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domingo, 25 de outubro de 2015

Estou aqui!



Estou aqui nada temas!
Te aguardo deste lado da porta da vida.
Guiei tua alma durante tua existência
Não te abandonaria nestes últimos momentos.
Pode teu corpo estar em sofrimento,
Teus familiares curtindo dores em prantos,
Os amigos já saudades sentindo...
Enquanto esmaece em ti o sopro de vida.
Estou aqui nada temas
Te aguardo deste lado da porta da vida.
Nunca te abandonei um só segundo.
E quando deres o ultimo suspiro
Expulsares o último folego
Tomarei tua alma cansada em meus braços
Beijarei tua testa com cuidado para não te acordar do sono da morte
E ficarei ao teu lado até despertares

Para a nova vida que te aguarda.

domingo, 16 de agosto de 2015

A Senhora.


File:Louise De Hem - 1888 - An old woman.jpg

Lousise De Hem. 
A senhora.
Um pouco escuro. Como os seus olhos e seu olhar.
Alguma coisa distingue mesmo sem precisar contemplar.
Os vasos antigos, a chaleira amassada todos sempre no mesmo lugar.
Assim não os perde de vista...  Se assim posso expressar.
Cada passo é um arrasto do chinelo velho, marcado, macio de uso.
No chão riscado pelo tempo e pelas suas ações.
São passos lentos, calculados para não ir ao chão.
As janelas e portas fechadas medo do ladrão.
A televisão apagada não chama mais a atenção
As novelas, para ela, depravadas os jornais sangue aos borbotões.
Que não interessam que não ensinam, só aumenta o medo da solidão.
Segue a vida entre o quarto, a cozinha, o banheiro e a sala.
Um universo repleto de baças lembranças e pó.
São os biscuit e pratos na cristaleira,
Não sabe por onde andam mais os copos, a poncheira e todos os cristais.
Quem os levou? Que fim tiveram? Não importa...
O tapete roído pelo tempo sob a mesa pesada
De madeira e mármore que há séculos não tem suas cadeiras puxadas, remexidas, usadas.
Muitas fotos nas paredes amareladas, tanto as fotos como a tinta desgastada.
Há pessoas que reconhece. Outras se perderam na lembrança em sua memoria que tanto falha.
Belo menino esse a sorrir para ela. Mas, quem será?
Continua a jornada em busca de um chá.
Porque hoje estar tanto a pensar.
Será que vem alguém a visitar?
Precisa se arrumar.
Mas, quem viria?
Filhos, netos, amigos?
Não se lembra de nenhum.
Vamos ao chá. A chaleira do fogo precisa retirar.
Que cansaço em seus pequenos passos
Precisa se sentar, descansar, dormir um pouco.
Um pouco...
O cheiro do gás a se espalhar
Escapando pelas frestas das portas e janelas
Os vizinhos a gritarem abra a porta!
O filho avisado, apressado, angustiado com a próxima reunião empresarial.
Esbraveja: Mãe, mãe abre a porta. Estou atrasado mãe!
Silencio.
A velha senhora repousa dentro da sua camisola,
Sem saber a hora, sem sofrer,
Somente o sono eterno
O eterno desfalecer.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sentes?

Florence Nightingale as the Lady with the Lamp

Sentes a minha pele?

Minhas mãos nas tuas?

Meu beijo em teu rosto?

Podes ainda vê meu sorriso?

Mesmo que triste e dementado?

A lágrima, a última de olhos pela dor rasgados?

O tremor do corpo assustado?

A sensação de perda irreparável?

Ainda me sentes?

Sabes do meu amor por ti?

Que tudo faria para te ter de novo?

Qualquer pacto com deus e com o demo?

Tantas perguntas e só silêncio

Neste final instante de agonia

Em que teu corpo esfria


E tua alma escapa para a eternidade.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Continua...



Para que tanto desespero?
Continua...

Entre outras árvores e arvoredos
Em relvas mais verdes
Em meio ao burburinho de milhões
Que as cenas novas constituem então.

Continua...
Em trilhas esquecidas
Mas tantas vezes pisadas
Nas linhas mal traçadas
nas idas e vindas
De vidas mil.

Continua...
Andarilha alma continua.
Mesmo antes teu desespero
Tua dor profunda.
O que consideras morto
Em outras paisagens
A sua vida continua.

Eternamente
Continua...
Continua...
Continua...




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Continua


A vida continua
A cada passo dado
Em movimentos
Nas calçadas, nas ruas.
Nos cômodos das casas em silencio.
Continua fria,
Sem abraços,
Beijos,
Caricias.
Sem risos frouxos,
Sem brigas, sem rixas,
Sem perdão instantâneo.
Continua diferente
Meio oca e vazia.
Quando se olha o quarto
A cama,
A estante de livros já não mais lidos,
As roupas não mais sujas,
Tudo arrumado, limpo, esterilizado.
A vida continua
Enquanto você chora desse lado
Pelo desaparecimento do ser amado
Ele assiste tua dor

Do outro lado também desesperado.

quinta-feira, 11 de julho de 2013



Eis que sou eu e tu
Eu anciã
Repleta das desilusões do mundo,
Sem mais sonhos ou quimeras,
Sem consolo,
Só espera
De um fim de corpo agradável
Sem dor sem refrega.
Tu toda sonho e utopias.
Felicidade qual canto de cotovia
Anunciado sempre belos dias.
Fui tu no passado
Serás igual a mim no futuro.
Quando então a velhice bater a tua porta
Lembre-se de mim
Tua vó senil e inadequada
Que te amou como nunca amou a nada.
Tendes a certeza criança adorada,
Que me encontrarás do outro lado,
Em outra estrada,
Esperando-te neta abençoada.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Anjo do Retorno




Fica em meus braços, não chores.
Carrego-te por amor,
Não permitiu o Pai mais teu sofrimento.
Ele sofre contigo.
Segura minha mão com presteza
Sente minha alma de anjo
De amor e beleza.
Não te entristeças
O que aqui deixas
Amanhã encontrarás.
Cessa de escutar os gritos e lamentos
Daqueles que te acham teus donos
Fosses só um empréstimo
Estas voltando para teu verdadeiro lar.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Parei


Rápido, rápido, rápido.
Corre, corre, corre.
Anda, anda, anda.
Vai, vai, vai.
Depressa, depressa, depressa.
Estou atrasada, muito atrasada.
Compromissos, compromissos, compromissos.
Idas e vindas, idas e vindas.
Já, já, já.
Logo, logo, logo.
Prontamente.
Imediatamente.
Urgentemente.
Tudo agora, agora foi tudo.
Fiquei só.
No silêncio do ultimo suspiro.
Não há mais emergências,
Não há urgências,
Somente o silêncio,
A calma tranquila,
Dos amigos que vieram me esperar.
Fim da vida humana.
Reinicio da vida d’alma. 
Felicidade!
Depois do desespero.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Morreu?


Passa o préstito fúnebre

Pelas ruas ainda quase escuras

De cor azul celeste

A cama que acolhe

Anuncia a morte de um anjo

Coberto de lágrimas

Acompanhados por adultos em choque

Pela revolta de quem na terra vive

Pela loucura da mãe

Pela dor do pai.

E atrás desse lúgubre cortejo

Dezenas de crianças

Lindas e perfeitas.

Outros anjos.

Fazem algazarra de felicidade.

Pelo retorno da irmã querida.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Dobrar dos sinos.


Shoreline - Anne Magill
Ouço os sinos que dobram.
Para quem dobram os sinos?
Quem partiu?
Quem deixou seus mais preciosos tesouros?
Teria ele ou ela cá nesta vida tesouros preciosos?
Para quem dobram os sinos?
Que ouço.
Rasgando o ar com seus choros.
Informando a partida que se deu.
Quem chora ao dobrar dos sinos?
O cônjuge aliviado pela partida demorada em dor?
Os filhos que proclamam seu amor?
Os amigos de infância que nunca se separaram?
O pai, a mãe?
Enlutam-se.
Para quem os sinos dobram?
E cantam lamentos de despedidas.
E entoam canção de adeus.
Continuam a dobrar os sinos.
Como continua a vida após o seu silenciar.
Tanto para os que aqui ficaram.
Como para quem partiu desse lugar.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Se eu soubesse...

Se eu soubesse...
Como a vida era curta...
Teria aproveitado melhor meu tempo.
Teria viajado... Mais.
Teria experimentado... Mais.
Teria compreendido... Mais.
Teria estudado... Mais.
Teria me divertido... Mais.
Teria saboreado...Mais.
Teria dançado... Mais.
Teria conversado...Mais.
Teria sorrido...Mais.
Teria brincado...Mais.
Teria ajudado...Mais.
Teria sonhado...Mais.
Teria amado...Mais.
Se eu soubesse...
Como a vida era curta...
Teria aproveitado melhor meu tempo.
Teria sido mais.... Amável.
Teria sido mais...  Compreensível.
Teria sido mais.... Consciencioso.
Teria sido mais.... Prestativo.
Teria sido mais...Brando.
Teria sido mais.... Afável.
Teria sido mais.... Honesto.
Teria sido mais.... Caridoso.
Teria sido mais.... Complacente.
Teria sido mais.... Decente.
Teria sido mais... Verdadeiro.
Teria sido mais.... Simpático.
Teria sido mais... Amoroso.
Se eu soubesse
Como a vida era curta...
Teria aproveitado melhor meu tempo.
Desenvolvido os tesouros que carregaria comigo eternamente.
Para não chegar ao mundo espiritual como mendigo.