quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Doação.




Há muito para doar.

Um bom dia ao chegar.

Um sorriso.

Um meigo olhar.

Um conselho salutar.

Um ombro pra se chorar.

Ouvidos para escutar.

Mãos para acariciar.

Braços para abraçar.

Pés para caminhar junto.

A que se tornar amigo.

Dos que estão em solidão.

É forçar a barra um pouquinho.

Estender a mão.

É orar com fé na petição.

Pedindo ajuda pro irmão.

Que perdido nessa vida.

Em meio a provações.

Encontre um local.

Onde descanse o corpo.

E repouse o coração.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Honra lavada (depoimento de um morto).


Na primeira facada foi só um não.


Como quem não acredita no que ocorre, como se fosse um sonho, ou melhor, pesadelo. A segunda já foi sentida como realidade. Os seus olhos fitaram os meus e se encheram de lagrimas.


Mas, eu não perdoei. Nunca, nunca perdoaria uma traição. Eu tinha lhe dado tudo e ela me traiu. Na calada da noite, nas suas andanças com suas amigas, nas suas idas a igreja. Mentira, mentira! Era só para se encontrar com seu amante.


Mas, ele não a teria, nunca mais.


A terceira facada foi no ventre e manchou de vermelho sangue todas a suas roupas alva, branca como as fardas dos anjos.


Ela não gritou, só gemeu.


Seus cabelos misturaram-se ao sangue que já empapava os lençóis da cama.


Porém, ela merecia mais. E continue o massacre como um louco que já não sabe o que faz.


Todo o seu corpo tinha perfurações. Seus olhos já não tinham vida, seu coração não batia, sua respiração cessou.


Caí em mim... Ela já não existia. A mulher que eu havia escolhido para ser minha esposa, mãe de meus filhos, para dividir a existência jazia morta em meus braços.






Precisava fazer algo.


Enrolei o corpo em lençóis. Era noite. Lugarejo longe. Amarrei pedras nos seus braços e pernas e atirei o corpo no açude profundo.






A todos disse que ela tinha ido embora. Ninguém desconfiaria. Todos sabiam que ela tinha um amante.






Passaram-se anos. De honra lavada procurava esquecer o fato. A velhice chegou, a morte chegou.


E desse lado descobri que aquela que tirei a vida nunca havia sido infiel aos votos do casamento. Fora meu ciúme, as intrigas, as fofocas que me fizeram perder a cabeça.


Hoje a procuro para pedir perdão. Mas, ela está muito longe de mim. E eu padeço a dor do arrependimento.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Último ato.

Último ato.



Não, não termine esse ato.

Que te trará tanta dor.

Olha como te amo.

Vê quão é infinito esse amor.

Não te criei pro erro.

Para o medo ou rancor.

Para estancar de pânico.

Ser depressivo ou depredador.

Não, não termine esse ato.

Que gerará a loucura da tua loucura.

És único, filho meu.

Amo-te com as profundidades abissais dos oceanos.

E o espaço infinito do universo.

Não me sentes?

Estou contigo em todos os instantes.

Mesmo que não percebas.

Não te lances ao vale.

Ao vale da dor.

Do ranger dos dentes.

Dos dementados.

Por terem tirado a própria vida.

Não, não termine esse ato.

Confias, espera mais um pouco.

Tua provação passará.

E assim, como a tempestade cessar.

Cessará tuas dores.

E virás para meus braços.

Meus braços filho.

Estanca teu ato...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Em qualquer lugar.

A magia dos velhos tempos impregna o ar.



Sob a Lua imensa flutuando no céu segura por mãos invisíveis.



Grandes espíritos, antigos deuses, velam o Universo.



Cada estrela trás consigo seu Senhor.



Comandante dos planetas que giram ao seu redor.



Como um rosário em que todas as contas são unidas.



Funciona em perfeição eterna o girar, a dança universal dos corpos celeste.



Céleres anjos, mensageiros, cruzam o espaço escuro e silencioso.



Enquanto algumas pequenas criaturas adivinham-lhe a existência.



Nos mundos primitivos a humanidade, diferente da nossa, olha extasiada

Aquele manto de olhos que a ilumina na escuridão noturna.



Mas, que também a espreita.



Como mil olhos dos grandes espíritos que moram além do além.



Em orbes sutis, outros olhos, também se encantam com a magia dos céus.



Conhecedores dos seus mecanismos.



Sabem com certeza da precisão necessária para o seu existir.



E nos seus corações e alma agradecem ao que Criou e Cria a vida.



E assim em todo o universo.



Independente do conhecimento ou da ignorância.



Todos os seres reconhecem... Há algo muito superior a eles.



O que nós chamamos Deus.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aos teus pés

Vou até ti Mestre.

Levo perfume para teus cabelos.

E balsamo para os teus pés.

Permita-me Mestre aproxima-me.

Sem sequer dizer uma só palavra.

Sem sequer olhar nos teus olhos.

Deixar meu Senhor perfuma tua cabeça.

E tocar tua aureola de santidade.

Mesmo sem vê-la.

Que possa depois deposita aos teus pés a bacia e o balsamo.

Para descanso dos teus pés.

Que tanto andou proporcionado ajuda.

A todos que te pediram, a todos que estavam preparados para receber.

Que ajoelhada a tua frente eu saiba que te servi.

Nem que por um pouco.

A alivia teu fardo tão pesado.

