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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Serena dor.



Serena dor.
 E vai embora.
Meu corpo padece a tua presença senhora.
Não vês o meu sofrer?
Estabelece um dia para tua partida
Se não fores a tua que seja a minha.
Abandonemos essa moradia conjunta.
Peço-te encarecidamente madama.
Que não me tolha os movimentos
Que não me seques os músculos
Não apague minha voz
Não deixe meus olhos no escuro.
Se tu és um monstro que corrói
Ou apena minha sina
Não sei.
Contudo rubra dama do sangue alheio
Permite-me algum tempo sem senti-la
Ofusca-me, engana-me, ilude-me.
Suaviza alguns momentos
Para que eu possa fechar os olhos
E quem sabe...
O anjo da morte de mim se apiede
E rapte-me de ti

Dando-me descanso e paz.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Senhora.




Solidão em todas as portas e janelas
Ela se porta e aporta.
Nas meninas dos olhos enegrecidos,  úmidos
Desmedidos.
No céu da boca escancarado
Em que o pedido de socorro gora.
Na língua falante e ferina
Que a vida verga.
Em dentes cerrados, trancados, fechados
Que não concordam, não falam, não oram.
No silencio, na dor, na demora
Ela mora.
Infeliz como uma serpente que não se enrola
Sempre alerta para o bote e  a hora.
Em que enlaça mais um escravo essa vil senhora
E mesmo com milhões no seu exercito sombrio, curvado
Solitária ela chora.