sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Criança.


Criança.

Sou criança.

Mesmo com cabelo brancos.

Dentes amarelos.

Rugas na face.

Pele seca.

Sou criança.

Cresci só por fora.

Envelheci só por fora.

Tornei-me grande só por fora.

Dentro de mim sou criança.

Não compreendo tuas palavras.

Para mim tão difícil.

Teus comportamentos fingidos.

Tuas mentiras necessárias.

Teus apertos.

Teus mistérios.

Tuas dores.

Cresci por fora.

Mas, dentro sou criança.

E alguns não compreendem o fato.

E me molestam.

Detestam-me.

Escarnecem de mim.

Têm medo de algum dia ser também assim.

Choro.

Mas, passa. Sou criança.

Criança é assim...

Não guarda mágoas, rancor, ódio.

Contenta-se com um novo brinquedo.

Um pedaço de torta.

Uma história de anjo para dormir.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Morrerei.

Morrerei.

Morrerei um dia.

Claro todos morrem.

Que se faça uma festa.

Com muitas flores e música.

Estarei feliz se assim for.

Não, não quero choro e tristeza.

Perdôo um pouco de saudade.

Mas, nada mais que isso.

Lembre-se estarei me libertando.

Das algemas pesadas da carne.

Dos problemas tediosos do mundo.

Das dores, dos medos, do desalento.

Deixe-me dormir o sono dos justos.

Enquanto meus irmãos me libertam por completo.

Sempre que puder virei visitá-los.

É só uma viagem.

Estarei esperando cada um de vocês do lado de lá.

Ficarei com saudades.

Posso até chorar um pouco.

Mas, estamos todos entregues a Divina Providência.

Que nos aponta caminhos.

Vou morrer um dia.

Todos vão.

Não chorem por mim.

Tentei fazer por onde brilhar a minha luz.

Quem sabe não consegui?

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Graúna.

Graúna.

Onde estão as tuas asas?

Por que as fechastes?

Quando ela o levava a tantos céus.

Que temores invadiram teu peito?

Que medos cessaram teus sonhos?

Quem te prendeu se não tu mesmo.

Minha graúna levanta os olhos.

Infinitos te esperam.

Conheces o que tens agora.

Abre tuas asas para a Luz do mundo.

Emerge na Luz e faz brilhar tua escuridão.

Voa livre de toda dor que tolhe,

De toda culpa que poda,

De toda tristeza que mata.

Ama a quem te ama.

A quem não te ama também.

Aceita o que é como é...

Não te debatas na lama dos pântanos.

Voa entre brancas nuvens.

Em sonhos esvoaçantes.

Eles sempre serão seus.

E ao te cansares escolhe um ninho.

São tantos os que lhes são oferecidos.

O calor do colo dos amigos.

Que zelam por ti em silêncio.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Compaixão.

Compaixão.

As feridas dos corpos.

Ao pus amarelo, grosso, fétido.

Ao sangue pisando.

Ao edema arroxeado.

Aos ouvidos surdos.

Pelo barulho das bombas.

O zumbido do silêncio morto.

Das moscas sobre os corpos.

O não querer ouvir o choro.

Das mães sem filhos.

Dos filhos sem mãe.

Dos pais, maridos, amantes loucos.

Dos velhos abandonados e secos.

Entre os escombros de seus lares.

Apoiados em árvores mortas.

Como seus próprios olhos.

Enquanto minas amputam pernas de crianças.

Aleijam adultos delas esquecidas.

E mulheres não desejam doar vida.

A arte humana.

Levada a quase perfeição da morte.

Em fogo, pólvora, blindados, aves assassinas,

Bombas nucleares, construções intactas e gente sem vida,

Bactérias vivas homens que se vão.

Destruição silenciosa, da humanidade, da civilização.

Compaixão.

Fim da desolação.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A porta.

A porta.

A vida e a porta fechada.

Entre a porta aberta ou fechada.

Um mundo de decisões

Um ir

Um não ir.

Toda uma história de vida

Podendo ser finda.

Nova vida a iniciar.

De cinzas entulhadas.

Entre um sim ou não.

Um aceito ou descarto.

A coragem de ir.

A covardia de ficar por aqui.

