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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Alzheimer


Que palavras direi ...

Que te façam tremular feito bandeira ao vento,

Relembrar momentos que deveriam ter sido inesquecíveis.

Como posso te olhar de forma a invocar um passado poderoso

Que nos levou a mudar vidas e a unir destinos?

Poderá minha mão tocar a sua e deliciar teus sentidos,

Arrepiar tua nuca,

Excitar teus desejos.

Minha respiração corresponderá a sua em um abraço

E num instante nos tele portamos para o passado jovem?

Adiantar-nos-ia reviver o que já se foi,

O que foi vivido tão intensamente,

Em forma de amor sensual, desejo de estar perto, sentir o outo?

Ou quem sabe depois de tantas décadas

Basta-nos olhar o outro esquecido do mundo,

Parado no ar feito colibri,

Desnudo de todo conhecimento,

Esquecido de si mesmo...

E pedir, implorar, apenas mais alguns momentos unidos na dor.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O que vejo.


Sento hoje a janela
Para vê a vida.
Já que a ela não mais pertenço.
Não vejo contudo o presente.
Em meus olhos embaçados pelo tempo
Sinto-me dessa época ausente.
Não percebo o que ocorre no agora
Sinto somente o outrora
O passado que  desfila sob meus lumes.
Como criança que assiste à mesma fita
Cem milhão de vezes.
Meu pensamento, também, repete igualmente.
As mesmas coisas, tolas e emboloradas.
Do que já se foi.
Entre instantes de consciência atual
Horas a fios de desterro da vida.
Não vejo dessa janela a correria, os carros, a avenidas largas, calçadas de cimento.
Vejo namorados passeando, cães correndo livres, árvores frondosas, crianças e pipas.
Coisas que já não existem cá.

Somente sobrevivem em meus pensamentos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Envelhecemos.


Envelhecemos.

Sem notar. Envelhecemos.

Não vimos às rugas chegarem e se implantarem cada uma em seu lugar.

Não percebemos o monte de cabelos que embranqueceram.

Só quando nossas cabeças tornaram-se tingidas de neve e giz branco.

Não sentimos a flacidez da pele.

A papada flácida que se movimentava com nosso pescoço.

Nem tão pouco percebemos que a visão encurtava rapidamente.

Não ligávamos para as pequenas dores.

Que hoje nos impõe um calmo andar.

Não vimos os filhos crescerem.

Deixando de serem meus meninos.

Não percebemos que nos falta assuntos novos.

E relembramos mais do que criamos.

E só sentimos nossa velhice

Quando estamos sós.

Sem a alegria e o barulho, antigo da casa cheia.

(visite:
Poemas e Encantos II )