terça-feira, 13 de novembro de 2012

O maior sentimento


O maior sentimento

O maior sentimento é o amor.

Que se encontra nos pormenores.

Nos grandes sacrifícios.

No cobrir os filhos à noite em suas camas.

Distribuir lençóis aos moradores de ruas à noite.

Doar sangue a quem precisa.

Arriscar a vida pela vida doutrem.

O amor se esconde em um pequeno sorriso.

Que pode se expandir até perder esse sentido

E ser a felicidade de milhões.

O amor é como grama e não capim.

Tem de ser amparado, bem tratado, cultivado.

Ou fenece, entristece, emudece, seca.

O amor é um ser vivo.

Um vírus que se espalha

Aos que estão próximo de quem ama.

O amor é perseguido e maltratado.

Pelos que não o receberam.

E por não o entenderem o acham fraco.

Quando é ele que liga todos os seres.

Reproduz toda a vida.

Faz coesa a dança dos astros.

Mantêm por inteiro o Universo.

É o próprio Deus Uno.

Em Sua maior atribuição.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Teus erros.


Teus erros.

Quem errou?

Eu não fui!

Com certeza dei o melhor de mim.

Olhei todos os seus passos.

Arrumei todas suas gavetas.

Organizei sua carteira.

Cheirei suas roupas.

Segui-te em todos os lugares.

Nunca te permiti ficar só.

Organizava teus livros, teus cadernos, tuas canetas.

Realizava tuas tarefas.

Escondia teus erros.

Desculpava tuas falhas e faltas.

Tolerava tua intolerância.

Seguia tua vida de perto.

Tua luz.

Só via tua luz.

Mas, tua sombra, não.

E ela crescia desmedidamente.

Meu amor tão grande não a percebia.

Hoje quando descubro teus erros pergunto:

Onde errei filho?

sábado, 10 de novembro de 2012

Onde estão as estrelas?


Onde estão as estrelas?

Em uma noite de nuvens olho para o céu e não vejo as estrelas.

Onde elas estão me pergunto.

Lembro das antigas aulas de ciências (bem antigas) quando o professor (que ainda podia ensinar).

Nos dizia que nas cidades onde é grande a iluminação as estrelas são como ofuscadas pelas luzes elétricas.

Só sei que não vi estrelas.

Nenhuma para remédio.

Vi um céu morto, um céu tédio, cinza azulado escuro.

Sem estrelas.

Lembrei do céu da minha infância, na vila em que morava, uns tinha luz elétrica, outros não.

Havia um grande areal onde os meninos jogavam bola, um grande descampado.

E de lá se olhássemos para o céu víamos centenas, milhares de estrelas, as três irmãs, o cruzeiro do sul e outras que não sabia e nem sei os nomes.

Mas, eram estrelas salpicando o céu de pontos de luz branca, piscando sem parar até o dia clarear.

Hoje não vi nenhuma estrela.

Nós homens apagamos o céu, apagamos as estrelas dos nossos olhos.

Como apagamos as estrelas das nossas almas.

Já não brilham as estrelas. Também já não brilham tantas almas.

Escondidas pelo falso brilho da luz do mundo.

Escurecemos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Canção.


Canção.

A canção esquecida no tempo.

A canção que ninava meus filhos.

A canção que calava os pássaros.

Canto.

Com prazer à música que acalma.

Que diminui a dor.

Que fecha ferida.

Que alivia e adormece.

Canto.

O som que encanta e faz sonhar.

Que faz esquecer misérias.

Que traz alegria.

Que mata saudades.

Canto.

Para quem quiser ouvir.

Os presentes divinos.

A beleza de Deus.

A Sabedoria do Pai.

Seu maior presente.

Canto o amor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Piedade.


Piedade.

Pelas minhas mãos estendidas pedindo.

Pela minha sujeira.

Pelas minhas roupas rasgadas.

Pela voz embargada.

Pelas minhas pernas deformadas.

Pela vermelhidão dos meus olhos.

Pela garrafa de cola na minha cintura.

