
Cai a chuva.
Cai a chuva na estrada, na rua, na calçada.
Cai à chuva nas folhas da mangueira, nas palhas dos coqueiros, nas flores da roseira.
Cai à chuva nos morros, no barro, vira lama.
Cai à chuva no mar e se mistura.
Cai à chuva nos asfalto e o esfria.
Cai à chuva e corre para os bueiros.
Cai à chuva na rua e a alaga.
Cai à chuva no canal e ele transborda.
Cai à chuva e o céu ainda fica escuro.
Esperando nova chuva.
Enquanto troveja sua bravura.
E lança raios de aviso de perigo.
Cai a chuva e eu na rua.
Os cabelos molhados.
A roupa colada ao corpo.
O frio e o arrepio.
Os olhos sem enxergar direito.
Os sapatos entoando a canção dos sapos.
As poças d’água.
Caí à chuva e molha por fora.
Levando o suor, o calor e a poeira do dia.
Bom seria se me molhasse por dentro.
E arrastasse com sua força branda a minha agonia.
Minhas tristezas e fracassos de fantasias.
Lavando-me o coração, a mente, a alma.
E preenchendo-me de alegria.
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