
Amei a vida.
Como poucos a amaram.
Apesar da pobreza.
Apesar da violência.
Apesar da solidão.
Apesar da falta de carinho.
Apesar da falta de amigos.
Amei a vida.
Como poucos a amaram.
Correndo pelas campinas.
Pelos areais.
Pescando Betas nos canais.
Equilibrando-me na linha do trem.
Caçando gafanhotos.
Guardando besouros em caixa de fósforos.
Observando as formigas bravas em seu trabalho.
Amei a vida.
Como poucos a amaram.
Observado o vai e vem das palhas dos coqueiros.
A dança do capim alto e verde.
Os cortes na pele que eles me davam.
Pegando flores roxas e simples.
Para depois jogá-las fora.
Brincando na areia.
Ou simplesmente deitada vendo as nuvens no céu.
Amei a vida.
Como poucos a amaram.
Como ela era.
Simples.
Verdadeira.
Sem objetivos.
Há não ser viver o hoje.
Ser feliz hoje.
Brincar hoje.
Amei a vida.
Como poucos a amaram.
Enquanto fui criança.
Enquanto meu coração não se importava.
Enquanto não valia o que tinha.
Mas, o que eu era.
Uma criança.
Correndo travessa pelas ruas da vila.
Seguida pelo seu anjo da guarda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário