quinta-feira, 11 de julho de 2013



Eis que sou eu e tu
Eu anciã
Repleta das desilusões do mundo,
Sem mais sonhos ou quimeras,
Sem consolo,
Só espera
De um fim de corpo agradável
Sem dor sem refrega.
Tu toda sonho e utopias.
Felicidade qual canto de cotovia
Anunciado sempre belos dias.
Fui tu no passado
Serás igual a mim no futuro.
Quando então a velhice bater a tua porta
Lembre-se de mim
Tua vó senil e inadequada
Que te amou como nunca amou a nada.
Tendes a certeza criança adorada,
Que me encontrarás do outro lado,
Em outra estrada,
Esperando-te neta abençoada.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O que vejo.


Sento hoje a janela
Para vê a vida.
Já que a ela não mais pertenço.
Não vejo contudo o presente.
Em meus olhos embaçados pelo tempo
Sinto-me dessa época ausente.
Não percebo o que ocorre no agora
Sinto somente o outrora
O passado que  desfila sob meus lumes.
Como criança que assiste à mesma fita
Cem milhão de vezes.
Meu pensamento, também, repete igualmente.
As mesmas coisas, tolas e emboloradas.
Do que já se foi.
Entre instantes de consciência atual
Horas a fios de desterro da vida.
Não vejo dessa janela a correria, os carros, a avenidas largas, calçadas de cimento.
Vejo namorados passeando, cães correndo livres, árvores frondosas, crianças e pipas.
Coisas que já não existem cá.

Somente sobrevivem em meus pensamentos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Anjo do Retorno




Fica em meus braços, não chores.
Carrego-te por amor,
Não permitiu o Pai mais teu sofrimento.
Ele sofre contigo.
Segura minha mão com presteza
Sente minha alma de anjo
De amor e beleza.
Não te entristeças
O que aqui deixas
Amanhã encontrarás.
Cessa de escutar os gritos e lamentos
Daqueles que te acham teus donos
Fosses só um empréstimo
Estas voltando para teu verdadeiro lar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Não mais.


Mudamos
Não somos mais jovens
Não temos a chama da juventude
A fé, a crença do tudo pode ser.
A alegria juvenil, o prazer descarado.
Nossos corpos já não são os mesmo
Rugas expressam o que sentimos por todos os dias passados.
Pálpebras caídas denunciam os anos transcorridos.
Pele flácida pela desatenção ao corpo
Atenção redobrada para matar a fome;
De ter que sobreviver.
Cansaço de ser o que somos.
Desejo de mudar tanto e tantas coisas.
Medo, medo, medo de não dá certo.
E ser mais infelizes que somos.
Continuamos...
Entre tantas agruras e pouco prazer
Levantando olhos para um ser divino
Que dizem existir
E pedindo sedentos...

Felicidade!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Desejo



Que seja tu alma querida, mãe amada.
A minha primeira vista,
Onde depositarei primeiro o meu olhar.
Ao ter sido descerrado na carne,
Entre lágrimas dos que ficaram presos.
Abram-se, meus olhos, sob fachos de luzes cristalinas.
Os olhos da que já se foi dessa Terra bendita.
E entre sorrisos e ósculos,
Num amplexo profundo,
Encontrar-se-ão duas almas no outro mundo
Nessa nova vida d’então.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Diferente



Não sou um mostro, apenas um pouco diferente
Caso me falta o que chamas de beleza.
Olha bem para mim encontraras com certeza
Algo que te agrade.
Não nasci nesse padrão que dizem ser o belo
Mas, tenho uma beleza própria.
Nos meus murmúrios e grunhidos.
Nos braços e mãos retorcidos
Nas pernas que podem me faltar.
Num cérebro minúsculo ou rudimentar.
No meu sorriso, esgar.
Juro há algo em mim que a de te encantar.
Quando me olhares profundamente
Verás que por trás desses olhos nasci-mortos
Encontrar-se uma alma também iluminada
Pela chama divina do Pai abençoada.
ai encontrarás  toda a beleza do Universo
Convidando-te a amar esse que retorna
Sem restrições, reservas ou ressalvas.
essa alma não tão nova.

domingo, 16 de junho de 2013

história


Quero uma história de amor
Que seja só felicidade
Toda perneada de bondade
Plena de amorosidade.
Uma história feliz
Que fale de luz
De um céu repleto de anjos
Morada de santos e arcanjos
Quero uma história de amor
De amor pleno, total.
De entrega sem igual
Sem nada pedir
Nada desejar
A não ser se doar.
Sei que já houve essa história
A mais de dois mil anos atrás
Foi a mais bela de todas as histórias
Só me entristeceu o final.
Que acabou contigo mutilado
Numa cruz dependurando
Manso cordeiro do Senhor

sábado, 15 de junho de 2013

Sejamos um.

Sejamos um.

Por entre eras de romaria

Vestida de João ou Maria

Busquei-te minha alma irmã.

Olvidado do meu próprio eu

Amarguei solidão que desespera,

O frio da vida que impera,

Naqueles que se acham sós.

Naveguei mares.

Desbravei continentes.

Participei de lutas.

Estive de diversos lados.

Aprendendo tantas facetas.

Mas, não te encontrei alma irmã.

Séculos e séculos se passaram.

Em uma dessas mil romarias podias ter te encontrado

Não te encontrei alma irmã.

Quando hoje revolvo meus olhos ao passado

Consciente da minha própria alma

Vejo que cada irmão que esteve, em qualquer momento, ao meu lado

Nas vidas por onde tenho estagiado

Todos, todos sem exceção.


Era enfim, almas minhas, almas irmãs.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Por que sofres.




Por que sofres com tuas escolhas?
Não pensastes antes de fazê-las?
Não medisses as consequências?
Não estimastes aonde iam te levar?
Não inquiristes a tua razão do porque as escolher?
Não aquilatastes os prejuízos e ganhos?
Não avaliaste as consequências?

Não te culpes.

Aquela que fez as escolhas não tinha experiência,
Era outra, era outro tempo.
Tu ignorância era maior.
Tua alma juvenil acreditava
Acreditava...
No outro
No refazer,
No reiniciar,
No perdão incondicional,
Na renovação do ser.

Não desista, no entanto,

O sonho deve continuar
Assim, como o show do artista.
Pisar em nuvens deve ser o ideal.
Perdoar deve ser a conquista.
Amar deve ser a meta.

Por isso, amada não chores.

Continua tua caminhada.
Mesmo que entre espinhos,
E dores profundas,
Caídas e derrapadas,
Tristezas e amarguras,
Desapontamentos.

Terá, contudo, no fundo d’alma o contento.

De ter mantida viva tua jovem alma
Que cria em tantas coisas boas
Acreditava...
No outro
No refazer,
No reiniciar,
No perdão incondicional,
Na renovação do ser.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Teia de aranha.


Bela malha a da aranha 

Que a tece sem preocupação
Não determina o que nela caia.
Somente espera a próxima refeição.

Teia, tece, fia sua rede com perfeição.

Pronta a rede espera a aranha como em meditação.

Encante-se com a teia quem o quiser
Quem se engana com o que brilha
Quem não age com prudência
Quem caminha como o louco, sem concentração.

Pode vir o que vier
A aranha só espera e tece.

Não há vitimas só almoço, jantar, café.
Como os homens que se devoram
Assim, a aranha o é.