sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Para perdoar.


Para perdoar...
Não precisa esquecer o mal feito.

Para perdoar...
Não é necessário unisse ao seu desafeto.

Para perdoar...
Não precisa ser um santo ou um tolo.

Para perdoar...
Não precisa sentir-se humilhado.

Para perdoar...
Não precisa exaltar suas qualidades meritórias.

Para perdoar...
Não precisa expor a público nem seu perdão nem seu perdoado.

Para perdoar...
Não precisa ser um poço de virtudes.

Para perdoar...
Não há lugar nem hora.

Para perdoar...
Não se deve olhar o tamanho da ofensa.

Para se perdoar...

É preciso saber que também erramos.
Que não somos infalíveis.

Que somos imperfeitos.
Que estamos longe da beatitude.

Que magoamos outros constantemente.
Que não somos donos da verdade.

Que cada ser tem o direito a sua opinião.
Que todos têm direito a liberdade.

Para se perdoar...

Precisa-se...
Um tantinho de compreensão.

Precisa-se...
Um tantinho de compaixão.

Precisa-se...
Um tantinho de empatia.

Precisa-se...
Um tantinho de amor.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como poucos...


Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Apesar da pobreza.

Apesar da violência.

Apesar da solidão.

Apesar da falta de carinho.

Apesar da falta de amigos.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Correndo pelas campinas.

Pelos areais.

Pescando Betas nos canais.

Equilibrando-me na linha do trem.

Caçando gafanhotos.

Guardando besouros em caixa de fósforos.

Observando as formigas bravas em seu trabalho.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Observado o vai e vem das palhas dos coqueiros.

A dança do capim alto e verde.

Os cortes na pele que eles me davam.

Pegando flores roxas e simples.

Para depois jogá-las fora.

Brincando na areia.

Ou simplesmente deitada vendo as nuvens no céu.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Como ela era.

Simples.

Verdadeira.

Sem objetivos.

Há não ser viver o hoje.

Ser feliz hoje.

Brincar hoje.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Enquanto fui criança.

Enquanto meu coração não se importava.

Enquanto não valia o que tinha.

Mas, o que eu era.

Uma criança.

Correndo travessa pelas ruas da vila.

Seguida pelo seu anjo da guarda.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Perda.


Perda.

Quando se perde um grande amor.

Seca-se por dentro.

O amargo da solidão

Espanta toda satisfação.

Já não encontramos alegria.

Já não há mais euforia.

Os dias são escuros,

As noites frias.

Não olhamos as estrelas.

Não percebemos a Lua.

Ficamos a janela esperando, esperando.

Que nosso objeto amado volte.

De onde esteja.

O buscamos nos rostos do povo na rua.

Falamos com pessoas que parecem com ele.

Choramos no coletivo.

Um pedaço nosso se foi.

E parece que essa sensação não terá fim.

Mas, tudo passa.

E na sua sabedoria nos deu Deus

O esquecimento.

A bruma que consome nossas memórias.

Que atenua nossas dores.

E que permite que continuemos vivendo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vale a pena.


Vale a pena.


Que eu seja execrada.
Expulsa.
Alijada dos meus amores.

Que eu sofra a solidão.
Dos que foram abandonados.
E traídos.

Que eu não tenha mais nenhuma riqueza.
Nenhum bem para mim.
Ou para doar.

Que me fique só o silêncio.
De quem não tem com quem falar.
Dividir o pesar.

Que me deportem para uma terra distante.
E nunca mais possa ver o nascer do Sol na minha terra.
E meus pés pisem só em pedras desconhecidas.

Tudo vale a pena.
Para não perder.
Um só instante.

A Luz da Tua Divina Presença.
Ananda (bênção divina).
E de Ti nunca, nunca mais sentir carência.

Num só ato.


Num só ato...
A perdição, a maldição, a danação.
Ou a salvação.

Num só ato...
O erro grosseiro, o constranger parceiros, o vulgar.
Ou o perdão.

Num só ato...
A ira desenfreada, a agressão que maltrata, a dor.
Ou a tolerância empregada.

Num só ato...
A maledicência, a fofoca, a mentira.
Ou o silêncio que santifica.

Num só ato...
A inveja, a maldade, a bestialidade.
Ou a caridade.

Num só ato...
Tantas escolhas.
Que nós fazemos.

Que nos tornam bestas humanas.
Ou nos aproximam dos anjos.
Num só ato.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sonhos...



Há sonhos que devem ser sonhados.

Há sonhos que beneficiam poucos.

Há sonhos que auxiliam a muitos.

Há sonhos que trazem a paz.

Há sonhos que findam disputas.

Há sonhos abençoados.

Há sonhos tresloucados e divertidos.

Há sonhos que põem fim as tristezas.

Há sonhos que criam beleza.

Há sonhos plenos de esperanças.

Há sonhos repletos de realizações.

Há sonhos que devem ser só sonhos.

Há sonhos que precisam ser colocados em prática.

Para que com nosso sonho criemos um mundo melhor.

domingo, 31 de julho de 2011

Tempo


Que a vida passa é verdade.

Como também é verdade que passamos pela vida.

Como um relógio que passa o tempo contando horas.

Horas contamos para passar o tempo.

Preenchemos as nossas horas.

Com trabalho.

Com estudos.

Com conversas.

Com bebidas.

Com drogas.

Com ninharias.

Com porcarias.

E o tempo passa e passamos o tempo com passa-tempos.

E o tempo passa.

E passamos sem marcas.

Sem marcar.

Sem criar algo no tempo.

Que dure, pelo menos, algum tempo.

E quando o tempo, o nosso tempo, termina.

Perguntamos o que fizemos com nosso tempo?

E voltamos para reiniciar o tempo.

E passar o tempo de forma mais proveitosa.

Para nossa alma.

sábado, 30 de julho de 2011

Tola alegria.


Tola alegria.

Que faço se na alegria não encontro inspiração?

Alegria é riso, gargalhada, alheamento em profusão.

Alegria é superficial, leviana, incongruente.

Alegria de criança, de jovem, de velho demente.

Não se pensa na alegria,

Só se sente.

Ela varre as recordações passadas e presentes.

Deixa só o instante alegre na mente.

Tornando-nos tolos alegres, bufões, bobos da corte.

Não há poesia na alegria,

Não há alma,

Não há rima.

Somente um riso aparvalhado

Um ar parvo e bronco.

Contorcendo os lábios em riso frouxo.

Sem nenhum encantamento.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Frescor matinal.


Quem me dera o frescor matinal.
Nas faces ressequidas pelo Sol.
Marcadas pelo tempo.

Quem dera o frescor matinal.
Nas meninas dos olhos.
Sufocada pela poeira da vida.

Quem me dera o frescor matinal.
Nos ossos alquebrados.
Pelas lutas no labor diário.

Quem me dera o fresco matinal.
Na mente e na memória.
Falhas pelo cansaço do pensar nos problemas.

Quem me dera o frescor matinal.
Para sentar-me a areia do mar.
E construir castelos de areias.

Como os construir a vida inteira.
Até que a realidade nua e crua
Como a marola espumante os destruiu.

E não restaram castelos.
Nem sonhos.
Nem frescor da manhã.

Só esperança.
Na morte.
Que faz renasce.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ainda


Ainda.

Ainda não te acho em mim.

Mas, já posso senti a Ti no outro.

Em olhos que me encaram com amor.

Em olhos que me espantam pela dor.

Em olhos que são retratos da fome e miséria.

Em olhos de feras.

Em bocas que bendizem.

Em bocas que maldizem a todos.

Em bocas que não falam por medo.

Em bocas desbocadas e debochadas.

Em mãos prontas para auxilio.

Em mãos postas no ócio.

Em mãos que matam.

Em corpos belos e sensuais.

Em corpos normais.

Em corpos de chagas antinaturais.

Ainda não te acho em mim.

Mas, te busco.

Tu sabes como.

Quando me invades o peito.

E a alma em desvario enlouquece.

E que partir.

Deixar tudo e todos.

Para, se puder, está junto a Ti.