domingo, 8 de fevereiro de 2026

Não apenas um retrato.

 



Não apenas um retrato.

Sinto-me segura nessa parede fria a que me penduraram,

Através dos tempos eu os observo, com olhos de papel e tintas.

Alguns me temem, outros me abençoam.

Posso ser vista como uma guardiã protetora,

Ou a que grita que a morte está a chegar.

De qualquer forma evitam me irritar,

Lançar-me fora, esconder-me onde ninguém possa me fitar.

Em dias de angústia aos meus, em sonho, ouso visitar,

Com a língua dos mortos dou-lhes avisos, informo dos males que virão.

São minhas sementes, filhos dos filhos, dos filhos e dos filhos que nascerão.

Enquanto o tempo permitir, a pintura existir deles serei guardiã.

Não me leves para ti, não pertenço a tua estirpe, se o fizeres...

Não te trarei bênçãos, só maldição.

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