segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Abandonamos.

Abandonamos nossos sonhos de infância.

Nossa pureza para com o mundo.

Nossas certezas dos contos de fadas e de papai Noel.

Nossas brincadeiras e a alegria que infernizavam os adultos todos os dias.



Abandonamos nossos bichos de estimação.

Esquecemos os peixes no aquário até que morrem sufocados.

Os nossos gatos aos quais fechamos as portas.

Os nossos fieis amigos caninos... Abandonamos.



Abandonamos os amigos que não nos seguem a rota.

Deles esquecemos como um lápis velho numa gaveta qualquer.

Não mais o procuramos, nem telefonamos, nem mesmo neles pensamos.

Como se nunca houvessem participado da nossa história.



Abandonamos nossos projetos.

Nossos objetivos e nossas metas.

Por medo, por falta de coragem, por fraqueza ou simplesmente por querer desistir.

E iniciamos algo novo... Que possivelmente terá o mesmo fim.



Abandonamos nossos pais.

A sua sorte.

A velhice que lhe tornam consorte.

Até que morram esquecidos de nós e deles mesmos.



Abandonamos nossos filhos.

Ao abrigo dos amigos, as festas e baladas, as drogas legalizadas.

Nos braços da juventude tão cheia de certezas.

Que muitas vezes os levam a precipícios e tristezas.



Abandonamos nossas crenças.

Para viver a vida.

E sofregamente a procuramos e nos enchemos de feridas.

Mas, buscamos a tal felicidade.



Abandonamos nossa alma.

Nossa fé.

Nossa bondade.

Esquecemos o amor, a caridade.



Abandonamos Deus.

Como figura alegórica.

Como criação humana.

Como uma figura imaginária.



Abandonamos a nós mesmo.

Abandonamos a essa vida.

Abandonamos nosso corpo.

Nos braços da morte.



È quando vemos que abandonamos tudo à sorte.

E que o destino que criamos é nosso próprio abandono.

Na consciência que pesa e sem luz perambula.

No novo mundo que entramos.

3 comentários:

Eduarda disse...

Mallika,

Texto forte que nos leva a pensar e reflectir.

Nesta sociedade cada vez mais centrada nos umbigos, deixamos de ver, de sentir, de olhar os outros.

É mais fácil voltar a cara...sermos meros artíficies malabaristas ~, que cairemos nas próximas chuvas, sem sentido.

bj

Vilmar Barros de Oliveira disse...

Adorei o teu blog parabéns!

conceição fittipaldi (Mallika) disse...

Obrigada pela visita e pelas palavras.
Um grande abraço fraterno para vocês!