domingo, 5 de dezembro de 2010

Apelo a Mãe Maria


Apelo a Maria.
Mãe Maria ouve meu apelo.

Minha oração de coração.

Por toda criança infeliz sem pai, mãe ou irmão.



Mãe Maria ouve minha prece.

Para que todos sem exceção.

Possa ter na vida o pão.



Mãe Maria escuta o meu pedido.

Acolhe em teus braços.

Esse pequeno pela sociedade banido.



Mãe Maria grande é teu amor.

Recolhe ao teu colo.

Esses irmãozinhos em dor.



Mãe Maria que tudo esclarece.

Não permita que esses seres apodreçam.

Nas ruas, nas calçadas, nas sarjetas.



Mãe Maria que eleva.

Torna esses meninos feras.

Em anjos que em ti esperam.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Pés.




São pés chagados no caminho.

Vitimados pela longa caminhada.

Sujos do pó da estrada.

Rasgados por pedras e pedregulhos.



São pés que experimentaram tantas rotas.

Que às vezes a lugar nenhum levaram.

E então retornavam a mesma estrada abandonada.

Reiniciando a caminhada.


São pés de criança que cresceram

Pelas estradas da vida.

Sofreram, se esfacelaram e padeceram.

Pelos caminhos envelheceram.



São pés com marcas profundas.

São pés que viveram solitários.

Pois ninguém poderia por eles.

Fazer-lhes o itinerário.



São pés que marcaram o primeiro barro virgem.

Que traçaram os primeiros caminhos.

Que criaram as primeiras estradas.

E por elas perpetraram sua macha.



São pés que cansaram.

Cansaram da dor e da destruição.

E por um momento pararam.

Em meio a uma multidão.



E pés e corpo conheceram.

O tormento e a injustiça.

Na face daquele homem.

Posto miseravelmente a cruz



E os pés mudaram de estradas.

E todas as suas caminhadas.

Todas as trilhas palmilhadas.

São agora em glória de Jesus.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sementes.




Quando o companheiro caí...Se tiveres amor ampara-o.

 

Quando o companheiro traí... Se tiveres amor perdoa-o.

 

Quando o companheiro mente... Se tiveres amor corrige-o docemente.

 

Quando o companheiro insiste no erro... Se tiveres amor cala-te.

 

Quando o companheiro te magoa... Se tiveres amor perdoa.

 

Quando o companheiro te insulta... Se tiveres amor olvida.

 

Quando o companheiro embrutece... Se tiveres amor esquece.

 

Quando o companheiro se enaltece... Se tiveres amor compadece-te.

 

Quando o companheiro te agride... Se tiveres amor com amor revide.

 

Quando o companheiro te abandona... Se tiveres amor abençoa a sua nova vida.

 

O que fazes, crias, sentes e ages não são sementes para o outro.

 

São sementes para ti.

 

Que renderão na vida tempos de paz.

 

Onde estás e aonde vás.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Partiu.


Partiu uma mãe Terra para o céu.
Não sei como será o céu que ela criou para si.

 
Pois, era o tipo de pessoa que não se prendia a costumes impostos, a tradições as quais não via sentido.

Era especial. Via o futuro, predizia, sonhava, se importava...

Tinha a voz de trovão, os olhos de águia, os movimentos de uma mãe d’água, um encantamento.

Quem a via não a esquecia jamais. Ela era imponente e forte. Não, não era uma bruxa, uma wicca, uma médium ou outra qualquer definição que lhe possa dar era tudo isso e muito mais.


Era amada pelos amigos. Era só como o eremita. Iluminada como a estrela do tarô, forte como a imperatriz, transmutadora como o mago, curiosa como louco, equilibrada como a temperança e realizadora como mundo.

 
Viveu de frente para o mar, no turbilhão da vida.

 
Não me despedi dela.


Não tinha tanta intimidade para fazê-lo. Tive medo de incomodar. De não ser bem recebida pela parentela. Eu uma quase estranha.


Mas, pensava nela sempre. Orava sempre. E todos os dias quando passava em frente em sua casa elevava nem que fosse uma pequena oração pela sua melhora.


Foi-se nossa irmã de mistério, do oculto. Uma daquelas mulheres que não tem medo de levantar o véu de Isis. E caminha entre os dois mundos.


Espero que ela continue ainda seu sono dos justos e quando acordar esteja rodeado pelos que ama. Que a Luz que ela plantou em si e pelos caminhos que iluminou para os outros fique em paz.


Até logo Irma.


domingo, 28 de novembro de 2010

Processo de ir.

Frente a tanta dor.

A tanta miséria.

A fúria da não aceitação.

Aos tratos com a divindade.

Aos arrependimentos.

A luta cansativa contra a moléstia.

As lágrimas noturnas enquanto todos dormem.

A dilacerante certeza da partida.

O medo do desconhecido.

A solidão pesada e silenciosa.

O fingimento de quem acredita na cura.

O abraço que sabe ser o último aqui.

O beijo de despedida.

O riso falso de quem crê na vitória.

Os tratamentos cansativos e dolorosos.

As máquinas enfiadas no corpo.

Mãos estranhas a tocarem na intimidade.

A opressão do coração desesperançado.

A saudade de deixar quem ama.

O apego ao que criou.

O murchar das rosas que tratava com tanto cuidado.

Depois de tanta luta.

A resignação.

De que a roda da vida é também a roda da morte.

E que uma roda, roda a outra roda.

E finalmente a paz no olhar.

Apesar de tudo.

E quando a Lua saí e se espelha na poça d’água.

Com seus mistérios de luz sem luz.

Um anjo entra em teu quarto.

Sorrir.

Toma-te pela cintura.

E leva tua alma.

