sábado, 20 de agosto de 2011

Quando eu te perder...


Quando eu te perde...

Vou tentar...

Não chorar muito.

Não me desesperar.

Não sofrer por algo que já está feito.

Não julgar o destino.

Não blasfemar.

Não me revoltar.

Não clamar contra a Divina Providência.

Não parar no tempo.

Não deixar de realizar o cotidiano.

Não viver de suas lembranças.

Não te esquecer para não sofrer.

Não morrer um pouco contigo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Criaturas inexistentes


Criaturas inexistentes.

Pela fresta do tempo eu os reconheço:

A menina de louros cachos na casinha dos ursos.

A raposa e as uvas.

O príncipe sapo.

A fada dos dentes.

Quem mais...

João do pé de feijão.

Mamãe ganso.

O cordeirinho leão.

O soldadinho de chumbo.

A tartaruga e a lebre.

O gato e o rato.

Pato Donald.

Tio patinhas.

Huginho, Zezinho e Luizinho.

Madame Mim.

Maga Patológica.

Merlim.

Rei Artur.

Hércules.

Mitos, lenda, contos, fantasias.

Criaram em minha mente valores.

Que trago comigo:

Coragem de enfrentar a vida.

Amizade leal.

Magia.

Astúcia.

Persistência.

Não julgar pela aparência.

Lealdade.

Força de vontade.

Essas criaturas inexistentes.

Ajudaram a criar uma pessoa.

Que, ao menos, tenta ser decente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ostra.


Ostras.

Há aqueles que sofrem como se fossem os únicos.

Que suas dores são tão profundas que parecem não ter fim.

Todas as suas tentativas de melhorarem são tentativas vãs.

E toda ajuda oferecida é ínfima perante seus problemas.

E nunca se tornam sãs.

São ostras fechadas que contêm em si a pérola do espírito.

Que a escondem para que eles mesmos não sejam felizes.

Sentem-se de alguma forma recompensados pelos olhares de piedade.

Por falarem, e falarem sobre a última consulta, o último tratamento...

Que não deu certo!

São almas tristes.

Em tristes teias que armaram.

Por não se sentirem verdadeiramente amados.

Dignos de nossa compaixão.

Devem ser ouvidos com atenção.

Abraçados e lembrados que não há bem que sempre dure e nem mal que não acabe.

Levados a trabalhar pelos necessitados.

Fazê-los sair de si mesmo.

E ver um pouco a vida.

E se quiserem continuar com a idéia fixa.

Deixá-los em paz, sem criticas.

Haverá o dia em que acordarão do pesadelo que criaram.

E agradecerão por tudo que têm a Deus.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mudanças.


Mudança.

Quem me vê de sorriso aos lábios.

Riso frouxo.

Felicidade a mostra.

Encantamento pela vida.

Harmonia nas palavras.

Equilíbrio nas ações.

Vida tranqüila.

Nem imagina meu passado.

Turbilhão de sentimentos.

Caos.

Erros aos milhares.

Vícios.

Falta de amor para comigo.

Fúria a quem me repreendesse.

Até que a dor bateu em minha porta.

E foram aqueles que me repreendia o meu auxilio.

Que ficaram noites alertas.

Que dispuseram do seu dinheiro.

Que me alimentaram.

Banharam-me.

Medicaram-me.

E nada me pediram.

Foi esse amor incondicional.

Que tocou a minha alma.

E mudei. Busquei o bem.

E o amor a mim e aos outros.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Apeteça.

Não é que a morte me apeteça.
Mas, é um mistério que atrai.
Para onde todos um dia vão.
Caminhamos todos na mesma direção.

Ela que nos espera no momento certo.
Pode estar agora bem perto.
E nem sentimos o vago bafo da sua boca.
E continuamos a vidinha à toa.

Não é que a morte me apeteça.
Mas, me chama a atenção sua ação.
Rápida e inesperada como um tufão.
Destruidora como um furacão.

Com sua ceifa corta caules novos e velhos.
Não importa quem seja ou o que for.
Ela não se engana ao quebrar os elos.
E sei que um dia também vou.

Não é que a morte me apeteça.
Principalmente na dor que trás.
Mas, o enigma quero que se esclareça.
Para partir sem temor ou dor.

