
E acima de todos os astros comandava os céus e a Terra.
Teus arcanjos estavam ao seu lado tocando a música das esferas.
Cantando hinos ao teu louvor.
Ao dormir orava ao meu anjo.
Pedindo pelos meus pais, irmãs e avó.
No final arrematava uma bênção ao papai do céu.
Cresci.
Na adolescência havia tantas coisas.
Tanto a fazer, tanto a conhecer, tanto a aprender.
Que esqueci um pouco de Ti.
As minhas orações já não eram diárias.
Amadureci.
E veio a universidade, os estudos, o diploma.
As pequenas farras de estudante.
Os problemas políticos e sociais dos pais.
Tanta ocupação...
Marx não me parecia um crente.
Chegou o casamento, o filho, o emprego.
A corrida para manter, sustentar a casa.
Os pais doentes e envelhecidos.
Médicos, exames, consultas, internamentos.
Tanta coisa.
Não dava tempo para Ti.
Envelheço.
E Tu me pareces ainda está a comandar o Universo.
Ainda há coisas a fazer, a conhecer, a aprender.
Ainda há o que estudar.
Existe a diversão e a brincadeira.
Os políticos e os problemas sociais parecem me atingir mais profundamente.
Comigo estão o cônjuge, o filho, a mãe idosa.
Marx já não chama tanta atenção.
Só que hoje...
Eu tenho tempo para Ti.
E te procuro em tudo que faço.
E tento te agradar em tudo que construo.
E busco sua presença em todos os lugares.
Contudo; todos esses anos longe de Ti, esquecendo de Ti, fugindo de Ti,
Fazem-me padecer de uma aparente falta de Ti.
E por isso mesmo com tantas coisas a realizar...
Sinto tua falta.
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