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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Impressão



Já não me basta a leve impressão de vida
Que tudo pode dar certo um dia
Que o dia a dia continuará eternamente.
Serei sempre eu na mesma ladainha
Nessa inda e vinda permanente.
Já não me basta sentir o leve afagar da morte
Batendo a soleira da minha porta
Pedindo ou não licença para entrar.
Tudo que peço é um pouco de vida calma
Que tranquilize a minha pobre alma
Estabelecendo-a em porto seguro
Longe das muralhas de gigantescas águas.
Das profundezas escuras e abissais
Onde posso perde a sanidade na ânsia
De ser o que fui a um momento atrás.
Descuidando de mim nesse tormento
Morrendo nessa vida de ensinamentos
Através das dores que machucam
Sem poder exalar um suspiro
Um grito de desespero
Um pedido de socorro.

  

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fantasmas


 

Fantasmas nas janelas, nas portas, nos umbrais.
Dedicam-se a espionarem minha vida.
Roubam minha luz.
Escurecem meus olhos.
Rasgam minhas ideias.
Devoram minha felicidade.
Destroem minha paz.
Detonam minhas esperanças.
Definham minha vontade.
Cortam meus laços de amor.
Esfriam minhas paixões.
Embrutecem minhas emoções.
Entranham-se no meu coração.
E estabelecem seus domínios.
Baseados no medo, na raiva, na magoa.
Posso dizer, ora, são fantasmas.
Todavia são os meus fantasmas...
Que me tonteiam o raciocínio.
E ferem profundamente
Como todas as lembranças amargas o fazem.
Carcomendo a minha vida
Como a ferrugem que coroe o ferro
Até nos restituir ao pó.