
Cheirava a terra e capim.
A cana verde balançando o vendo.
O açude cheio de água escura.
Os pequenos caminhos nos levavam a todos os lugares.
A casa grande ficava no alto em cima de um monte.
Os bois pastavam tranqüilamente no capinzal.
As vacas ordenadas cedo pelos moradores.
As crianças nuas mostravam o corpo sem pudores.
E nós corríamos livres pelos matos.
Subíamos nas mangueiras, goiabeiras e jabuticabeiras.
Não existiam brinquedos e nem computadores.
Mas, existia a liberdade.
Controlada só em casa.
Onde não se fazia barulho.
Não se comia antes do meu pai.
Lavavam-se as mãos antes de qualquer refeição.
E tinha-se que dá bom dia a todos que chegassem.
Mas, lá fora era o paraíso.
Saiamos de manhã e só chegamos no Sol do meio-dia.
Retornávamos as brincadeiras até o Sol se esconder.
Não existiam mais escravos tinham sido libertos.
No engenho só tinha ficado mestre Salu.
Que nos contava como era a vida naquele tempo.
As lágrimas vinham aos seus olhos.
E aos meus também.
Não acreditava em tanta malvadeza.
Hoje longe daquelas datas.
Em frente à televisão.
Vejo coisas piores.
Vejo a morte ser tratada como algo banal.
E me dói o coração as lágrimas de mães e pais que perdem seus filhos.
O ódio existente entre pessoas, raças, religiões e nações.
Os corpos espalhados pelas ruas como se estivéssemos em guerra.
Já não quero ir lá fora.
Já não há liberdade na rua.
Só medo.
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