
Anjo olha para mim.
Aceita meu convite.
Vem ao meu encontro.
Não tarda.
Já há tanto conclamo tua presença.
Esperava-o em meu berço de criança.
Com olhos postos no telhado.
Atenta a qualquer barulho de asas.
Que não fosse dos morcegos e coruja.
O tempo se foi.
O berço foi trocado pela cama.
Mas, continuei a te esperar.
Na mocidade orava pela tua chegada.
Esperava-o até o sono me vencer.
E pela manhã buscava alguma prova de tua presença.
Fui em busca da vida.
Tive meus filhos.
E pedia para que nos viesse ver.
Era como o recomeço.
Era a mesma espera.
Ha! Meu anjo como desejei tua presença em tantos momentos tristes.
Ou para dividir contigo minhas alegrias.
O tempo se foi.
Os filhos se foram.
O esposo se foi.
Meus pais se foram.
Meus irmãos se foram.
E ficamos eu e tu.
E nesse último momento.
Que sei ser o último.
Vem anjo!
Que eu possa ver teu corpo de luz.
Tuas asas douradas.
Teus olhos de amor.
E sendo atendida a velha senhora estende as mãos para o vazio.
Sorrir. Dá seu último suspiro e despede-se da vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário