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domingo, 14 de maio de 2023

Minha giganta

 


Ela era enorme uma giganta!

Que balançava o meio do corpo

Numa cadência incompreensivelmente perfeita.

Sobre a cabeça tufos negros, à guisa de cabelos, soltos e finos, lisos e brilhantes.

Os pés marcavam os chãos, o capim, o areal.

Nas mãos cabia o mundo.

Criava e aniquilava, nutria e protegia, batia ou acariciava.

A boca tinha os dentes tão belos, a língua sábia dos mestres da vida.

Quando sorria iluminava meu universo.

Quando calava taciturna enchia-me os olhos d’agua.

A seguia aonde ia, era meu prazer observá-la,

Dizer tudo o que fazia ou quase tudo para não incomodá-la.

Era meu titã, minha deusa!

Meu amparo, minha luz, meu sustentáculo!

Minha mãe.          

Ontem tudo...

Hoje só lembranças...

Só saudade...

domingo, 16 de agosto de 2015

A Senhora.


File:Louise De Hem - 1888 - An old woman.jpg

Lousise De Hem. 
A senhora.
Um pouco escuro. Como os seus olhos e seu olhar.
Alguma coisa distingue mesmo sem precisar contemplar.
Os vasos antigos, a chaleira amassada todos sempre no mesmo lugar.
Assim não os perde de vista...  Se assim posso expressar.
Cada passo é um arrasto do chinelo velho, marcado, macio de uso.
No chão riscado pelo tempo e pelas suas ações.
São passos lentos, calculados para não ir ao chão.
As janelas e portas fechadas medo do ladrão.
A televisão apagada não chama mais a atenção
As novelas, para ela, depravadas os jornais sangue aos borbotões.
Que não interessam que não ensinam, só aumenta o medo da solidão.
Segue a vida entre o quarto, a cozinha, o banheiro e a sala.
Um universo repleto de baças lembranças e pó.
São os biscuit e pratos na cristaleira,
Não sabe por onde andam mais os copos, a poncheira e todos os cristais.
Quem os levou? Que fim tiveram? Não importa...
O tapete roído pelo tempo sob a mesa pesada
De madeira e mármore que há séculos não tem suas cadeiras puxadas, remexidas, usadas.
Muitas fotos nas paredes amareladas, tanto as fotos como a tinta desgastada.
Há pessoas que reconhece. Outras se perderam na lembrança em sua memoria que tanto falha.
Belo menino esse a sorrir para ela. Mas, quem será?
Continua a jornada em busca de um chá.
Porque hoje estar tanto a pensar.
Será que vem alguém a visitar?
Precisa se arrumar.
Mas, quem viria?
Filhos, netos, amigos?
Não se lembra de nenhum.
Vamos ao chá. A chaleira do fogo precisa retirar.
Que cansaço em seus pequenos passos
Precisa se sentar, descansar, dormir um pouco.
Um pouco...
O cheiro do gás a se espalhar
Escapando pelas frestas das portas e janelas
Os vizinhos a gritarem abra a porta!
O filho avisado, apressado, angustiado com a próxima reunião empresarial.
Esbraveja: Mãe, mãe abre a porta. Estou atrasado mãe!
Silencio.
A velha senhora repousa dentro da sua camisola,
Sem saber a hora, sem sofrer,
Somente o sono eterno
O eterno desfalecer.

quarta-feira, 29 de julho de 2015


Meus primeiros alentos em teus braços

Tuas lágrimas unidas as minhas

Teu choro felicidade

Meu choro, talvez do céu, saudade.

Nada sabia fazer

Tu tudo me ensinava

Andar, beber, comer, falar, responder.

Amava teus braços brancos macios

Teus cabelos negros

Teus olhos mel açúcar

Na minha infância rainha eras do meu castelo

Nada temia contigo

Nada era difícil para minhas mãos pequeninas.

Cresci.

E comigo o orgulho abobalhado da puberdade.

Amadureci e a vida me afastou um pouco de ti.

Envelheci e a ti me uni mais fortemente

E novamente

És a rainha que amo, a mulher modelo,

Adoro me enroscar em teus braços flácidos pelo tempo

Em teu colo de senhorinha

Passar os dedos em teus cabelos brancos

Fitar teus olhos de mel que apesar da vida e das dores ainda são de açúcar.

Eis o meu maior presente

Sem ti a maior parte de amor da minha vida seria inexistente.

Obrigada madrecita.

Por ter se feito mãe tão, tão querida.


Feliz aniversário.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Desejo



Que seja tu alma querida, mãe amada.
A minha primeira vista,
Onde depositarei primeiro o meu olhar.
Ao ter sido descerrado na carne,
Entre lágrimas dos que ficaram presos.
Abram-se, meus olhos, sob fachos de luzes cristalinas.
Os olhos da que já se foi dessa Terra bendita.
E entre sorrisos e ósculos,
Num amplexo profundo,
Encontrar-se-ão duas almas no outro mundo
Nessa nova vida d’então.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Apego.



Minha mãe

Move-te o amor

Modela-te a face o tempo

Incomoda-me tua dor

Machuca-me tuas feridas

Maldigo o ponteiros do relógio que correm

Melancólico contar das horas

Mendigo aos céus mais tempo

Mereço? Não sei...

Mas, gostaria de te ter aqui enquanto possas.

Melhor dizer, um pouco mais.

Meu Deus sempre mais.

Mas, que não estejas a sofrer.

Momentos de sofrimento não te desejo

Mediante tal te libertaria do meu apego

 E te deixaria voar.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Amada.



Amada.
Mulher amada
Pudesse eu...
Procuraria...
Em todo lugar um a estrada,
Na escuridão a luz buscada,
No frio a manta que agasalha,
Na fome o alimento que sacia,
No céu a Lua que te encanta.
Seria tua serva bem contente,
Tua guardiã contra qualquer má gente,
A que abre janelas, portas e porteiras,
Para que nenhuma passagem a ti se fechasse,
E caminharias sem atribulações,
Pois a tua frente estaria em busca de pedras de tropeços,
Retirando dos teus próximos passos qualquer objeto de obstáculo.
E quando chegasse a noite invernal,
Que esfriaria teu corpo carnal,
Estaria contigo em meus braços,
Este que me agasalhou a infância,
Sustentou-me na juventude,
Guiou-me na maturidade,
Seriam então teus travesseiros de penas,
Onde descansarias alva cabeça cansada,
E suspirando a última exalação
Ouviria então:
Amo-te mãe do meu coração.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Amo-te.


Amo.

Sua pele enrugada pelo tempo.

Suas mãos deformadas pela artrite.

Seus dedos tortos.

Suas veias azuis sobre uma pele sem viço.

Seus fios de neve na cabeça.

Seus lábios finos.

Seus olhos baços.

Sua voz rouca e baixa.

Seu toque suave.

Sua lentidão em tudo.

Seus pensamentos antigos.

Suas histórias do passado.

Seu riso triste.

Cada lágrima que enxuguei tua.

Teus abraços.

Teu amor.

O tempo que me concedestes.

Que ficastes comigo.

Que me olhaste aos olhos.

Que sofresses por mim.

Amo-te mãe.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cria.


Cria.

Somos jovens

E nossos corpos são hormônios.

Nosso pensamento

Amor carnal.

Nos teus olhos

O céu.

Na tua boca

As delicias.

No teu corpo

O paraíso.

Que há de mal nisso?

Assim, fomos criados.

Para co-criar.

Enquanto teu ventre incha.

Meu orgulho aumenta.

Fiz um filho.

Meu filho.

Meu sangue.

Minha continuação.

Eu em outro.

Que venha para meus braços.

Que seja meu amigo.

Que seja ele diferente ou parecido.

Será sempre meu filho.

Minha cria.

Através do amor.

domingo, 13 de maio de 2012

Agradeço a ti Mãe.


Agradecimentos.

Agradeço a ti pelo corpo de carne

Que sustenta minha alma

Porta do meu espírito.

Agradeço a ti pelo carinho

Em forma de alimento,

De cuidados,

De alento.

Agradeço a ti pelos ensinamentos

Vendo teus exemplos,

Tua luta,

Tua força.

