quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vazio.

O vazio

O vazi

O vaz

O va

O v

O

.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Houve um tempo

Houve um tempo

Em que os relógios eram lentos

E os passos medidos nas estradas.

Havia tempo para parar às janelas

E falar do tempo, da vida, da caminhada.

Corria o tempo frouxo

Nos relógios de algibeira.

E os homens bem vestidos

Tinham tempo para as damas.

Que gastavam enorme tempo

Em produzirem beleza

Em espartilhos e pó de arroz.

Era tempo de calma, calmaria

Não havia pressa em passar o tempo

O tempo passava sozinho e discreto

Sem alardear sua passagem pelo tempo.

Tempos idos e perdidos

No baú dos tempos esquecidos

Que algum ancião abre

De tempos em tempos.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caso doesse em mim a tua dor


Caso doesse em mim a tua dor

Não seria tua

Seria nossa.

Caso a tua fome

Dilacerasse o meu estômago

Eu te alimentaria.

Se tuas lágrimas brotassem dos meus olhos

E meus sorrisos dos teus lábios

Seriamos mais unidos.

Quando o teu grito de socorro

Saísse da minha garganta

E meu gemido da tua

Estaríamos juntos.

E se tudo acontecesse conscientemente a todos

Perceberíamos enfim

Somos UM.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Meus anjos.


Dentro de mim mora um anjo

Escondo...

Moram dois.

Um vermelho feito fogo.

Outro azul feito um céu matinal de verão.

São amigos com certeza!

Discutem sobre tudo

Em nada concordam.

Se um quer

O outro não.

Se um deseja

O outro repudia.

Quando um diz sim

Claro que o outro renega

Vivem assim as turras

Brigas homérica, infindáveis.

Que se não fossem trágicas

Seriam cômicas.

Ou será que não são?

De dia o azul me acompanha

É a paz.

A maturidade.

A bondade.

A beleza angelical.

À noite vem o vermelho.

É a vida palpitando.

Os desejos.

A doce mentira.

Os anseios esquecidos aquecidos.

Quando nasce o Sol se encontram.

Enquanto durmo.

E unidos observam o astro rei

E os grandes que o habitam.

Saúdam a todos

Sorriem marotamente um para o outro

No fundo sabem...

Que um não existe

Sem o outro.

Ela




Ela.


Em algum canto de minha alma

Repousa tranqüila

Como inofensiva

Víbora tinhosa

Ardilosa e vil.


Cheia de encantos quando surge

Travestida de amor a mim mesma

Apoiado em chamado amor próprio.


Arrasta-se lenta feita trepadeira

Que consome a mãe que a alimenta

Até secá-la por inteiro

Parasita.


Egoísta, ególatra, centro do mundo

Pensa em si como única

Não aprendeu ainda

“que nenhum homem é uma ilha”.


Soberba inigualável

Com seu séquito de abjetos sentimentos

Impõe-se a minha mente

Aos meus sentimentos

Essa emoção que já deveria estar moribunda:

Empáfia.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem dera




Quem dera

Quem me dera

Passar silenciosamente

Pelo mundo

Sem alarde

Sem som

Sem murmúrio

Sem lamento

Sem riso

Passar como um risco

Fino e reto

Sem nunca ter se retorcido

Incólume

Limpo

Direto

Sem ouvidos

Sem máculas

Sem manchas

Sem marchas

Marciais ou mundanas

Só passar

Sem levantar suspeitas

Que minha sombra

Era imensa

Do tamanho de minha luz

OI

OI gente! ainda nao estou com meu PC (carinhosamente conhecido com Tiranossauro Rex). Mas, meu compadre levou-o para conserto e me deixou o primeiro vibrião da informática do nosso orbe.

Um beijo a todos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Noiva

Vem

Veste tua roupa de núpcias

Torna-te virginal.

Entre os tecidos.

Esconde a euforia normal.

São risos, sorrisos e dentes a mostra.

Felicidade geral.

Caminhas para o altar dos apaixonados.

Flutuas melhor dizer

És à flor da festa.

O centro dos olhares.

Tua mocidade brilha a luz dos candelabros

O sino toca a tua entrada.

És uma das noivas.

Escolheste o teu caminho.

Como tu outras

Que te seguem de olhos marejados.

No fim do corredor

Um só noivo para tantas

Espera de braços abertos

Na cruz.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tanto tempo

Tanto tempo

Seus olhos

Grandes como bolas de gude

Negros como jabuticabas.

Seus dentes perfeitos

Num sorriso grandioso

De lábios grosso.

Abaixo de narinas dilatadas

Prontas para sorver a felicidade do mundo.

São suas mãos calosas

Ásperas do trabalho duro

E seu canto gemido

Sussurrado

Às vezes alegre como pardais

Outro momento rouxinóis.

E teu olhar que me segue

Num misto de espanto e ódio.

Choram de fome...

Tua pele reluz

Como ébano

E cantas a saudade do paraíso sumido

Numa nau de velas brancas

Que partiu para o desconhecido

E chora tua mãe

África.

Pelo filho perdido

Pelos filhos dos filhos

Em seio estranho

Que os amamentarão

Ou não?

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dói.


Dói

A cada instante,

A cada segundo,

A separação.

Entre esse e o outro mundo

Coroe,

Os antigos preceitos,

Os antigos conceitos,

Os antigos erros.

E caminho entre cá e lá

Como um cego na estrada.

Como criança perdida.

Como meretriz na avenida.

Dói.

As máscaras trituradas,

Do rosto arrancadas.

Deixando a mostra o ser monstruoso.

O ser defeituoso.

O coringa.

Dói

E mesmo assim caminho.

Entre tantos espinhos.

Pois, ao longe percebo, vejo.

A Luz, que alumia.

Outros seres em desatino.

E os acolhe nos abismo,

Em braços de amor.

Curando-lhes as feridas,

Concedendo-lhes nova vida,

Dando-lhes esperança.

É o Mestre Jesus.

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