Pela cambaleante caminhada até ti.

Pela dor que sinto.

Pela minha inconsciência.

Pela náusea que te causo.

Pela verdade de também ser humano.

Pela miséria que te apresento por fora do vidro do teu carro.

Perdoa-me.

Pelo medo que em ti se espalha a minha presença.

Pelo horror que te faça algo mal.

Pelo simples fato de existir como trapo humano.

Pelo meu olhar que te acusa de não seres bom comigo.

Pelo gesto agressivo.

Pelo apelo ao teu coração compassivo.

Pelo arrependimento de não teres ou poderes fazer algo a meu favor.

Perdoa-me.

Perdi a mim mesmo no mundo.

Fugi.

Não há como voltar.

Não nessa vida.

E se minha existência te é uma agressão.

Perdoa-me.

Eu não sei.

Mas, minha alma tem certeza que o Pai perdoa.

E dar-me-á uma nova existência.

Para reergue-me do charco em que estou.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tento amar.



Tento amar.

Quem não me ama.

Quem não me conhece.

Quem de mim escarnece.

Quem tem medo do que falo.

Quem tem de mim vergonha.

Quem não entende minha alma.

Quem não suporta minha fala.

Quem me agride.

Quem me escamotea.

Quem me enlameia.

Quem fala mal de mim.

Quem tem amor para dá e esconde.

Quem se tranca para não se magoar.

Quem tem medo de se doar.

Quem tem tanto a criar.

Quem tem felicidade no olhar.

Quem falha ao comentar.

Quem julga sem pensar.

E por que não tentar amar?

Pois, se amar pode melindrar.

Não amar pode muito mais machucar.



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Soma e subtração..



Soma e subtração.

Sou o que já fui.

Sou o que serei.

A soma de todos os erros.

A soma do que acertei.

As quedas e tropeços.

As batalhas que venci.

A sombra que me acompanha.

A Luz que já acendi.

O passado que me condena.

O ato que me absolve.

Todos os meus problemas.

Todos meus dissabores.

Toda felicidade.

Todos os meus amores.

Sou a soma de todo bem que fiz.

A subtração do mal que encerei.

O amparo que dei.

As mãos que estendi.

Busquei não somar a vida a dor, a maldade, a vergonha, a inimizade.

Passei por elas com dificuldade.

Venci meu maior pesadelo.

Meu egoísmo passageiro.

domingo, 4 de novembro de 2012

Doação de órgãos.

Araken Martins (arte)

Doação de órgãos.

Dei a ti meu corpo.

Para fazeres dele o que quiseres.

Usa meus olhos para ver o mar e suas ondas.

Meu coração para bombear teu sangue nas suas artérias.

Meu fígado para purificar teu sangue e livrar-te da loucura.

Meus pulmões para saborear o ar.

Minha pele para cobrir teus horrores.

Dei o resto a Mãe Terra.

Para que seus filhos corroam o que de mim restou.

Da carne em que habitei.

Deixei minha mãe morta viva.

Meu pai atordoado, revoltado, insano.

Os amigos em choro.

Vou assim...

Sem quase nada.

A não ser minhas lembranças.

Meus amores serenos.

Minhas saudades.

Minha alma leve.

Como pluma ao vento.
  


sábado, 3 de novembro de 2012

Um conto infantil



Um conto infantil

Deve falar de anjos

De brancas nuvens no céu

De estrelas cadentes

De Sol e Lua amantes ardentes

De mar e sereias

De marinheiros perdidos

De ilhas encantadas

De bruxas e fadas

De lindas princesas enfeitiçadas

De belos príncipes valentes

De bonecos que ganham vida

De grilos que falam

De velhos duende em árvores frondosas

De gnomos brincalhões

Contos de fada devem durar para sempre

Para se ter um esconderijo quando se falha

E a dor então nos maltrata

Tornando-nos insanos

Loucos, aluados.

E nesse recanto da memória

Esquecer a vida que se chama verdadeira

Voltar à quimera primeira

Tornando-se pó de estrela.