
Irmão.
Posso sorrir te vendo assim?
Em triste lamentação, tu que és meu irmão.
Como abrir largo sorriso se te vejo tão sentido.
A vida não te foi leve.
Tua cabeça breve esbranquiçou.
Tua face se enrugou.
Teu sorriso se apagou.
Teu corpo se curvou com o tempo.
Teus passos são arrastados.
Teus joelhos não dobram.
Teus olhos são apagados.
Onde perdesses o brilho da vida.
O riso, a piada, a brincadeira.
Onde foi tua pressa.
Tua vontade de viver.
Teu corpo já não obedece teu pensar.
E vives lento a se arrastar.
Vejo-te a janela todas as tardes.
A olhar o que já não existe.
Parece perdido num tempo distante.
Que desapareceu em antigos calendários.
Não há mais o que te interesse.
Tua mente já dementou.
E não sei como chegar a ti.
Cuido-te como criança.
E minha esperança.
E que chegada há tua hora.
Determinada por Deus.
Vais sem demora.
Sem sofrer mais que sofreu.
E estarei ao teu lado calado.
Fecharei teus olhos irmão amado.
Findará para ti esse mundo.
E abrirás novas portas.
Quando saíres do sonho.
E entrares na verdadeira vida.
Um comentário:
Belo e terno, teu poema. O irmão mais velho, é a imagem que um dia os espelhos do tempo reflectirão de nós.
Beijos
Runa
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