Não apenas um retrato.
Sinto-me segura nessa parede fria a que me penduraram,
Através dos tempos eu os observo, com olhos de papel e
tintas.
Alguns me temem, outros me abençoam.
Posso ser vista como uma guardiã protetora,
Ou a que grita que a morte está a chegar.
De qualquer forma evitam me irritar,
Lançar-me fora, esconder-me onde ninguém possa me fitar.
Em dias de angústia aos meus, em sonho, ouso visitar,
Com a língua dos mortos dou-lhes avisos, informo dos males
que virão.
São minhas sementes, filhos dos filhos, dos filhos e dos
filhos que nascerão.
Enquanto o tempo permitir, a pintura existir deles serei guardiã.
Não me leves para ti, não pertenço a tua estirpe, se o
fizeres...
Não te trarei bênçãos, só maldição.