
Eu vivi.
Momentos que não estão mais na lembrança.
Momentos fugidios, rápidos, ligeiros.
Apagados pelo tempo.
Mas, eu vivi.
Os sonhos de criança.
O barquinho de papel na chuva.
Pegar tanajura.
Sim, vivi.
De pés na terra.
Correndo no areal.
Criando sonhos deitada no quintal.
Vivi.
A dor de me tornar mulher.
O incômodo de começar a envelhecer.
Mesmo, na hora, disso não saber.
Como vivi.
A adolescência em sorrisos.
Em bobas loucuras.
Sem compromisso.
Vivi profundamente.
O primeiro amor.
Amor não correspondido.
Amor tão belo perdido.
Vivi.
Prazer e dor.
Ódio e amor.
Sem censura sem pudor.
Vivi meu mundo.
Sabendo que eu era.
Jovem, guerreira, forte e verdadeira.
Vivi e envelheci.
Deixando para trás tanto valores.
Para me tornar adulta.
Vivi as falsas manhas dos homens.
Seus jogos de poder.
Para poder sobreviver.
Vivo hoje.
E tento não mais conter.
O que sobrou da criança e da jovem.
Dentro do meu ser.
Para ser e não só ter.
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