
Felicidade
noturna.
Quando a solidão perfura, corta, amputa.
E torna-se bisturi que rasga fino e fundo,
Serra elétrica que separa em pedaços, minhas partes, meu mundo.
Destruindo o que foi o sonho de felicidade.
Quando a solidão é megera, vil, medonha, insaciável,
Provocando dor dilacerante, inacreditável,
Sem deixar marcas aparentes, visíveis, tocáveis,
Agindo silenciosamente, sorrateiramente, em minha alma.
Quando age assim a solidão, busco os sonhos.
E eles a mim manifestam os meus desejos, os meus anelos, a minha
quimera.
A mim trazem os objetos de minha aspiração, o que me
agrada, meus anseios.
Em sonho tenho o que amo.
O desejo realizado, o ser adorado, venerado... Maquiado.
Preenchendo-me os espaços vazios, os nichos ocos os
ninhos vagos.
Nada obstante, a matéria da fantasia é miragem.
Tão falsa como a realidade quotidiana.
Os devaneios se desfazem ao abrir dos olhos.
Como a nevoa que se dispersa a luz solar.
Eis que vem, que volta a solidão funesta.
Solidão instrumento do aprendizado da vida
Aniquiladora da alegria noturna;
A utopia da felicidade plena em vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário