terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

De que te valeu tanta beleza?

 



De que te valeu tanta beleza?

Onde não dói nesse corpo belo e desejado?

Quantos olhos penetraram pelas suas roupas?

Desnudando-a, sem em ti tocarem?

Em quantos leitos estivesses sem desejares?

Fingindo um prazer inexistente,

Escondendo o nojo do teu par.

Em tua mente quantas e quantas vezes

Amaldiçoas-te tua enorme beleza,

Preferirias ser a mais feia das feias.

Destino cruel, imposição dos deuses,

Abençoada com o corpo de Vênus,

Amaldiçoada com a solidão das nereidas.

Esperastes ansiosa a chegada da idade,

Que a pele envelhecesse e se enrugasse.

Para que eles não mais a desejassem.

Triste prazer o amor da carne,

Que te roubou a mocidade.

 

Mallika Fittipaldi.

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