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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tecelãs


Tecendo os fios da vida...
Linda e jovem tecelã
Teces a linha da teia.
Fina como os sonhos das donzelas,
Brilhante como as ideias.
Nela colocas dons, bênçãos e maldições.
És incansável nesse ato,
Inicias ao nascer o sol 
Estende-se até o entardecer.
Fias e fias com imenso prazer.
É teu destino fiar sem esmorecer.

Bela mulher tecelã
Os fios te esperam as mãos.
Coloca-os na roca de costura sem tensão.
Sabes que sabes
Erraras não.
Crias intricadas tramas,
Belos padrões,
Ou toscos grilhões.
Inicias ao entardecer
Até a última hora tricotas com esmero.
Teces a trama com imenso zelo.
É teu destino tecer sem esmorecer.

Majestosa senhora tecelã
Verifica a obra feita
Encanta-se com o apuro das linhas
Delicia-se com a trama e a história
Enternece-se, chora, sorri, emudece.
Nem fias e nem teces.
Em tuas mãos a tesoura... instrumento final
Que encerra o trabalho das três.
Cortas a linha que se liga a roca.
Findas a trama da vida que dela brota!
E as tecelãs, novamente, reiniciam a obra.




segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Espera do anjo.


Faz tua última despedida.

Onde jaz o resto mortal do teu protegido.

O teu irmão de asas o arrebatou.

O anjo da morte carregou-o consigo.

E tu sentes que não cumpriste com precisão tua missão.

Não te foi possível lhe salvar a alma da escuridão.

Não conseguisses lhe impor o bem ao coração.

Impedido pelos seus maus pendores não te ouvia a lição.

Ficarás esperando a volta do pupilo.

Quem sabe a dor e o tormento de um inferno finito,

Amacie-lhe a predileção.

E retorne mais humilde, mais correto, mais amável.

Na nova vida que o espera.

Numa outra reencarnação.