Esperando nada.

Nada que já não conheça,

Nada que já não tenha vivido.

Lá fora o desconhecido, o medo, o risco.

Cá dentro o ninho, o abrigo.

O abraço amigo.

Entro.

Fecho a porta.

O sorriso.

Do sonho.

Desisto.

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domingo, 16 de novembro de 2008

Cada passo.

Cada passo.

Cada passo sem pensar

É um espinho na carne a entrar.

Um aprendizado doloroso.

Um mestre cuidadoso.

Cada passo sem atenção.

É uma provável queda ao chão.

É o arranhão nos joelhos.

É a perda, do horizonte, a visão.

É só o vê o chão.

Cada passo rápido.

É erro de cálculo.

É soma perdida.

É só subtração.

É a não multiplicação.

Cada passo sem amor.

É um passo perdido.

É aquele que não saí do cantinho.

É nosso medo de ser feliz.

È não ser o sal da Terra.

É não ser a candeia na janela.

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sábado, 15 de novembro de 2008

Águas cruzadas.

Águas cruzadas.

Água de chuva na calçada

Que leva vidas em enxurradas.

Arrastadas a força dementada

da água represada.

Solta como um dragão marinho

em urros de dor agigantado.

Em laços de amor cortados,

em corações despedaçados,

Deixados para trás.

Insistentes nas lembranças,

memórias embotadas,

esfumaçadas,

enodoadas pelos sentimentos.

Vidas misturadas

em ruas, estradas, caminhos.

Encruzilhadas cruzadas.

Águas não cristalinas.

Lágrimas vazadas.

Pelas perdas inesperadas.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Só Tu!


Só Tu!

Toca Amor a minha alma.

Faz-me fazer parte da música universal.

Possa cantar os sons da vida.

Em tons de alegria e felicidade puras.

Entre as quatro paredes de um quarto

Ou no jardim público.

Com uma platéia que me ache um louco.


Que meu canto seja em louvor a Tua glória.

A glória da vida que sorrir.

Para todos que vêm à vida como uma dádiva

E nunca como um fardo.

Anima Senhor minha língua

Para que fale de Tuas benesses.

Do teu amor infindo.

Da Tua bondade e misericórdia.

Pois, só Tu.

Meu Deus

Completas os homens.


Quem Te encontrou, sequer um segundo, já o sabe!
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Despedida ao Nogueira.

Despedida.

Ontem fui despedi-me de um senhor que havia muito trabalhava no centro Kardecista que freqüento.

Do descobrir do mal que assolava silenciosamente seu corpo até o suspiro último, não me pareceu muito tempo.

Sua esposa, pequena senhora ativa e perspicaz, era um ser ferido, talvez fatalmente.

Não parecia dar-se conta que aquele era o último adeus.

Que já não encontraria mais seu companheiro de vida quando retornasse a casa.

Que sua cama estaria agora metade cheia metade vazia.

Assim, como sua vida.

Que foi dividida por mais de cinqüenta anos.

Trêmula, nervosa, ansiosa, cansada apoiava-se nos filhos e amigos.

Lágrimas corriam no seu rosto.

Não houve gritos ou lamurias.

Nem tão pouco desmaio.

Só uma saudade sentida, profunda de um adeus mesmo que temporário.

Mas, que imprime na alma a dor de se ter ido mais um do nosso tempo, um trabalhador incansável, um pai responsável, um bom amigo.

Que sempre no enviava beijos no coração.

29/10/2008.



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sempre peço.

Sempre peço.


Peço-te Pai mãos que curam.

Mas, não sei se as mereço.

Será apenas uma loucura.

Ou para o ego um adereço.

Peço-te Pai que minhas orações cheguem ao endereço.

Mas, não sei se isso mereço.

Não será apenas orgulho e vaidade.

De receber louros que meus não são.

Peço-te o Pai.

Aliviar dores.

Quando não alivio a minha.

Se não consigo me curar.

Como curar quem me chega em agonia?

Peço-te Pai

Cura, paz, amor e harmonia.

Mas, um passo sei que foi dado.

Não o peço só para mim, para minha família.

Peço para toda a criação que é tua.

Desde a rocha que dorme

Ao homem que para a angelitude caminha.

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