repudio! Pois ali não era um grupo de oração! Que pedido horrível!

O escarnio dos descrentes das coisas de fé; coisa de idoso, acreditar nisso! Disseram!

Nos grupos religiosos poucos atenderam...

Nos espiritualistas apagaram a mensagem...

Nos esotéricos... frieza...

Nos mágicos um silêncio ensurdecedor.

Gritam as pessoas pelas suas dores

E de alguns poucos que amam,

E silenciam desumanamente diante do sofrer dos que lhes estão distantes.

E quando for a nossa vez do calvário?

Da noite escura da nossa alma?

Dos dias de sofrimento?

Pediremos orações? Energizações? Rituais mágicos? Intervenção divina? Bênçãos dos deuses?

Hipocrisia?

Fiquem livres, à vontade para retirar meu nome do seu grupo se assim o desejarem.

Paz e Luz.

  

domingo, 19 de maio de 2024

Dome anjinho ( em homenagem a todas as crianças que pereceram na tragédia do Rio Grande do Sul em 2024).

 


Dorme meu anjo.

Dorme meu anjo como já dormiram tantos outros anjinhos,

Arrancados dos braços dos pais, dos seus ninhos.

Adormece para sempre e nos abandona,

Deixa para trás essa masmorra medonha.

 

Dorme anjinho, dorme sozinho,

Sua mãe já não te ninará com cânticos ou carinhos.

Não ouvirar teus choros ou risos, somente o silêncio mortuário.

 

Levaram-te as águas dos desalinhos humanos,

Que mesmo sabendo dos riscos engavetaram o futuro socorro.

Em seus delírios de riqueza e poder no fundo te aniquilaram.

Dorme meu anjinho, dorme eternamente.

 

Espero que algum anjo de verdadeiras asas te encontre,

Coloque-te no colo, ampara-te e salve-o dessa escuridão mesquinha e vil,

Que abraçou nosso Brasil.


domingo, 12 de maio de 2024

Lembranças de minha mãe.




Trago nas lembranças, de ti, imagens que varam o atempo,

No peito guardadas com cuidado, vigiadas para não serem perdidas,

Visitadas tantas vezes quanto possa minha alma atormentada de saudades revivê-las.

Como um jardineiro de lembranças, rego-as para que não feneçam.

 

Tenho receio de esquecer teu sorriso, de tons infantis ou maliciosos,

Tua voz a me chamar pelo nome de outra filha,

Teu gargalhar de si mesma.

 

Mãe como dói a tua perda e como magoa tua falta,

Sobreviver sem ti é um pesadelo.

A luz diminuiu no mundo quando partisses, todas as cores esvaneceram.

A vida encheu-se de tons cinzas e sombrios.

 

Parece-me que falhei em fazer-te compreende o quanto te amo.

Falta-me na vida o teu pedaço, teu corpo, teu cheiro, teu abraço...

Onde estiveres mãe amada, sintas que te amo.

 

 12/05/2024

Mallika Fittipaldi.