Desapegado do que deixar.
Seja os bens, os sonhos, os amores.
Entrar na luz sem demorar.
E o no mundo espiritual adentrar.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Eu quero fazer poesia.



Eu quero fazer poesia.

Poesia profunda que toque as fibras das almas.

Poesia que embeleze a vida.

Que flua entre os pensamentos do dia.

Que se apresente nas horas de agonia.

Eu quero fazer poesia.

Que libere a mágoa do coração.

Que afaste a tristeza e a solidão.

Que traga alegria a quem as ler.

Quero fazer poesia que faça diferença.

Que mude o leitor para melhor.

Que regue as sementes de amor, bondade, caridade.

Existente em toda a humanidade.

Eu quero ser importante como aquela que deixou uma mensagem.

Nem que seja pequeníssima de paz e amor.

E que no momento difícil você se lembre.

E sua alma finde com a dor.

Poesia de farmácia.

Farmácia de alma.

Farmácia de ser.

Farmácia de ter.

Luz espiritual.

E não somente a ilusão material.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pegadas de Jesus.


A Lua no céu anuncia a chegada da noite.

As estrelas preenchem com seus pisca-piscas a abóbada celeste.

O negro azul recobre o céu.

Eu do chão olho para os astros.

Perguntando-me quem os criou.

Quem com tanta beleza e esplendor os pintou.

Neste teto arqueado.

O céu da Terra.

Todas essas luzes e mistérios.

Toda essa escuridão iluminada.

Essa infinidade de pontas de luz.

E a brisa poeticamente me responde.

São as pegadas de Jesus.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Minha infância.




Cheirava a terra e capim.

A cana verde balançando o vendo.

O açude cheio de água escura.

Os pequenos caminhos nos levavam a todos os lugares.

A casa grande ficava no alto em cima de um monte.

Os bois pastavam tranqüilamente no capinzal.

As vacas ordenadas cedo pelos moradores.

As crianças nuas mostravam o corpo sem pudores.

E nós corríamos livres pelos matos.

Subíamos nas mangueiras, goiabeiras e jabuticabeiras.

Não existiam brinquedos e nem computadores.

Mas, existia a liberdade.

Controlada só em casa.

Onde não se fazia barulho.

Não se comia antes do meu pai.

Lavavam-se as mãos antes de qualquer refeição.

E tinha-se que dá bom dia a todos que chegassem.

Mas, lá fora era o paraíso.

Saiamos de manhã e só chegamos no Sol do meio-dia.

Retornávamos as brincadeiras até o Sol se esconder.

Não existiam mais escravos tinham sido libertos.

No engenho só tinha ficado mestre Salu.

Que nos contava como era a vida naquele tempo.

As lágrimas vinham aos seus olhos.

E aos meus também.

Não acreditava em tanta malvadeza.

Hoje longe daquelas datas.

Em frente à televisão.

Vejo coisas piores.

Vejo a morte ser tratada como algo banal.

E me dói o coração as lágrimas de mães e pais que perdem seus filhos.

O ódio existente entre pessoas, raças, religiões e nações.

Os corpos espalhados pelas ruas como se estivéssemos em guerra.

Já não quero ir lá fora.

Já não há liberdade na rua.

Só medo.

domingo, 7 de agosto de 2011

o guia


O guia.

Que mãos me guiam os passos na senda.

Quem me orienta a direção.

Qual voz que entoa verdades nos ouvidos.

Qual canção aquece o coração.

Quem me levanta quando tombo.

E sopra minhas feridas para diminuir a dor.

Segura meu braço e ajuda a ergue-me.

Quem caminha silencioso ao meu lado.

Quando a dor é tão profunda que só preciso de companhia.

Quem me fala de esperança, de recomeço, de um novo dia.

Qual amigo não me abandona nunca.

Sentindo por mim tal compaixão que me comove quando a noto.

Pois, envolve-me como perfume de sândalo e eleva minha vibração.

Quem sorri com minha felicidade.

Apóia-me nos meus sonhos.

Fica feliz quando pratico caridade.

És tu meu guia querido.

Que um dia...Um dia deste...Sem hora marcada.

Terei o prazer de ver seu rosto.

Abraça-te e te seguir em direção a Luz.