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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Flor da agonia


A escrita é a pintura da voz" (Voltaire)
A minha dor, tão presente, é criação somente minha.
Nela invisto, certamente, energia todos os dias,
Cultivando-a com presteza, como flor de rara beleza,
Amando-a, alimentando-a, curando-a das mazelas.

Nada consinto que abale sua exuberância,
Das minhas crias, a trato como a de maior importância,
Não permito ocorrência que diminua seu tamanho,
Será sempre minha dor, amanhã, hoje ou no antanho.

Para que floresça forte, firme, eternamente,
Faço-me das coisas sublimes e alegres ausente,
Como se não tivessem existência em minha vida.

Olvido, por estupidez, todas as bênçãos que possuo,
Fico ausente e cega à exuberância da natureza,
Sempre escolhendo, por própria vontade, à dor ficar presa.

Sou eu, somente eu, que alimento essa flor infernal e dolorosa,
Que a rego como se fosse a mais exuberante das rosas,
Desatenta de que para mim, para existir o jubilo e alegria,
Bastaria deixar morrer essa flor em sua própria agonia.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Regue-me

Resultado de imagem para rosa amarela
Me regue, assim floresço, e te terei com apreço.
Fique certo, eu mereço.
Vigie-me as pragas, o mofo, a joaninha.
Não me deixe sufocar pelas ervas daninhas.
Fofe a terra ao redor de minhas raízes.
Que me manter firme e donde a vida flui e persiste.
Não me deixe sempre exposta ao Sol.
O calor que nutre pode me matar de mim tenha dó.
Teu bom dia é precioso.
O espero todas as manhãs e pra mim é gozo.
Em troca te darei minha beleza.
Meu porte de realeza.
Encherei teus olhos com meus encantos.
E meu perfume se espargira por todo canto.
Serei por ti, algo precioso e belo.
E tu o rei amado que anelo.
Mallika Fittipaldi - autoria


sábado, 26 de julho de 2014

Sementes.



Já te foram dadas as sementes
Custa-lhe então plantá-las.


Pois, mesmo em árido solo.
O cacto flore grandiosamente.

No pântano escuro, sombrio e lamacento.
Brota o lótus de brancura celestial.




Nos jardins fecundos pelo estrume
Borbulham centenas de rosas.

Em meio a estradas esquecidas pequenas flores silvestres, sem trato algum.
Serpenteiam e enfeitam os prados.

Em venenosas e temidas ervas
Surgem botões delicados.

Na vegetação rasteira e em altas copas de árvores frondosas
Resplandece as mais diversas espécies rosáceas.

Em todos os locais, considerados propícios ou impróprios.
Elas estão presentes com sua mimosa beleza.

Da mesma forma a flor do amor apresenta-se miúda e singela
Ou estonteante e perfeita em todas as almas humanas.

Psicografado.
Autoria extra física – Humberto.

22.07.2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Broto.



Nesta nesga de terra negra, obscura.

Neste rasgo apertado, seco.

Broto.

Mesmo que me custe infernal esforço

Que minha alma doa, queime, desintegre

Broto.

Apesar de todos os esforços contrários

De toda a morte que me ronda

Broto.

Tranquila com a sabedoria que possuo

Inconsciente de todos os perigos

Sem refletir no meu trabalho Hercúleo

Simplesmente broto

Pois, sou vida.

Insistindo em viver

Mesmo quando a vida é difícil de ela ser.


domingo, 9 de março de 2014

Criança Flor


Singela flor ao meu lado dorme
Como os anjos devem fazê-lo em brancas nuvens.
Nos jovem rosto nada demonstra dor
Ao contrario surge inesperado sorriso de amor.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Mas seus passos cobrirão a grama com outras flores
Suas mãos serão semeadoras de flores de pura beleza
Seus sons canto de cotovia, colibri em flor aberta.
Perfume adocicado de flor menina.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Caminhara com o tempo deixando de ser flor virginal
Será rubra rosa de paixão
Arrebatará corações
Explodira em pura emoção.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Ao longo do tempo amarelara
Tornar-se-á enrugada, engelhada.
Sem brilho ou verniz.
Despencara na terra.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.


Pereceu...