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domingo, 2 de agosto de 2020

Alma triste


Irene Sheri
Onde ontem se encontravam flores,
Hoje rebentam secos espinhos,
Resultantes dos descaminhos
Esquecido os amores.

Fossem belas as visões de outrora
Agora só restam as cinzas cores
A soma de todas as dores.
Não há chance alguma de nova aurora.

Sorumbática face escarnecida.
Se põe na vida adormecida,
Sem forças para viver.

Reprime em si toda a beatitude,
Prisioneira da vida e suas vicissitudes,
Esquece até de morrer...

Mallika Fittipaldi. 02.08.2020

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sonhos



Sonhos
São como flocos de neves que derretem aos primeiro raios do Sol
Que trás a luz, o calor, a verdade do mundo.
São ilusões que felicitam seus senhores
E os abandonam no corre-corre do dia, na presa, pelos próprios pendores.
Torna-nos palhaços, brinquedos, folia.
Até que relembremos nosso dia-a-dia.
Sonhos de brisas leves. Sonhos de caricias e amor.
Quando findam resta somente a dor.
Sonhos que tentamos resgatar
Mas deparamos com tantos obstáculos
Com os fossos medievais,
Precipícios,
Fogos infernais,
Medos,
Culpa.
Desistimos.
Sepultamos nossos sonhos
Dentro das paredes do nosso quarto
E a noite
Ele enlouquecido, como nós, arranham as paredes e urram.
Em busca da liberdade da realização.
Das quimeras da nossa alma e dos nossos corações.

sábado, 16 de maio de 2015

Fresta no tempo


Fresta
Não deve ter sido pela porta
Essa há muito fechei.
Talvez alguma janela mal cuidada, mal fechada, somente encostada. 
Que deixei, esqueci, abandonei e não mais cuidei.
Por alguma fresta com certeza ela entrou
Feito fumaça, feito neblina, feito fog inglês e silenciosamente se instalou.
Trouxe consigo todas as lembranças
Que pude rememorar.
Causou com certeza
Toda a dor que pode causar.
Relembrou... Antigas questões, falsas decisões, decepções por mim criadas.
Sofri todos os antigos movimentos e momentos
Os anos que deixei a porta aberta
Braços prontos e estendidos aos abraços
O coração no escuro e na solidão.
Somente a semente do retorno e da reparação.
E finalmente a dolorosa verdade do fim.
Mas, o fim daquele mundo legítimo.
Enquanto, nas quimeras continuavam as peripécias.
Aventuras entre o real e o imaginário.
Inseparáveis e indistinguíveis.
Encontros e desencontros.
Tanto que já não sabia o que era verdadeiro e o ilusório.
Como uma planta miúda, uma trepadeira, uma parasita.
As alucinações minguaram, amainaram, atenuaram, serenaram.
Que com o tempo pensei secou! Findou! Acabou!
Mas, hoje com a visita do passado em forma de fumaça e fantasia.
Percebi que nas minhas quimeras, alucinações, delírios e desvarios.
Existem com certeza vida, vigor e dor.
Que continuarão a me visitar eternamente.
E penso que mesmo que a idade me demente
Elas lá estarão.
Como roca das Senhoras dos Destinos, as Parcas.
Eternamente a fiar.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eu não estava lá.



Ninguém pôde ir contigo
Sentir tuas dores.
Muitos dos seus amigos fugiram cheios de pavores.
Aos teus pés somente alguns.
Mas, não eu...
O teu sangue banhou o solo.
Tua pele abriu, rasgou, rompeu.
Contudo, em sua santa face coroada com espinhos estampava-se ainda amor.
Sinto muito Jesus
Por não ter te seguido ao calvário
Por não ter te amparado
Por não ter sido tua companhia no momento de tormento.
Hoje ainda lembro e me arrependo.
Sei, com certeza, no entanto.
Que me olhas benignamente
Por todos os cantos onde vagueio.
E quando a dor me visita Mestre abandonado
Desce mesmo sem meu pedido, dessa cruz infame.
Restaurado no teu esplendor de Cristo rei
Para consolar-me frente aos desencantos
Enxugar-me o pranto
Que na tua hora de fel não enxuguei.

domingo, 23 de novembro de 2014

Cultivando.




