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sábado, 29 de agosto de 2020

Por onde ando?



Por onde anda eu?
Se me procuro não me acho,
Se falo, não escuto,
Se sinto, adormeço.
Por onde anda eu?
Que ria mais a cada dia,
Geralmente pura alegria,
De ser somente, eu.
Por onde anda eu?
Que o mal não via,
E a dor? Nem sentia!
Por onde anda eu?
Nas gavetas das cartas velhas?
Nas antigas fotos amarelas?
Na poeira do passado?
Nos sonhos definhados?
Nos planos abortados?
Por onde anda eu?
Esquadrinho-me a cada instante,
Busco a mim em um constante,
E por me ver ser tão inconstante,
Triste em mim perambulante,
Não consigo responder.
O que era, o que sou, o que vou ser...
Por onde anda eu?

sábado, 22 de agosto de 2020

Solidão amiga


Balthasar Denner. Alte Frau mit goldgelbem Kopftuch



















Solidão que me acompanha desde tenra idade,
Faz-me sentir feliz agora na última idade.
Porque nesses derradeiros momentos,
Por viver só, acostumei-me a esse sentimento.

Sempre amiga, companheira, tão presente,
Preenchias-me e eu não sentia a vida ausente.
Caminhava meio aos espinhos contente,
Na ignorância de tua presença... insanamente.

Quem passa pela vida como eu,
Solitária na tua companhia,
Aprende a se vira sozinha.

E as aflições solitárias da velhice,
Se tornam mais leves e cômodas,
Como se tu, solidão, as banisse.

mallika Fittipaldi. 22.08.2020