E nos deixa sem ti.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sem paixão.


 Lucian Freud, Rapariga nua a dormir, 1968; Óleo sobre tela;




Pode haver paixão? Sofreguidão? Excitação?
Quando os cabelos de negra graúna
Transformaram em brancos flocos de neves?
Os belos olhos brilhantes, úmidos, vivos
Tornaram-se opacos pela catarata?
A pele de pêssego do rosto
Enrugou qual maracujá maduro?
O pescoço ereto, altivo, esquio
Trás as listras dos sim e não dados na vida?
Os seios que apontavam
Hoje descansam sobre o abdômen?
O ventre liso de bailarina
Foi Arredonda, esticado, ressecado pelas gestações?
Os membros firmes, as pernas roliças
Trazem as juntas deformadas pelo reumatismo?
Não te engana coração
Teu espírito é jovem
Teu desejo existente
Mas, teu corpo te impede
Dentro da visão desse mundo inconsciente
De apaixonar-se novamente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Desejo para quem partiu.

[PRStar.jpg]


Esteja livre tua alma nas mãos abertas de Deus.

Reconhecendo o mistério da continuação da vida.

O eterno viver em êxtase e prazer.
Que te cresçam as asas de anjos.

E voeje entre as órbitas dos orbes.

E conheça suas luas.

Brinques com as estrelas.
Reviva o encanto do canto divino e celeste.

E assista ao por da Terra.

Aí do Universo.
Que teu corpo rejuvenescido esteja vicejante.

E tua voz soe como sempre forte e trovejante.

Junto aos anjos que estarão contigo.

Eternamente.
Não esquecerás jamais a nós.

Que deixou por aqui um tempo.

Um pequeno espaço ínfimo na eternidade.
Teus filhos e netos amados.

Terão sempre teus pensamentos ao lado.

Impelindo-os a ir em frente, ir reto, ir verdadeiramente a Deus.

Através de todas as ações corretas que ensinastes.
Já não existe dor.

Já não existe medo.

Já não existe solidão.
Só a certeza da continuação.

Da vida eterna em harmonia.

Da alegria de quem tem hoje a certeza.

Da união da alma com seu Senhor.

Preciso de tempo.




Preciso de mais tempo.

Para por as coisas em dia.

Para arrumar minhas gavetas.

Meus documentos.

Minhas gravatas.

Preciso de mais tempo.

Para fazer os relatórios.

Corrigir mapas de vendas.

Verificar licitações.

Telefonar aos gerentes.

Identificar os produtos que se precisa urgente.

Preciso de mais tempo.

Para por minha agenda em dia.

Levar o carro para lavar.

Engraxar meus sapatos.

Organizar minha pasta.

Por em ordens documentos.

Verifica as contas dos bancos.

Fazer os pagamentos do dia.

Buscar nova freguesia.

Visitar clientes sem falta.

Verificar diferenças de preços.

Cortar o cabelo.

Fazer as unhas.

Torna-me mais apresentável.

Levar o relatório ao chefe.

Passar meus e-mails.

Não esquecer os fax.

Preciso de mais tempo.

Para por o trabalho em dia.

Preciso de mais tempo.

Para ganhar dinheiro.

Comprar o que preciso.

Educar meu filho.

Deixa-lhe herança.

E o tempo passa.

E passa o tempo.

E esqueci de me dá tempo.

De amar minha esposa.

De mimar meu filho.

De criar verdadeiros amigos.

De ajudar a quem precisava.

De perdoar os inimigos.

E não há mais tempo.

Para Deus.

Para minha alma.

E digo adeus ao tempo.
Em escura ignorância.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dizer não.

 
É difícil filho te dizer não.


Se tudo que te faz feliz

Faz-me mais feliz então.

E tão difícil te dizer não.

Pois, sei que teus desejos não são impossíveis.

É que sabes até onde podes ir.

E tão difícil te dizer não.

Porque meu coração se entristece

Com tua revolta juvenil.

Que não compreender a profundidade do que me pedes.

É difícil te dizer não.

Pois, vejo em teus olhos a tristeza infantil.

E sinto meu coração apertado por algo te ter negado.

Mas, filho meu tenho que te dizer.

Não.

Quando o que me pedes infliges as regras da minha consciência.

Ou te põem em perigos inúteis a tua idade.

Não me julgues mal por isso.

Pois, não há quem te ame na carne como eu.

Por isso ainda te direi, muitos e muitos não

domingo, 21 de novembro de 2010

Pranteio


Pranteio os que foram abandonados.

Porque esqueceram de si mesmo.

Porque os olhos já não vêem a luz solar.

E a boca murcha perdeu dentes.

E as palavras se atropelam na garganta.

O rosto cheio de sulcos.

O riso meio louco.

E os gestos vazios sem sentido.

As vestes sem modelos.

Os cabelos em desmazelo.

Alvos, brancos, nuvens de neves.

O cheiro da velhice que cisma contra o banho.

Medo da dor nos ossos.

Pranteio os que foram esquecidos.

Em suas histórias contadas setenta vezes sete.

E a mesma risada para a antiga piada.

A tristeza pelo suco derrubado à mesa.

Pelo engasgo constante com a comida.

Pelo silêncio constrangedor a sua fala.

Pranteio com eles.

Pela vida que já tão comprida se torna curta.

E temem pelo que vem.

Sem terem a certeza de para onde vão.

E clama pelos irmãos que partiram.

Pelos pais que já há muito seguiram.

E que no leito, no seu último dia parecem clarear a mente.

E conversam conosco como há muito não faziam.

E apontam: veja minha Mãe, minha irmã Maria!

E com um sorriso de harmonia.

Desencarnam em alegria.