quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


A sereia.

No fundo do mar cantou uma sereia para mim:

Vem, vem, vem para melhor me ouvi.

Vem, vem, para mim.

Bravamente resisti.

E ela continuou com seu canto:

Vem para ser feliz.

Em meus braços de gelo e giz.

Em águas frias da cor da flor de Liz.

Bravamente resisti.

Em castelos de conchas douradas.

Ouvindo minha voz encantada.

Tendo só sonho as madrugadas.

Vendo a Lua sob as águas.

Continua o canto sereia.

Dar-te-ei a vida eterna.

Mocidade que não acaba.

Força, coragem, bravura.

Bravamente resisti.

Esperava-me no porto.

Nessa noite fria.

A esposa fiel e madura.

De calos nas mãos e na face rugas.

Não podia deixar pelo canto vago da sereia.

A realidade que me chamava.

O amor maduro e responsável.

De quem viveu, sofreu e sempre batalhou ao meu lado.

Bravamente resisti.

A beleza impar daquele ser.

Que representava todas as ilusões do mundo.

Pois, ao cair na água gelada.

Morreria e não seria mais nada.

Só um perdedor.

Um fraco.

Um sonhador.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008


Por que ser anjo?

Que espera anjo? Ou o que esperam de ti?

A salvação em todas as horas?

A resolução de todos os problemas?

A proteção frente a qualquer perigo?

Que esperamos de ti anjo?

Milagres de grande porte?

Mudanças inexplicáveis para melhor?

Que nos lave todas as manchas?

Que nos leve direto ao sétimo céu?

Que ganhas em ser anjo? Anjo?

Uma morada nas estrelas?

A presença do coro celeste?

O sentimento de unidade?

Será...Que por um segundo...Um só instante...

Não desejarias ser como nós?

Loucos de vida em vida.

Levianos e traiçoeiros.

Barulhentos e divertidos.

Solitários.

E perdidos.

Mortais e imortais.

Seriamos por acaso irmãos?

Parentes distantes?

Filhos do mesmo Pai?

Com certeza o somos.

Só que não temos asas.

Sabedoria plena.

Alma pura.

Mas, temos a paixão pela vida.

Filhos, amantes e amigos.

Amores tão antigos.

Os quais contigo queremos dividi-los.

Anjo amigo.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Criação de anjos.

Os anjos não foram criados.

Eles se criaram.

A cada vida.

Tornando-se, cada vez mais, seres perfeitos.

Deixando para trás as ilusões e preconceitos.

Amando mais ao outro que a si mesmo.

Foram se tornando bons por inteiro.

Viveram em tantos mundos.

Sob tantas formas.

Conhecem a ciência e a humildade.

São sábios e conhecem a Verdade.

Dedica-se a tantas tarefas.

Cada um com sua destreza.

Fazem de tudo no universo.

Para aumentar-lhe a beleza.

Uns que são iniciantes nos guiam nas vidas.

São os anjos da guarda do dia-a-dia.

Todos têm uma grande luz.

Que são suas asas que tanto nos seduz.

E todos nós no decorrer dos néons.

Seremos anjos.

Amarelos, brancos, negros.

Eu gostaria de ser um anjo azul!


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domingo, 3 de fevereiro de 2008

Coração de Mestre.

Dentro do coração ardente do Mestre só amor.

Por toda criatura que pulsa a vida.

Dentro do coração do Mestre.

Só ternura por aqueles que estão completamente sós.

Dentro do coração Mestre.

Amor incondicional.

Dentro do coração do Mestre.

Bondade pura.

Dentro do coração do Mestre.

Doçura e equidade.

Dentro do coração do Mestre.

O caminho que nos salva dos nossos erros.

Dentro do coração do Mestre.

Misericórdia e compaixão.

Dentro do coração do Mestre.

A Verdade Única.

Dentro do coração do Mestre.

Luz que ilumina a humanidade.

Dentro do coração do Mestre.

Paciência e caridade.

Pelos que não participam de sua bondade.


sábado, 2 de fevereiro de 2008

O que mais nos uniu amigo?

As alegrias que tivemos nos tempos da infância?
Não. Já passaram deixando apenas alegres recordações de meninice.

A escola que cursamos juntos?
Não. São lembranças de um passado remoto do qual lembramos mais de outros que de nós.

A adolescência com todas as suas aventuras?
Não. Memórias de tantos erros.

A maturidade em que ainda estávamos juntos?
Não. Foi tanto corre-corre, crianças na escola, fazer a vida...

A velhice em que nos apoiamos mutuamente?
Não.

Então o que mais nos uniu?
O que mais une a todos.

A dor.
Que tentamos minorar naqueles que amamos.
E em nós mesmos.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Castelo nas brumas.


Castelo nas brumas.

Há um castelo entre as brumas.

Feito de diamantes de Sol.

Suas janelas ouro em pó.

Suas portas cristais vienenses.

Há um castelo entre as brumas.

Cheio de preciosidades.

Prata e ouro. Incensos e mirra.

Colares, pulseiras e anéis.

Há um castelo entre as brumas.

Que foi criado para cada um.

Que achar em si seu maior tesouro.

O amor que ama a todos.

Sem distinção a nenhum.


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sábado, 26 de janeiro de 2008

Saindo de si.


Não se esqueça de mim.
Estive tanto tempo ao seu lado.
Não me abandones nesse tempo de dor.
Lembre-se parceiro.

Quantas noites brincamos juntos.
E sorriamos de quase tudo.
Éramos felizes você e eu.
Não se esqueça de mim companheiro.

Estive presente nos melhores dias de tua vida.
Acompanhei-te nas aventuras.
Auxiliei-te nas loucuras juvenis.
Nas molecagens infantis.

Lembras de mim não me esqueces.
Mesmo agora que a dor te visita.
Estou perto. Mais, que imaginas.
Fazes um esforço.

Olvidas as dores da traição da vida.
Vem comigo amigo.
Vê o que há de belo e necessário.
Levante-se dessa cama que não te prende.

Libere-se da angústia, da fadiga, da depressão.
Vamos ser felizes novamente.
Saindo de nós mesmos.
E auxiliando a outros que estão em piores condições.

E esquecido da tua tristeza.
Pelo trabalho e caridade.
Sentiras de novo minha presença.
A presença da felicidade.


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Na escuridão.


Na escuridão.

Sem nenhuma luz.

Em meio a sombras densas.

Nas trevas.

Na cerração.

Na mais profunda tristeza.

Na falta de clareza.

Na cegueira do que seja.

Cerra os olhos.

E ora.

E a Luz Divina que habita teu coração.

Iluminará:

O cômodo onde estás.

A casa em que habitas.

A rua em que moras.

Teu mundo de trevas.

Será banido.

E no seu lugar.

Só Luz.

Luz do infinito.

Que preenche todos os recantos.

E finda a tua treva.

Então oras meu irmão.


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Coraçao de mulher.

Coração de mulher.

Eis teu coração.

Tão velho como o tempo de tuas andanças.

Não o reconheces?

Faltam-lhe em pedaços luz.

Mas, foi tu que a cedestes pelos caminhos.

Uma parte deste ao teu pai que sumiu numa noite e nunca mais voltou.

E essa parte escureceu, murchou.

Esse outro pedaço concedestes ao amor maternal.

Que não abandonou até a morte.

E quando ela, tua mãe, se foi esse pedaço foi com ela.

Presenteastes alguns amigos um cantinho do teu coração.

E entre traição, esquecimento e lágrima ele se quebrou.

Todavia, não desistisses, pois, ainda havia coração e se apaixonastes.

Confiaste boa parte desse coração, já tão machucado, ao companheiro de jornada.

Por muitos e muitos anos esperasse que a realidade se transformasse no teu sonho.

Porém, não foi assim, insultada, desprezada, solitária, apagou mais um pedaço do teu coração.

Ficaram os frutos teus filhos. Crianças benditas.

Que ao crescerem, cresceram também em egoísmo, em falta de amor, em desrespeito.

Eis teu coração.

Tão velho como o tempo de tuas andanças.

O reconheces agora?

Retalhado pelo amargor de todos os desamores?

Por todos os sonhos não realizados?

Pelas promessas não cumpridas?

Pelas dores do abandono?

Mas, espera...

Há tremenda luz que resiste.

Como um diamante lapidado sem defeito.

Como pedra preciosa sem risco algum.

Uma parte do teu coração que nunca foi machucado.

Que nunca foi abandonado.

Que nunca foi esquecido.

Que nunca foi traído.

Que está repleto de amor.

Transbordante de alegria.

Sabe a quem entregaste essa parte do teu velho coração?

A quem tem amor eterno.

A quem não te deixou só sequer uma vez.

A quem sempre estava ao teu lado.

Na alegria e tristeza...

Entregastes a Deus.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008


Sons celestes

Por que quando ouço esses sons.

Vindos de não sei onde.

Que parecem cantos de crianças.

Eu entristeço.

Por ainda está aqui.

Como gostaria de estar junto ao coral.

Que fecha as tardes.

Que põe o Sol a dormir.

E acorda as estrelas.

E o céu de azul tornar-se negro.

Pontilhado de luzes brilhantes que piscam.

Com vida e claridade.

Onde e como poderei encontra este coral.

Agradeço por ouvi-lo.

Mas, peço para vê-lo.

Para assistir essa peça de encanto.

E quem sabe um dia.

Depois do descanso.

Poder estar entre eles.

Pondo o Sol a descansar.

Escurecendo o céu.

E acordando as estrelas.

Com canto celestial.
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Poemas e Encantos II )