Agradeço a ti mãe amada

Por tudo que sou agora,

Pelas minhas vitórias

Que sem ti não teriam ocorrido.

Agradeço a ti pelos anos vividos

Pela sabedoria acumulada por ter te ouvido

Por estar envelhecendo contigo.


Amo-te Dona Elza.

Quero ser essa mãe.




Quero ser essa mãe que não falha

Que nunca tem pressa,

Que nunca esquece,

Que sempre está presente.

Quero ser essa mãe bela,

Arrumada todo o dia,

O dia todo como para ir a uma festa.

Quero ser essa mãe

De bondade infinita,

Paciência sem limites,

Doce mel a escorrer nos lábios.

Quero ser essa mãe

Compreensiva e atuante,

Flexível e dominante,

Que sabe sempre o que fazer.

Quero ser essa mãe

Que o filho ama,

Apesar de estar longe de ser

Essa mãe que quero ser.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

amizade eterna.



Amizade eterna.
Nossa amizade será eterna.
No túnel do tempo
Que leva a rodopiar a humanidade
Nos encontramos tantas vezes.
Minha irmã de aventuras de vidas.
Minha mãe.
Caminhos antigos nos trouxeram até aqui.
Como não reconhecer em seus olhos
Tua alma.
Alma minha.
Que ama o que amo.
Os livros novos ou bolorentos.
As flores no jardim.
Os contos de fadas.
Os espíritos que vagueiam no Universo.
Os que nos aborrecem.
O perdão fácil.
A mágoa guardada.
As tentativas de espalhar amor.
O ficar brava e logo após sorrir.
A facilidade em se desculpar.
Hoje nos separa a distância.
Mas, meu coração é unido ao teu.
Eternamente.
Minha hoje então amiga.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Te escolhi

Escolhi

Desci.

Porque te vi.

Amei-te sem pensar.

Vi tua alma.

Igual a minha.

Não titubeei.

Desci.

Corri atrás de ti.

Sem pensar em nada a não ser em aproximar-me.

Desci.

Pois, vi teus olhos tristes.

Seu não sorriso.

Num rosto plácido.

Porém, triste.

Desci.

Para te fazer sorrir.

Alegrar tua vida.

Preencher teus sonhos.

Fortalecer teu ânimo.

Fazer-te feliz.

Nem que fosse por um tempo.

Enquanto coubesse nos teus braços.

Dormisse no teu colo.

Balbuciasse poucas palavras.

E depois quando crescesse e me fosse.

Um dia voltaria.

Com outro anjo nos braços.

Que chamarias de neto.

Duas vezes duas filho teu.

(visite:
Poemas e Encantos II )

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Mãe idosa.



































Mãe idosa.

O tempo já lhe embranqueceu os cabelos.
A face tem os trilhos do tempo.
Os olhos não possuem mais o brilho juvenil.
As mãos tremulas não podem mais realizar os trabalhos leves do bordado.
Seus passos são lentos, a caminhada difícil.
A memória tantas vezes falha que já não é confiável.
Precisa de ajuda em quase tudo.

É o futuro daqueles que vivem por muitos anos.
Que passam pelo tempo por muito tempo.
Que vêem correr a história.
As mudanças da vida e muitas estações.

Contudo não estás só.
Do seu ventre foram gerados outras vidas.
Filhos do seu coração lhe foram entregues por mãos estranhas.
Os criou com o mesmo amor.
Forneceu-lhes o que podiam e o que realmente necessitavam.
Não negou a nenhum a chance da vida.

Hoje há mãos maduras que amparam as suas.
Que lhes dirigem os passos.
Que lhes socorrem nas fragilidades.
Olhos que a fitam com amor.
Sorrisos para suas histórias contadas cem vezes cem.
Amparo nas suas necessidades.

São os filhos do seu amor.
São os seres que por ela foram criados.
Com dificuldades e paciência.
Eles estão lá juntos talvez nos seus últimos dias.
E estarão na sua despedida.
E não a esquecerão mesmo depois da partida.
Enviando-lhes seu amor por pensamentos e preces.