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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Serena dor.



Serena dor.
 E vai embora.
Meu corpo padece a tua presença senhora.
Não vês o meu sofrer?
Estabelece um dia para tua partida
Se não fores a tua que seja a minha.
Abandonemos essa moradia conjunta.
Peço-te encarecidamente madama.
Que não me tolha os movimentos
Que não me seques os músculos
Não apague minha voz
Não deixe meus olhos no escuro.
Se tu és um monstro que corrói
Ou apena minha sina
Não sei.
Contudo rubra dama do sangue alheio
Permite-me algum tempo sem senti-la
Ofusca-me, engana-me, ilude-me.
Suaviza alguns momentos
Para que eu possa fechar os olhos
E quem sabe...
O anjo da morte de mim se apiede
E rapte-me de ti

Dando-me descanso e paz.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pedinte.


Bondoso irmão que cruzas meu caminho
Estende tua mão e teu carinho
Ampara-me em minha dor e solidão.

Esquece o que vê teus olhos humanos
Perscruta-me o pranto
Compreende a minha dor.

Hoje vagabundo sujo e solitário
Já fui rico, poderoso e salafrário.
Enganei, roubei, menti por ambição.

Eis que o destino
Que nada é senão uma colheita
Bateu-me a porta.

Feito amarga surpresa
E trouxe a dor que a outros impingi.
Tendes piedade desse malfadado ser.

Poderia ser tu em outras eras
Estende tua mão estou à espera.
Para levantar-me do charco que criei.

15.07.2014.

Psicografia. Autor extra físico desconhecido.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ode de uma gorda.




Caso tenha perdido algum ou alguns quilos
Não os deixe por aí.
Corro o risco de encontra-los. E aí! Aí de mim!
Tem gente que perde a cintura
Como nunca a tive
Achando uma...
Por favor, me avise.

Já fiz algumas dietas
Algumas torturas infernais
Emagreci um pouquinho
Depois engordei mais e mais.
A dieta da Lua
Deixou-me pálida.
A dieta do abacaxi
Cortou meus lábios e não emagreci.
A dieta da sopa
Tornou-me enjoada e trôpega.
A do tipo sanguíneo
Quase me transforma em vampiro.
A dieta da pirâmide
Não me transformou numa munia. Ah! Isso foi infame.



As ordens são:
Não coma frituras,
Nem carne vermelha,
Nem pão, nem bolo, bolachas.
Jamais manteiga.
Batatas inglesas nem cruas, nem assadas, nem a milanesa.
Chocolate nem morta!
Biscoito recheado isso engorda.
Pizza nem ver,
Bacon o coração pode parar de bater.
Citaria mil males, mil prazeres proibidos.
E mesmo que as taxas não estejam em desequilíbrio,
A ditadura da moda impera.
Determina em todo canto, o encanto da magreza.
Condenando toda a gordura externa,
E a procura da mesma na forma interna.






E entre assaltos a geladeira,
Sustos na balança caseira.
Quando estou só com meus mil botões,
Não existindo ninguém a me dar sermões,
Sobre como é maravilhoso ser magra.
Me pego no espelho mordendo uma coxinha
E digo-me você é feliz gordinha.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Piedade.


Piedade.

Pelas minhas mãos estendidas pedindo.

Pela minha sujeira.

Pelas minhas roupas rasgadas.

Pela voz embargada.

Pelas minhas pernas deformadas.

Pela vermelhidão dos meus olhos.

Pela garrafa de cola na minha cintura.

Pela cambaleante caminhada até ti.

Pela dor que sinto.

Pela minha inconsciência.

Pela náusea que te causo.

Pela verdade de também ser humano.

Pela miséria que te apresento por fora do vidro do teu carro.

Perdoa-me.

Pelo medo que em ti se espalha a minha presença.

Pelo horror que te faça algo mal.

Pelo simples fato de existir como trapo humano.

Pelo meu olhar que te acusa de não seres bom comigo.

Pelo gesto agressivo.

Pelo apelo ao teu coração compassivo.

Pelo arrependimento de não teres ou poderes fazer algo a meu favor.

Perdoa-me.

Perdi a mim mesmo no mundo.

Fugi.

Não há como voltar.

Não nessa vida.

E se minha existência te é uma agressão.

Perdoa-me.

Eu não sei.

Mas, minha alma tem certeza que o Pai perdoa.

E dar-me-á uma nova existência.

Para reergue-me do charco em que estou.

domingo, 23 de setembro de 2007

Mãos.



Tantas mãos a ajudar aos pobres.

Tantas mãos a proporcionar carinho.

Tantas mãos a guiar outros nos caminhos.

Tantas mãos a amparar velhinhos.

Tantas mãos a criar abrigos.

Tantas mãos a impedir castigos.

Tantas mãos a afastar perigos.

Tantas mãos a serem solidárias.

Tantas mãos a alimentar famintos.

Tantas mãos a socorrer mendigos.

Tantas mãos estendidas à caridade.

Tantas mãos honestas e precisas.

Tantas mãos abençoadas e queridas.

Tantas mãos que se unem em oração.

Todas são mãos de empréstimos.

Que Deus toma para realizar suas ações.

Nesse orbe de provas e expiações.

sábado, 22 de setembro de 2007

Como podes ser feliz?


Como podes ser feliz?

Se o alimento posto a tua mesa não chega a todos.
E crianças famintas batem a tua porta.

Se a roupa que te envolve o corpo e se amontoa em gavetas e armários.
Não cobrem a nudez dos que estão expostos à vida nas ruas.

Se os teus estudos e conhecimentos
Não esclarecem dúvidas que afligem os que penam pela vida e se revoltam.

Se o amor que dedicas ao teu círculo familiar
Não se estende a tua família do mundo.

Se os cuidados que tens com teus idosos
Não atingem os que foram abandonados nos asilos.

Se os sorrisos que dás aos amigos
Não se apresentam frente aos desafetos.

Se os conselhos que teimas em dar aos teus filhos
Calam-se frente a filhos alheios.

Se o trabalho ofertado ao cônjuge com alegria
Transforma-se em ócio fora do ciclo da família.

Se todas as bênçãos que recebes
Não sabes dividir, espalhar.

A consciência chega aos pouco e tende a incomodar.
Impelindo-te ao trabalho, a doação, a caridade.

A outros irmãos deves beneficiar.
Com todos os dons que tens muitos irás felicitar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Por que não é feliz?


Por que não é feliz aquele que tudo isso tem:

Possuidor de bens.

Detentor de beleza.

Saudável corpo.

Inteligência perspicaz.

Simpatia a se mostrar.

Halo de bondade.

Mãos de caridade.

Tempo disponível.

Auxilio indiscutível.

Amor sem limites.

Por que não é feliz quem tudo isso tem?


Por ver ainda tanta miséria.

Tanta feiúra d’alma.

Tantos afligidos por males.

Tantos dementados.

Tantos orgulhosos.

Tantos na maldade.

Tantos sem caridade.

Tantos sem amor e sem doar.


E reconhecendo seus dotes.

Sabedores que tem muito a dar.

Ficam nessa Terra.

Em missão de puro amor.

Pois, mesmo tudo tendo.

Não ascendem a mundos outros.

Enquanto tiver um irmão.

Em dor, em pranto, em provação.

Ele espera amorosamente.

A todos a elevação.