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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Opção por fenecer

Beautiful Surreal Figurative Artwork by Aykut Aydogdu | Netfloor USA
Aykut Aydogdu - Arte


Só pode ser demência e loucura,
Essa vontade forte e obtusa de viver.
Como explicar esse sôfrego prazer,
A paixão pela vida que gera o sofrer.

Amor e ódio, na existência opostos e tão desiguais,
No fim, em nossas almas, doem do mesmo jeito, tanto faz.
Viver, parece ser formidável, mesmo sendo tudo dramático.
Pois, todas as coisas que amamos, terá um último ato.

Ébrios e tolos insistimos na vida sem compreender,
O que nos leva a persistir continuamente, a insistir em viver.
O que nos sustem nesse palco, o que nos prende, o que viemos fazer?
Ninguém realmente, com certeza, pode responder.

A vida é vinho, ópio, droga doce e inebriante.
Talvez um dia, se sóbrios por alguns instantes,
As agruras das vidas claramente possamos ver.
Então, preferiremos, nesse segundo fenecer.




segunda-feira, 1 de junho de 2015

Serena dor.



Serena dor.
 E vai embora.
Meu corpo padece a tua presença senhora.
Não vês o meu sofrer?
Estabelece um dia para tua partida
Se não fores a tua que seja a minha.
Abandonemos essa moradia conjunta.
Peço-te encarecidamente madama.
Que não me tolha os movimentos
Que não me seques os músculos
Não apague minha voz
Não deixe meus olhos no escuro.
Se tu és um monstro que corrói
Ou apena minha sina
Não sei.
Contudo rubra dama do sangue alheio
Permite-me algum tempo sem senti-la
Ofusca-me, engana-me, ilude-me.
Suaviza alguns momentos
Para que eu possa fechar os olhos
E quem sabe...
O anjo da morte de mim se apiede
E rapte-me de ti

Dando-me descanso e paz.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sentes?

Florence Nightingale as the Lady with the Lamp

Sentes a minha pele?

Minhas mãos nas tuas?

Meu beijo em teu rosto?

Podes ainda vê meu sorriso?

Mesmo que triste e dementado?

A lágrima, a última de olhos pela dor rasgados?

O tremor do corpo assustado?

A sensação de perda irreparável?

Ainda me sentes?

Sabes do meu amor por ti?

Que tudo faria para te ter de novo?

Qualquer pacto com deus e com o demo?

Tantas perguntas e só silêncio

Neste final instante de agonia

Em que teu corpo esfria


E tua alma escapa para a eternidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Impressão



Já não me basta a leve impressão de vida
Que tudo pode dar certo um dia
Que o dia a dia continuará eternamente.
Serei sempre eu na mesma ladainha
Nessa inda e vinda permanente.
Já não me basta sentir o leve afagar da morte
Batendo a soleira da minha porta
Pedindo ou não licença para entrar.
Tudo que peço é um pouco de vida calma
Que tranquilize a minha pobre alma
Estabelecendo-a em porto seguro
Longe das muralhas de gigantescas águas.
Das profundezas escuras e abissais
Onde posso perde a sanidade na ânsia
De ser o que fui a um momento atrás.
Descuidando de mim nesse tormento
Morrendo nessa vida de ensinamentos
Através das dores que machucam
Sem poder exalar um suspiro
Um grito de desespero
Um pedido de socorro.

  

domingo, 9 de março de 2014

Criança Flor


Singela flor ao meu lado dorme
Como os anjos devem fazê-lo em brancas nuvens.
Nos jovem rosto nada demonstra dor
Ao contrario surge inesperado sorriso de amor.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Mas seus passos cobrirão a grama com outras flores
Suas mãos serão semeadoras de flores de pura beleza
Seus sons canto de cotovia, colibri em flor aberta.
Perfume adocicado de flor menina.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Caminhara com o tempo deixando de ser flor virginal
Será rubra rosa de paixão
Arrebatará corações
Explodira em pura emoção.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.

Ao longo do tempo amarelara
Tornar-se-á enrugada, engelhada.
Sem brilho ou verniz.
Despencara na terra.

Flor de amor humano
Que está perecendo desde cedo
Desde o próprio nascimento.
Preste a fenecer.


Pereceu...