segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Despedida


Não desejo saber de despedidas,

De horas últimas,

De adeus,

De até logo.


Prefiro que fiques comigo

Entre alegria e tristeza,

Ganhos e perdas,

Paz e tormentos.


É humano ser assim nesse momento.

Ser dual,

Ficar perdido em pensamentos


Fincar o pé nos sentimentos,

Não desistir de ti,

Não abandonar a esperança.


Mesmo que tu minha criança

Estejas pronta,

Não pedirei que vás,

Que sigas.


Estarei junto a ti em todas as oportunidades,

No modo físico ou em pensamento,

Orando, rezando, pedindo, implorando,

Que gozes comigo novos tempos.



domingo, 17 de janeiro de 2010

Enganador.


Palhaço

Bobo

Bufão

Truão

Alerquim

Saltimbanco

Impostor

Intrujão

Pantomineiro

Farsante

Charlatão

Enganador

Engana

A

Dor

Da

Solidão.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Dança


Dança

A pequena bailarina

Frágil

Ainda menina.

No palco, sem luz, sem público, sem aplauso,

Dança para si,

Com maior prazer,

Com amor a arte,

Por amor a si,

Preenchendo espaços,

Com pequenos passos,

Largos saltos,

Voa.

Feito colibri

Parado, no ar estancado.

Pequena bailarina voa e paira

Como por anjos amparada.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Perdure.


Perdure

Tua bondade,

Tua caridade,

Tua amabilidade.


Que valha

Tua vontade,

Teu desejo,

Teu interesse.


Persista

Tua força,

Tua firmeza,

Tua coragem.


Que vença

Teu ânimo,

Teu anseio,

De viver.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Irmã.


Não vás.

Não me abones

Não me deixes,

Não parta.


Não vás.

O mundo ficará mais escuro,

Mais sombrio,

Mais tenebroso,

Mais triste.


Não vás.

Ainda é cedo,

Não é tua hora,

A tanto a fazer.


Não vás.

Ficarei mais sozinha,

Abraçada pelo abandono,

Sem teu riso.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quero ser um anjo.

Quero ser um anjo

Não desses de asas pequeninas

Não querubim.

Nem tão pouco arcanjo

De grandes asas e grandes poderes.

Nem anjo da guarda

Para zelar por alguém.

Jamais um anjo que fica frente ao trono

Admirando eternamente Deus.

Quero ser um anjo.

Desses que andam pelas ruas

E sorrir para os estranhos.

E os ajuda no que pode.

Faz festa ao encontrar amigos quase esquecidos.

Não dá esmola, presenteia.

Que tem nos olhos o brilho da amizade.

Nas mãos grandes calos de trabalho.

No rosto rugas da idade.

Nos braços sempre abraços.

Nas mãos sempre ajuda.

No coração amor.

Quero ser um anjo

Um anjo homem

Com suas alegrias e tristezas.

Perdas e ganhos.

Um anjo humano.

O enforcado.



Morri.

Morri e não me arrependo

Deixei tudo para trás.

Abandonei a todos.

Tenho certeza não fiz ninguém debulhar-se em lágrimas.

Não “quebrei” nenhum coração.

Não abandonei mulher ou filho, não os tinha.

Os poucos amigos... Perdidos no tempo e na vida

Outros só camaradas de álcool e drogas.

Nada sofreram.

Mesmo meu corpo não sofreu

Pois quase já me existiam as carnes.

Nem mesmo um cão para deitar-se sobre a minha lápide.

E uivar suas saudades existia.

Que lápide? Era indigente.

Assim, por que tanta cobrança?

Desses seres abjetos.

Dessa minha morte desejada, sonhada, querida, almejada.

Se mesmo depois da corda ao pescoço

Do último esgar

Do último suspiro

Encontro-me vivo

Nesse vale de lamentação.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Relações


Relações.


Quando se quebra um vaso

Trinca-se o cristal

Risca-se o vidro

Arranha-se a taça.


Nada é mais o mesmo

A pureza e perfeição

A beleza e exatidão

Não mais é.


É o estrago

O imperfeito

O erro.



Não mais se espera

Delicadeza e precisão

Só vemos mutilação.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Como precisamos de amor.


Como precisamos de amor.

Matamos e morremos por amor, mentimos, enganamos para não perde nosso amor. Pomos máscaras para sermos aceitos com amor, fingimos o que não somos para manter ao nosso lado quem amamos. Prendemos, sufocamos para que não parta o objeto do nosso amor. Lutamos tantas vezes de forma vil, para que não nos escape nosso amado. Escondemos nossas dores e demonstramos alegria para não entediar aquele que amamos.

Enfim, matamos, moremos, mentimos, enganamos, fingimos, somos vis, mascaramo-nos, escondemo-nos para prender, segurar, agarrar, manter e termos amor.

Quando o amor deve ser liberdade, escolha, livre-arbítrio, opção.

A cada ato negativo nos afastamos e afastamos cada vez mais o amor de nossas vidas, o verdadeiro amor que não cobra e não amarra, não julga e não sufoca, não mente e não engana.

O amor é porta para a libertação de todos os erros de nossa personalidade. É quando podemos ser o que somos sem ter importância o que pensem sobre nós. Mesmo que seja o companheiro de jornada, mesmo que seja o objeto de nossa emoção.

Amar é viver como o vento e o espírito que sopra em qualquer lugar e não sabemos de onde ele vem ou para aonde ele vai. É sentir-se querido e desejado quando estamos dentro ou fora dos padrões de beleza vigentes na sociedade. É dar e receber atenção porque assim o queremos e não porque o outro nos pede e força situações através de jogos emocionais.

Não existe só amor entre casai, entre pais e filhos. O amor rompe barreiras e fronteiras, ele está presente em todas as obras da Divindade.

Em cada olhar de um irmão, no momento desconhecido para nós, nos cães abandonados, nas aves do céu, na pequena iça, no correr do chita e na lânguida preguiça. Em todo e qualquer ser.

Cada ato deve ser preenchido com amor, nada deve ser realizada de forma mecânica e desinteressada. Tudo deve ser preenchido com uma atenção amorosa e única. Transformado cada ato e fazer em algo especialíssimo e único.

Amar é ser e deixar ser. É ir e deixar ir. Sem preocupações do que será amanhã. Sem medo da solidão. Pois, o primeiro e grande amor, o amor indispensável a todo o ser humano é inicialmente o amor a si mesmo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Não existirá amor perfeito?


Não existirá amor perfeito?

Sem sequer um defeito

Sem traços de egoísmo

Sem limite

Sem castigo

Sem determinismo

Sem hipocrisia

Sem dor

Sem lamento

Sem sujo pensamento

Sem amarra

Sem prisão

Sem sanção

Sem determinações


Não existirá amor perfeito?

Todo liberdade

Todo igualdade

Todo bondade

Todo maestria

Todo simpatia

Todo harmonia

Todo puro

Todo sano

Todo coração

Todo doação

Não existirá amor perfeito?

Neste meu mundo

Neste meu canto

Neste meu lar

Neste meu caminho

Neste meu sonho

Neste meu dia-a-dia

Neste meu luto

Neste meu submundo

Não existirá amor perfeito?

Até que a morte nos chegue

Até que a morte nos liberte

Até que a morte nos ensine

Até que a morte nos leve

Até que a morte nos renove

Até que a morte nos informe

Que existe amor perfeito

Que chama-se Deus.