Cultivando
A luz e a sombra eu me encontro
E me assombro.
Luto para ser do bem
Estar na linha de frente do amor
Ajudar a todos que a mim chegam com dor.
Não revidar mal com o mal
Assumir a angelitude total.
Cultivo ou tento
A paz em meio à guerra
Paciência meio a bravatas
Tolerância frente ao preconceito
Amor, amor, amor.
Tento e me espanto
Quando repentinamente
Irrompe não donde
De que parte de minha alma
A raiva, a brutalidade curta e seca.
O desamor em totalidade
Malicia, maledicência, maldade.
Caio. Como os anjos.
Na Terra que é minha mãe
Na consciência da minha natureza
Que não sou a luz do Sol, nem doutras estrelas.
Nenhum ser iluminado, mestre, avatar, ancião sábio e desejado.
Apenas um ser pesado
Que vagueia em verdes cabelos
Nos olhos de azul céu
Na boca carnuda dos vulcões
Aconchegada ao seio de minha mãe
Que me acolhe
Mesmo eu cheia de sombras
Sombras que me assombram
Mas, não a ela que entende.
E comigo chora meu demente esquecimento
Que se brilho também escureço.
Por não ser, ser perfeita.
Apenas gente
Cheia de qualidade e defeitos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sou grande?


Sou grande.
Na minha loucura de ser o que não sou.
Em busca desenfreada da perfeição.
Esquecendo minhas próprias pedras de tropeço... Falho.

Insisto, constantemente, diariamente nessa busca de ser grande.
Grande mulher,
Grande oradora,
Grande mãe,
Grande amiga,
Grande esposa,
Grande estudiosa,
Grande colega de trabalho,
Grande ajuda,
Grande, grande, grande.
Em tudo que fizer grande.

Porém, cá entre nós o que conseguir chegar mais perto de grande
Foi à certeza de que não o sou.
Encontrei, contudo, algo grande em mim.
Minha pequenez.  Essa sim é grande.
Forrando todos os meus sonhos de grandeza
Com a verdade de que ainda não o sou grande
Grande o bastante para procurar não sê-lo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O Culpado.



O culpado.


Quem te impede de fazer o bem?

Quem te proíbe doar o que não usas?

Quem se opõe a tua bondade?

Quem te prende a mão que doa?

Quem não permite a tua caridade?

Quem atrapalha tua solicitude?

Quem embaraça teus planos de auxilio?

Quem interrompe tua obra de ajuda?

Quem obstrui teu amor ao próximo?

Quem atravanca teu crescimento como alma?

Teu egoísmo.

Teu orgulho.

Tua inércia.

Tua má vontade.

Em mover-se em direção ao Bem.

(visite:
Poemas e Encantos II )






sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Voz.


Por que me persegues?

E com tua voz gutural me incrimina.

Quem sois?

Que minha vida abomina.

Por que não me abandonas?

E deixa-me descansar.

Não me torture a alma.

Já ela está há tanto a sangrar.

Não me imponhas mais sofrimentos.

Não me perturbes, só aumenta meus lamentos.

Vai-te e leva contigo tuas acusações.

Pois arrasam meu coração.

Não há mais paz em minha vida.

Só essa voz maldita.

Esse canto de estertor.

Esse fúnebre rito de horror.

Demente assim estou.

Como fugir de terrível inquisidor.

Como não ouvir seus lamentos e acusações.

Se a toda hora comigo estão.

Salve-me! Alguém me escute.

Não suporta mais tanta dor que essa voz me incute.

Cala-te consciência não me acuses de infame.

Pois não suporto mais tamanho exame.

Dos erros cometidos, dos crimes praticados.

Do bom caminho ter me exilado.

Existência.


Quem sabe em boa hora parti.
Quem sabe...

Nada criei, saudade não sentirei.
Nada...

Não fiz jus ao presente da vida.
Não fiz...

Não somei, não auxilie, não ajudei.
Não...

Passei pela existência como vento frágil, que nada abala.
Nada...

Não marquei presença em nenhum coração.
Não...

Não fiz por onde alguém sentir minha falta.
Não...

Não tinha laços de amizade, de amor, de paternidade.
Não...

Os meus me antecederam na passagem.
Os meus...

Fico agora no vazio, no limbo, na escuridão.
Fico...

Tão vazio como minha existência sem propósitos.
Vazio...

Só me resta o eco da consciência que me acusa as dores.
Dores...

De ter deixado escorrer pelas mãos o presente da vida.
Escorrer...

Sem ter em nada aproveitada a existência.
Nada...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Até um dia.


Até um dia.
Quando o vendaval da vida novamente nos juntar.
Em lidas que a de porvir.

Até um dia.
Quando o destino reunir-nos novamente.
Em trabalhos edificantes.

Até um dia.
Em que estaremos de novos juntos na estrada.
E quem sabe dessa vez em gloriosa caminhada.

Até um dia.
Quando nossas histórias novamente se cruzarem.
E unidos possamos construir algo que valha a pena.

Até um dia.
Em que aberto nossos olhos da alma,
Coração sangrando de remorsos possamos reparar os nossos erros.

E nesse dia.
Iniciares nossas tarefas de amor ao próximo.
E de amor a nós mesmos.

E novamente companheiros.
Reedificaremos nossas ações.
Que tanto mal fizeram aos nossos irmãos.