sábado, 25 de junho de 2011

Perto ou longe...

Como ser o que sou?

Não sei.

Hoje sorrio por nada.

Amanhã a tristeza invade minha alma e a preenche de cinza morta.

E todos os projetos parecem ruir como um antigo casarão que não teve quem cuidasse.

As esperanças desmoronam feito paredes depois de incêndio.

Os sonhos são esquecidos por uma profunda amnésia.

E os olhos perdem o brilho que um dia tiveram.

Quantos haverá como eu?

Quantos estarão presos em seus próprios pesadelos.

Em suas lutas diárias contra a melancolia.

Sem saberem o que fazer.

Para recuperar a felicidade.



Mas, são dias de neblinas.

Há também os dias de Sol.

Em que o céu tem o azul que nunca teve.

E a brisa é silfo brincalhão nos cachos dos meus cabelos.

E as flores parecem me oferecer perfume nunca dantes oferecidos.

E as pessoas parecem todas boas.

E posso abraçá-las com tanto amor que as espanto.

E sou feliz. Feliz como já fui quando criança.



Como ser o que sou?

Não sei.

Talvez sendo humana.

Tendo altos e baixos.

Luz e sombras.

Dias em que estou longe...

Dias em que estou perto de Deus e sua bem aventuraça.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quem faz o bem.



A dor que te persegue, companheira inseparável.



Foi tua escolha antiga por prazeres inconfessáveis.



Se hoje teus olhos vermelhos estão do choro que não cessa.



São os resultados das gargalhadas frívolas, dos atos impensados, que na tua consciência pesam.



Foges de teus problemas, corres dos teus males.



Contudo, eles te perseguem, são teus pares.



Mas, crê irmão infeliz que tudo que tem começo tem fim.



Quando cessar a causa do teu sofrimento.



Quando aprenderes a usa todos os momentos.



Para a plantação do bem.



As dores já não serão tão fortes.



Os incômodos serão menores.



A vergonha será esquecida.



E poderás caminha de novo de cabeça erguida.



Com o sentimento de quem fez o bem na vida.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Baú de mágoas

Escondi, há tanto tempo, minhas tristezas e mágoas.



Num baú em baixo da cama.



Cheio de poeira e aranhas.



Para que ninguém visse minhas entranhas.



Escondi bem escondido no falso fundo do baú.



Tudo que me fizeram e fazem que me entristecem.



E a dor, a mágoa, a traição que me ferem.



Estão lá guardadas, mas, não esquecidas.



Contudo, ninguém as vê, ou sente.



Elas se acostumaram a ficar na sombra.



E se um raio de luz tenta iluminá-las.



Elas se escondem tremulantes.



Não quero dividir com ninguém o que me dói.



Difícil dividir.



Com tantos outros que têm tantas dores.



Se em mim vêem suas tristeza desdobrar.



Para que unir as minhas as delas.



Estão tão frágeis que dão pena.



Então os ouço e calo as minhas dores.



Para que o ser em percalço difícil.



Use meu ombro como arrimo.



Meu colo como porto.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pedido de concessão.

Concede-me Pai sabedoria.

Para lidar com minhas dores.

Reconhecer meus temores.

Suplantar minha indecência.



Concede-me Pai sabedoria.

Para que possa entrar em meu coração e ficar alegre.

Ao encontrar amor em demasia.

Ao reparti-lo com simpatia.



Concede-me Pai sabedoria.

Para ser especial na hora de ajudar.

E saber fazê-lo sem humilhar.

Sem tornar quem precisa um mendicante.



Concede-me Pai sabedoria.

Para ser compreensível com quem me magoa.

Para perdoar sem limites.

Para esquecer toda ofensa.



Concede-me Pai sabedoria.

Para viver em Ti.

E nada me fazer falta.

E nenhum apego ser meu refúgio.



Concede-me Pai sabedoria.

Para auxiliar as sombras do outro mundo.

Compreendê-las sem temê-las.

Amá-las sem julgamentos.



Concede-me Pai sabedoria.

Parra enfrentar os meus problemas.

E não chorar à toa, por quase nada, ou nada.

Só sorrir levemente frente à dor.



Peço-te muito sei

Mas, sou tão pequena Senhor.

Que só Tu.

Podes me suster.

domingo, 12 de junho de 2011

Sonho de gato.

Olhos de gato no céu.



Por cima dos telhados vermelhos.



Olho da Lua a olhar o gato.



Que olha as estrelas como se fossem pingos de leite.



E quer bebê-las.



Mia o gato e inicia a cantoria.



Mil e um gatos respondem.



De lugares impensados.



Inicia-se a opera gatuna.



E a Lua ri e ri.



Uma estrela mais ousada.



Ousa se mexer no céu como quem cai.



E o gato eriça a cauda.



Levanta a pata para pegá-la.



Como se o céu estive ali...A altura das suas patas.



Somos gatos olhando estrelas.



Imaginado um céu para nossa alma.



Ri a Lua da nossa asnice.



Porque o nosso paraíso não está acima de nós.



Está dentro de nós.



Em nossa consciência.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Palavras.


Quem sabe?



Aches duras minhas palavras.



Fira ferina e feroz cada idéia.



Toque com terror teus medos minhas rimas.



Apavore-te o que lhes trazem como provável futuro.



Nessas letras encontres parte de tua vida.



Anime suas desilusões.



Sacuda tua alma fortemente e a golpeiem.



Faça-te ver a vida dura, dorida e sem intento.



De tantos que lançam a mesma ao sabor dos ventos.



Não te incomode amigo visitador.



Pois, essas palavras nada são mais que sombras opacas



Da vida, da verdadeira dor.

