domingo, 1 de fevereiro de 2026

Minha árvore genealógica.

 



Minha árvore genealógica não é um retrato na parede,

É um eco vivo dentro de mim.

Cada galho quebrado, cada raiz retorcida, sussurra em meus ossos.

Carrego a coluna curvada da minha mãe,

Pela mesma ter carregado o mundo nas costas.

O coração ávido da minha avó,

Por não ter sido a preferida do pai.

A mente febril do meu tio-avô,

Enlouquecido pela busca de conhecimento, oculto e sombrio.

Sou um arquivo ambulante de dores alheias,

Uma biblioteca de almas que buscam reparo nas minhas páginas.

Como sarar cicatrizes que não são minhas, mas que sangram em meu nome?

Cuido-os, revivendo-os, transformando seus lamentos em minha própria canção.

Gerando uma nova árvore, menos torcida, para as gerações que ainda virão.

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