domingo, 30 de julho de 2017

Ainda ocorre.


Na luz tênue da Lua, a mulher caminha pela estrada pelas horas escuras da noite a procura do que poucos veem.

Com olhar de lobo e de águia perscrutam em todos os lugares, seus olhos são negros e escuros como o véu que cobre a Terra.

Mãos rápidas e leves afastam a vegetação, descortinado milhões de vida. Pelas quais ela não se interessa.

Finalmente, um sorriso baila em seus lábios, ei-la! Pequena, espinhosa e enrugada. Escondida por trás de um tronco. Pega-a e coloca dentro de um pequeno saco preso a cintura.

Sua alegria é cortada pelos gritos dos aldeões. Não demora muito está encurralada. Mil mãos se estendem para ela. Logo se vê presa ao poste de tortura. Nos seus pés começa a arder à chama.

Aos gritos de bruxa, bruxa! É queimada viva. Com ela sua bolsa de cintura. E a erva que curaria as crianças doentes da aldeia. Doença que seus vizinhos, amigos e inimigos a acusaram de lançar sobre os filhos dos aldeões.
***

A ignorância e o ódio gerado pelo medo do que não se entende e inveja do que não se tem ainda queimam bruxas.


Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei