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terça-feira, 9 de julho de 2013

O que vejo.


Sento hoje a janela
Para vê a vida.
Já que a ela não mais pertenço.
Não vejo contudo o presente.
Em meus olhos embaçados pelo tempo
Sinto-me dessa época ausente.
Não percebo o que ocorre no agora
Sinto somente o outrora
O passado que  desfila sob meus lumes.
Como criança que assiste à mesma fita
Cem milhão de vezes.
Meu pensamento, também, repete igualmente.
As mesmas coisas, tolas e emboloradas.
Do que já se foi.
Entre instantes de consciência atual
Horas a fios de desterro da vida.
Não vejo dessa janela a correria, os carros, a avenidas largas, calçadas de cimento.
Vejo namorados passeando, cães correndo livres, árvores frondosas, crianças e pipas.
Coisas que já não existem cá.

Somente sobrevivem em meus pensamentos.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Encontro-me


 


Encontro-me em teus olhos
Opacos pelo tempo,
Não mais cristal.

Molhados pelo choro,
Enrugados pelos milhões de momentos,
Solícitos de outros olhares.

Encontro-me em teus olhos.
Profundos, como águas abissais,
Escuros como as cavernas profundas.

Mas, sempre, rasos...
Rasos d’água, rasos de gotas transparentes que rolam pela face.
Banhando um rosto estéril de amor.

Encontro-me em teus olhos.
Como se eles fossem os meus próprios,
Sofridos os dois com o rolar do tempo.

Encontro-me em teus olhos.
Na perda da felicidade,
No medo, pavor, receio, temor,

De ser o ser que é
Repleta, plena, perfeita.
E ser feliz.

sábado, 25 de outubro de 2008

No final.

No final.

Quando tremerem minhas mãos

E nada puderem fazer...

Quando meus olhos

Estiverem sem luz...

Meus cabelos

De branco neve...

Minhas memórias antigas vivas

Minhas novas memórias mortas...

Minhas pernas fracas

Esquecidas numa cadeira de rodas...

Meu corpo frágil

Estendido sobre o leito...

Meu coração a bater ainda

Contudo lento...

Lembra-te...

Que minha alma ainda te ama...

E precisa do teu amor.

Para ficar em paz.

E mesmo com todos os pesares dos anos.

Ser feliz.




sábado, 15 de setembro de 2007

Em cada linha.


Em cada linha uma história.
De lutas perdidas.
De lutas vencidas.
De lutas esquecidas.
De lutas sem méritos.

Em cada linha uma história.
De amores vividos.
De amores sofridos.
De amores eternos.
De amores findos.

Em cada linha uma história.
De dor sufocada.
De dor abençoada.
De dor suportada.
De dor amaldiçoada.

Em cada linha uma história.
De desilusão amorosa.
De ilusão perniciosa.
De desvario que enlouquece.
De soberba que envaidece.

Em cada linha uma história.
De orgulho de ser o que é.
De vergonha de ser o que é.
De martírio pelo que se fez.
De júbilo pelo que se realizou.

Em cada linha desse rosto uma história.
Em cada ruga um acontecimento.
No rosto as marcas da existência.
Na alma as cicatrizes da vida.