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terça-feira, 19 de maio de 2015

Amores antigos.

Amores não morrem.
Eles podem dormitar.
Esconderem-se por medo de se mostrar.
Fugir para não serem apanhados, amarrados, pegos.
Fingir que não existem mais.
Dobrar rápido a esquina para não serem encontrados.
Ficarem nas ruelas escuras para não serem vistos.
Cavarem buracos e neles se enfiarem.
Imitarem os avestruzes.
Silenciarem por todo tempo que puderem.
Maquiarem-se para não parecer amor.
Buscar olvidarem o que são.
Fingir que não mais existem.
Para não criar problemas.
Em vão.
Latentes sempre estarão.
Esperançosos de serem encontrados.
Mimados, tocados, acariciados.
Relembrados em todos os acontecimentos.
Revividos.
Ressuscitados.
Sentidos com todos os sentidos.
Libertos de toda a poeira, de toda sujeira, de todo erro.
Para limpos, brilhantes, fulgurantes.
Adentrarem no lugar que lhes pertencem

Nosso eu.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Alzheimer


Que palavras direi ...

Que te façam tremular feito bandeira ao vento,

Relembrar momentos que deveriam ter sido inesquecíveis.

Como posso te olhar de forma a invocar um passado poderoso

Que nos levou a mudar vidas e a unir destinos?

Poderá minha mão tocar a sua e deliciar teus sentidos,

Arrepiar tua nuca,

Excitar teus desejos.

Minha respiração corresponderá a sua em um abraço

E num instante nos tele portamos para o passado jovem?

Adiantar-nos-ia reviver o que já se foi,

O que foi vivido tão intensamente,

Em forma de amor sensual, desejo de estar perto, sentir o outo?

Ou quem sabe depois de tantas décadas

Basta-nos olhar o outro esquecido do mundo,

Parado no ar feito colibri,

Desnudo de todo conhecimento,

Esquecido de si mesmo...

E pedir, implorar, apenas mais alguns momentos unidos na dor.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O que vejo.


Sento hoje a janela
Para vê a vida.
Já que a ela não mais pertenço.
Não vejo contudo o presente.
Em meus olhos embaçados pelo tempo
Sinto-me dessa época ausente.
Não percebo o que ocorre no agora
Sinto somente o outrora
O passado que  desfila sob meus lumes.
Como criança que assiste à mesma fita
Cem milhão de vezes.
Meu pensamento, também, repete igualmente.
As mesmas coisas, tolas e emboloradas.
Do que já se foi.
Entre instantes de consciência atual
Horas a fios de desterro da vida.
Não vejo dessa janela a correria, os carros, a avenidas largas, calçadas de cimento.
Vejo namorados passeando, cães correndo livres, árvores frondosas, crianças e pipas.
Coisas que já não existem cá.

Somente sobrevivem em meus pensamentos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Pressa.



 



Pressa.

Tenho pressa, muita pressa.
O tempo é curto para cada vida
Para cada vinda
Contudo pouca pressa para a ida.

Vai e vem, idas e vindas.
E é aqui os testes, o desfecho,
Do desafio assumido.

Casso não aprenda,
Casso não entenda,
Caso não cumpra...

Ficarei em divida comigo,
Com meus amigos,
Com meus mentores,
Com a Consciência.

Por isso tenho pressa,
Correndo atrás de tempo perdido,
De palavras soltas ao ar, de feitos mal feitos.
Que não posso apagar.

Quando isso ocorre à mente
Por que essa pressa?
Nada retorna.

Como um arco retesado
Apontada à flecha
Atirado atirada nada a detêm.

O caminho traçado cumprido,
O alvo atingido,
O espírito enegrecido
O erro concluído.

Não tem mais sentido, Não tem mais significado.
Não se apaga erros, realizados, nãos os modificamos.
Somente outra chance, sem pressa, esperamos.

domingo, 31 de março de 2013

Saturno. Pai Tenpo.




O tempo voa como Ícaro e suas asas de cera e mel
Que o quedaram ao solo.
Assim, que ele estabeleceu um sonho.

O tempo ecoa tristemente
Qual Eco em sua caverna
Prisioneira de um amor fracassado.
Repetindo somente palavras ditas.

O tempo devora tudo
De todos que ousaram
Como Prometeu e o fogo sagrado.

O tempo dissipa, espalha, distancia.
Qual Ariadne no céu em forma de estrelas
Longe do amor humano.
Brilhando eternamente só.

O tempo endurece, petrifica.
Como os cabelos da Medusa
Àqueles que ousam olhar o futuro
Com esperanças.

Saturno devora teus filhos,
Destrói os teus anelos,
Esmaga-lhes as esperanças.
No ritmo normal da natureza.
Que cria mantém e aniquila.

Dando espaço para outros
Filhos, sonhos, esperanças, amores.
Num eterno círculo de morte e ressurreição.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tic tac

Tic tac

Tic tac reloginho

Tic tac bonitinho.

Corre, corre ponteirinho.

Rápido, leve, ligeirinho.

Um instante

Um minutinho.

Uma hora

Num tempinho.

Duas três bem rapidinho.

Tic tac reloginho

Tic tac bonitinho.

E não para o reloginho.

Sempre andando agilzinho.

Nunca para o ponteirinho

Arrastando todos, tudinho.

Mesmo o tempo inventadinho.

O tic tac do reloginho

Arrasta rápido, rapidinho.

Passa o tempo o reloginho

Não se lembra de parar

Nos melhores momentos da vidinha.

Só demora quando dor há.

Apressa-se no amor.

Mas, parar nunca.

Nem por favor.

Passa o tempo reloginho.

Vais ficando bem velhinho.

A ferrugem te corroeu.

Como máquina se destrói.

Parou, morreu, findou.

Mas, oh!

O tempo continuou.

(visite:
Poemas e Encantos II )