Aos teus pés tão cansados.

Senhor.

Irmão mais velho.

Irmão.

 
Posso sorrir te vendo assim?

 
Em triste lamentação, tu que és meu irmão.

 
Como abrir largo sorriso se te vejo tão sentido.

 
A vida não te foi leve.

 

Tua cabeça breve esbranquiçou.

 
Tua face se enrugou.
Teu sorriso se apagou.

 
Teu corpo se curvou com o tempo.

 
Teus passos são arrastados.


Teus joelhos não dobram.

 
Teus olhos são apagados.

 
Onde perdesses o brilho da vida.

 
O riso, a piada, a brincadeira.

 

Onde foi tua pressa.


Tua vontade de viver.


Teu corpo já não obedece teu pensar.

 
E vives lento a se arrastar.

 

Vejo-te a janela todas as tardes.

 
A olhar o que já não existe.

 
Parece perdido num tempo distante.

 
Que desapareceu em antigos calendários.

 
Não há mais o que te interesse.

 
Tua mente já dementou.

 
E não sei como chegar a ti.

 
Cuido-te como criança.

 
E minha esperança.

 
E que chegada há tua hora.

 
Determinada por Deus.

 
Vais sem demora.

 
Sem sofrer mais que sofreu.

 
E estarei ao teu lado calado.

 
Fecharei teus olhos irmão amado.

 

Findará para ti esse mundo.

 
E abrirás novas portas.

 
Quando saíres do sonho.

 

E entrares na verdadeira vida.
 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Finalidade da morte.

Quem sabe da morte o inicio.



De vida nova que vem.



Em cascata branca e brilhante.



Como a cada um convém.



Quem sabe a morte nova vida.



Que se inicia com o fechar dos olhos.



Para o antigo existir.



Facilitando a nossa ida.



Para novos mundos e idéias.



Quem sabe a morte nova sorte.



De quem trouxe da antiga vida.



Só azar.



E tristeza no olhar.



Esgar de fome.



Coração de dor.



Quem sabe a morte um descanso.



Merecido ou não.



A cada um.



Presente de Deus para filhos moribundos.



Crentes, descrentes e vagabundos.



Quem sabe a morte novo caminho.



Nova trilha a ser seguida.



Para que possamos.



De vida em vida.



Ser hoje melhor que ontem.



Aprender o que não deu tempo.



Conhecer o que não pôde.



Desenvolver grandes poderes:



Humildade.



Sabedoria.



Caridade.



E amor.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Simplicidade.


Se eu pudesse...

Voltaria no tempo.

Em que largas saias usava.

Em blusa de algodão rústico branco.

E de pés descalços caminhava.

Por entre as trilhas dos matagais.

Colhendo flores silvestres para por sobre minha rústica mesa.

Fazia-o ao fim da tarde quando os trabalhos terminavam

E éramos liberados.

Corria para o lugar mais alto da ilha para os rochedos.

E ficava a ver o mar em luta ou brincadeiras com as rochas.

Algumas vezes as baleias vinha a tona com seus filhotes.

E via-lhes os esguinchos fora d’água.

O vento frio quase insuportável do começo de inverno.

Arrepiava minha pele.

Mas, eu ia lá.

O quadro que se me apresentava era inigualável.

O sol que se punha.

A escuridão que chegava.

O cheiro do mar.

A solidão que não incomodava.

A presença de Deus.

Em todo lugar.

Era completa a paz.

O silêncio do barulho.

O silêncio da mente.

Frente o poder criativo do Divino.

Podia sentir o cheiro, todos os cheiros dos campos.

Todos os lírios, todas as margaridas, todo capim quebrado.

Tudo que exalasse algum odor eu podia descriminar.

O som dos esquilos, dos ratos, dos besouros.

O bater das asas das borboletas.

Até que a lua brilhasse no céu eu ali ficava.

Anos bons, vida boa, vida simples.

Que ficou para trás.

Em vida passada que não volta mais.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tristeza e alegria


Tristeza e alegria


Quando bate a alegria a minha porta.


O prazer me faz sentir embriagada.


Há sorrisos para todos.

 
E o céu é azul como nuca o foi.


Há beijos e abraços.


Carinhos sem moderação.


Gargalhadas sem porquês.

 


É o tempo de alegria.


Quando a tristeza bate a minha porta.


Abro-a com presteza.


Meu sorriso diminui.


O céu escurece como manchado de negra tinta.


Não há sorrisos nem gargalhadas.


Não há alegria.

 


Os beijos e abraços diminuem.


São frágeis como cristais.


Só fica uma certeza.


De assim como se foi um dia a alegria.


Outro dia irá embora a tristeza.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Escuridão.

Nessa escuridão o que vês?



Que luzes podem existir por trás da tua cegueira?



Por que teus olhos parecem perceber coisas que ninguém mais percebe?



E tu sorris. Como tivesses algo a esconder?



Como fazes para reconhecer teus brinquedos, teus parentes, teus amigos?



Por que não te abandona o teu cão já que com ele não podes correr?



Como suportas ficar a janela como se estivesse vendo o por do Sol?



Ou à noite pedes para ir ao terraço “ver” o céu.



Por que não choras tua desgraça.



A noite eterna sem estrela?



Quem te dá essa alegria minha criança?



Quem te sustenta na negritude das horas?



Quem te segura à mão para não te perderes?



Tu me respondes: Jesus.