terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pegadas de Jesus.


A Lua no céu anuncia a chegada da noite.

As estrelas preenchem com seus pisca-piscas a abóbada celeste.

O negro azul recobre o céu.

Eu do chão olho para os astros.

Perguntando-me quem os criou.

Quem com tanta beleza e esplendor os pintou.

Neste teto arqueado.

O céu da Terra.

Todas essas luzes e mistérios.

Toda essa escuridão iluminada.

Essa infinidade de pontas de luz.

E a brisa poeticamente me responde.

São as pegadas de Jesus.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Minha infância.




Cheirava a terra e capim.

A cana verde balançando o vendo.

O açude cheio de água escura.

Os pequenos caminhos nos levavam a todos os lugares.

A casa grande ficava no alto em cima de um monte.

Os bois pastavam tranqüilamente no capinzal.

As vacas ordenadas cedo pelos moradores.

As crianças nuas mostravam o corpo sem pudores.

E nós corríamos livres pelos matos.

Subíamos nas mangueiras, goiabeiras e jabuticabeiras.

Não existiam brinquedos e nem computadores.

Mas, existia a liberdade.

Controlada só em casa.

Onde não se fazia barulho.

Não se comia antes do meu pai.

Lavavam-se as mãos antes de qualquer refeição.

E tinha-se que dá bom dia a todos que chegassem.

Mas, lá fora era o paraíso.

Saiamos de manhã e só chegamos no Sol do meio-dia.

Retornávamos as brincadeiras até o Sol se esconder.

Não existiam mais escravos tinham sido libertos.

No engenho só tinha ficado mestre Salu.

Que nos contava como era a vida naquele tempo.

As lágrimas vinham aos seus olhos.

E aos meus também.

Não acreditava em tanta malvadeza.

Hoje longe daquelas datas.

Em frente à televisão.

Vejo coisas piores.

Vejo a morte ser tratada como algo banal.

E me dói o coração as lágrimas de mães e pais que perdem seus filhos.

O ódio existente entre pessoas, raças, religiões e nações.

Os corpos espalhados pelas ruas como se estivéssemos em guerra.

Já não quero ir lá fora.

Já não há liberdade na rua.

Só medo.

domingo, 7 de agosto de 2011

o guia


O guia.

Que mãos me guiam os passos na senda.

Quem me orienta a direção.

Qual voz que entoa verdades nos ouvidos.

Qual canção aquece o coração.

Quem me levanta quando tombo.

E sopra minhas feridas para diminuir a dor.

Segura meu braço e ajuda a ergue-me.

Quem caminha silencioso ao meu lado.

Quando a dor é tão profunda que só preciso de companhia.

Quem me fala de esperança, de recomeço, de um novo dia.

Qual amigo não me abandona nunca.

Sentindo por mim tal compaixão que me comove quando a noto.

Pois, envolve-me como perfume de sândalo e eleva minha vibração.

Quem sorri com minha felicidade.

Apóia-me nos meus sonhos.

Fica feliz quando pratico caridade.

És tu meu guia querido.

Que um dia...Um dia deste...Sem hora marcada.

Terei o prazer de ver seu rosto.

Abraça-te e te seguir em direção a Luz.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Para perdoar.


Para perdoar...
Não precisa esquecer o mal feito.

Para perdoar...
Não é necessário unisse ao seu desafeto.

Para perdoar...
Não precisa ser um santo ou um tolo.

Para perdoar...
Não precisa sentir-se humilhado.

Para perdoar...
Não precisa exaltar suas qualidades meritórias.

Para perdoar...
Não precisa expor a público nem seu perdão nem seu perdoado.

Para perdoar...
Não precisa ser um poço de virtudes.

Para perdoar...
Não há lugar nem hora.

Para perdoar...
Não se deve olhar o tamanho da ofensa.

Para se perdoar...

É preciso saber que também erramos.
Que não somos infalíveis.

Que somos imperfeitos.
Que estamos longe da beatitude.

Que magoamos outros constantemente.
Que não somos donos da verdade.

Que cada ser tem o direito a sua opinião.
Que todos têm direito a liberdade.

Para se perdoar...

Precisa-se...
Um tantinho de compreensão.

Precisa-se...
Um tantinho de compaixão.

Precisa-se...
Um tantinho de empatia.

Precisa-se...
Um tantinho de amor.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como poucos...


Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Apesar da pobreza.

Apesar da violência.

Apesar da solidão.

Apesar da falta de carinho.

Apesar da falta de amigos.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Correndo pelas campinas.

Pelos areais.

Pescando Betas nos canais.

Equilibrando-me na linha do trem.

Caçando gafanhotos.

Guardando besouros em caixa de fósforos.

Observando as formigas bravas em seu trabalho.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Observado o vai e vem das palhas dos coqueiros.

A dança do capim alto e verde.

Os cortes na pele que eles me davam.

Pegando flores roxas e simples.

Para depois jogá-las fora.

Brincando na areia.

Ou simplesmente deitada vendo as nuvens no céu.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Como ela era.

Simples.

Verdadeira.

Sem objetivos.

Há não ser viver o hoje.

Ser feliz hoje.

Brincar hoje.

Amei a vida.

Como poucos a amaram.

Enquanto fui criança.

Enquanto meu coração não se importava.

Enquanto não valia o que tinha.

Mas, o que eu era.

Uma criança.

Correndo travessa pelas ruas da vila.

Seguida pelo seu anjo da guarda.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Perda.


Perda.

Quando se perde um grande amor.

Seca-se por dentro.

O amargo da solidão

Espanta toda satisfação.

Já não encontramos alegria.

Já não há mais euforia.

Os dias são escuros,

As noites frias.

Não olhamos as estrelas.

Não percebemos a Lua.

Ficamos a janela esperando, esperando.

Que nosso objeto amado volte.

De onde esteja.

O buscamos nos rostos do povo na rua.

Falamos com pessoas que parecem com ele.

Choramos no coletivo.

Um pedaço nosso se foi.

E parece que essa sensação não terá fim.

Mas, tudo passa.

E na sua sabedoria nos deu Deus

O esquecimento.

A bruma que consome nossas memórias.

Que atenua nossas dores.

E que permite que continuemos vivendo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vale a pena.


Vale a pena.


Que eu seja execrada.
Expulsa.
Alijada dos meus amores.

Que eu sofra a solidão.
Dos que foram abandonados.
E traídos.

Que eu não tenha mais nenhuma riqueza.
Nenhum bem para mim.
Ou para doar.

Que me fique só o silêncio.
De quem não tem com quem falar.
Dividir o pesar.

Que me deportem para uma terra distante.
E nunca mais possa ver o nascer do Sol na minha terra.
E meus pés pisem só em pedras desconhecidas.

Tudo vale a pena.
Para não perder.
Um só instante.

A Luz da Tua Divina Presença.
Ananda (bênção divina).
E de Ti nunca, nunca mais sentir carência.

Num só ato.


Num só ato...
A perdição, a maldição, a danação.
Ou a salvação.

Num só ato...
O erro grosseiro, o constranger parceiros, o vulgar.
Ou o perdão.

Num só ato...
A ira desenfreada, a agressão que maltrata, a dor.
Ou a tolerância empregada.

Num só ato...
A maledicência, a fofoca, a mentira.
Ou o silêncio que santifica.

Num só ato...
A inveja, a maldade, a bestialidade.
Ou a caridade.

Num só ato...
Tantas escolhas.
Que nós fazemos.

Que nos tornam bestas humanas.
Ou nos aproximam dos anjos.
Num só ato.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sonhos...



Há sonhos que devem ser sonhados.

Há sonhos que beneficiam poucos.

Há sonhos que auxiliam a muitos.

Há sonhos que trazem a paz.

Há sonhos que findam disputas.

Há sonhos abençoados.

Há sonhos tresloucados e divertidos.

Há sonhos que põem fim as tristezas.

Há sonhos que criam beleza.

Há sonhos plenos de esperanças.

Há sonhos repletos de realizações.

Há sonhos que devem ser só sonhos.

Há sonhos que precisam ser colocados em prática.

Para que com nosso sonho criemos um mundo melhor.