De que te
valeu tanta beleza?
Onde não dói nesse corpo belo e desejado?
Quantos olhos
penetraram pelas suas roupas?
Desnudando-a,
sem em ti tocarem?
Em quantos
leitos estivesses sem desejares?
Fingindo um
prazer inexistente,
Escondendo o
nojo do teu par.
Em tua mente
quantas e quantas vezes
Amaldiçoas-te
tua enorme beleza,
Preferirias
ser a mais feia das feias.
Destino cruel,
imposição dos deuses,
Abençoada com
o corpo de Vênus,
Amaldiçoada
com a solidão das nereidas.
Esperastes ansiosa
a chegada da idade,
Que a pele envelhecesse
e se enrugasse.
Para que eles
não mais a desejassem.
Triste prazer
o amor da carne,
Que te roubou
a mocidade.
Mallika Fittipaldi.
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