Vende-se

Vende-se...



Casa de veraneio onde passava as férias de verão com meus filhos.



Onde os vi descobrir o mar.



Caçar tatuis.



Criar castelos de areias.



Fazerem armadilhas na areia.



Correrem atrás de bola.



Terem a primeira visão de um sapo, uma cobra e um louva-deus.



Vende-se o passado.



Que não retorna.



Que não alegra.



Que não embriaga de emoção.



Vendem-se as lembranças de um velho.



Que nem as que vender.



Mas, pressionado pelos filhos adultos.



Forçado pela lei.



Ver seu passado, suas lembranças, as memórias.



Serem dilapidadas pela ganância dos herdeiros.



Mesmo antes de sua morte.



Vende-se meu passado.



Porque...



Aqui, já não há futuro, para esse ancião.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O único bem...


Na morte que esfria o corpo encontrei a verdade.


Nos últimos momentos em que entrelaçada a alma ao corpo sem vida.


Ouvi o que realmente pensavam e sentiam por mim.






Quanta inveja pelas minhas riquezas.


Quanto ódio pelo meu sucesso.


Quanta falsidade para aproveitar o que eu podia proporcionar.






Quantos amigos eram falsos.


Feras armando botes fatais.


A espera da hora certa.






Quantos parentes dispostos a se trucidarem pela fortuna.


Pela herança de um parvo.


Pelo ouro de tolo.






Que não se leva na última viagem.


Que não tem peso nos bolsos.


De quem parte.






Que dor imensa ao descobrir as falcatruas.


Confessadas ao pé de ouvido.


Ainda mesmo no campo santo.






O corpo ainda não esfriou.


E já todos querem se livrar do que me restou da terra.


Ossos e carnes apodrecendo a ar livre.






Poderia ter aproveitado melhor a vida?


Fiz tudo que a riqueza me proporcionava.


Viagens, luxo, prazer.






E por que me sinto só?


Por que não vejo amigos ou anjos.


Como dizem os religiosos.






A escuridão começa a me tomar.


As vozes vão aos poucos se apagando.


Ouço ainda algumas risadas.






Tudo termina no túmulo.


A areia que cai sobre o féretro é o último som que ouço.


O silêncio e a escuridão é meu destino.






Fico ali. Junto ao que fui.


Sem saber quem sou.


Aterrorizo-me.






Aos poucos ouço cantos infantis.


Enlouqueci de vez.


Perdi meu senso pelo medo.






Mas, as vejo...


Dezenas de crianças de luz.


Com flores nos braços.






Elas me chamam.


Eu atendo e saio da escuridão.


Da boca de terra que me tragou.






Reconheço algumas.


Eram do lar das crianças com câncer.


Que eu ajudava para abater dos impostos.






Elas sorriem.


Eu choro.


O único bem que fiz em vida.






Por interesse próprio.


Por egoísmo.


Libertou-me da prisão das trevas para a luz

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Campo de batalha


Há sangue no campo.


O corre, corre dos soldados entre as balas.


Que zunem nos nossos ouvidos.


Aqui, ali, acolá um dos nossos caí atingido.


Sua face estampa a dor, a surpresa da morte.


Isso acontece também do outro lado.


O fogo é intenso.


O medo maior ainda.


Não dá pra pensar muito.


É só corre, correr, corre.


Para onde não sei.


O que fazer.


Atiro a esmo.


Não sei o que acerto.


Deus que faço aqui?


O que fazemos aqui?


E corro em busca de um abrigo.


Finalmente sinto um calor no coração.


Uma dor fina e penetrante que me rouba o ar.


E um enfraquecimento que me dobra as pernas.


Olho para minha farda.


Ela se tinge de vermelho.


Vermelho vida.


Estou morrendo, penso.


Morrendo, morrendo, morrendo.


Tanta coisa a fazer e morrendo.


Caio com o rosto na lama fétida.


Entra na minha boca a terra molhada.


Terra em que mais tarde se tornara uma vala.


Onde jogarão meu corpo.


Se puderem talvez.


O silêncio agora impera.


Não ouço os gritos, os gemidos, os pedidos de socorro.


A escuridão vai cedendo.


A uma luz diáfana.


Volto a campo de batalha. Mas já não é o mesmo.


Ao lado de cada corpo estendido encontra-se um ser de luz.


Olho e vejo que também tenho um acompanhante.


Que me sorri.


De suas mãos saem raios de luz verde safira para meu coração.


Que parece ficar sem peso ou dor.


Ele me levanta.


Olhamos para frente.


Nada me diz.


Só aponta.


O mais belo jardim por mim visto.


Ainda volto os olhos para os caídos.


E vejo que esses anjos socorrem.


Meus amigos e meus inimigos.


Dirijo meu olhar inquisidor ao anjo e ele responde:


São todos irmãos.

sábado, 4 de junho de 2011

Amigo


Amigo.



Quem terá olhos mais doces que os teus?



Quem me espera o dia todo só para me saudar?



E me faz a maior festa quando eu chego?



Quem fica a porta do banheiro enquanto me banho?



E me segue ao quarto enquanto me visto?



Quem senta aos meus pés enquanto janto?



E assisti ao telejornal comigo?



Quem saí à noite a rua para um pequeno passeio só para não sujar o tapete, mesmo “apertado”.



Quem dorme aos pés da minha cama?



E acorda ao menor barulho para me defender?



E dará a sua vida pela minha?



Quem me ama como eu sou?



Sem nenhuma cobrança?



Sem nada pedir?



A não ser um pouco de amor e cuidado?



Quem sente minha tristeza e põe sua cabeça no meu colo?



E uivará com saudade quando eu partir?