quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tenho medo.


Tenho medo...

Da velhice que já chega.

Devagar a minha porta.

Que endurece minhas juntas.

Enruga o meu rosto.

Fragiliza os meus órgãos.

Diminui o que ouço.

Tenho medo...

De não ser mais compreendida.

De me tornar um peso para outros.

De ser uma pedra a se carregar.

Tenho medo...

De não mais conhecer meus filhos.

Esquecer meus netos.

E vaguear pela mente em branco.

Tenho medo Pai...

De esquecer que te amo.

Que te desejo profundamente.

Que sem Ti minha vida será indiferente ao existir ou não existir.

Tenho medo Pai...

De não saber que estás comigo.

De não lembrar do teu amor.

E passar anos e anos lançada ao leito em dor.

Quando podia está junto ao Senhor.

Apieda-te dessa tua filha.

E antes que a velhice me alquebre.

Retira-me dessa vida.

Com tua mão bondosa e amiga.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sem medo.


Sem medo.

Que música te acalenta a dor?

Nenhuma meu Senhor.

Que sonho andas sonhando?

Nada que possas me ofertar.

Que desejas enfim?

Meu amor. Meu par.

E onde ele andará?

No reino da morte está.

Então não o encontrarás!

Engana-te. É só esperar.

Como assim menina moça?

Quando o tempo passar.

Há minha hora chegar.

A foice da morte abater-me.

Do outro lado do véu ele estará.

Esperando-me. Como estou a espera cá.

Então, tu não me temes?

Sendo tu a morte não.

Daí-me então a tua mão.

E seguiremos para o meu reino.

Findando tua solidão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nada há!



Nada há em ti que se abomine.

Nada que se culpe.

Nenhum tormento.

Nenhum erro.

Nenhum pecado.

Nenhum esquecimento.

Nada há em ti que te macule.

Nada que não seja puro.

Nada que não seja honesto.

Nada que não seja justo.

Nada há em ti que não seja poderoso.

Nada que não seja forte e altivo.

Nada que não seja majestoso.

Nada há em ti que não seja divino.

Nada que não seja maravilhoso.

Nada que não seja ditoso.

Nada há em ti que não comova.

Nada há que não nos toque.

Nada há que não nos faça repensar nossa vida.

Nenhuma palavra ferina.

Nenhum ensinamento vil.

Nenhum fingimento.

Só amor.

Amor puro em todos os momentos.

Sem distinção ou preconceito.

Só perdão e proteção.

Em Ti,

Mestre Jesus.

sábado, 16 de julho de 2011

Venha me visitar


Venha me visitar.

Minha casa é ali na esquina.

Minha janela dá para o mar.

E a porta da cozinha para os montes.

Tenho gatos nos muros.

E um cão muito amigável.

Sirvo-te bolo com chá.

Falaremos sobre qualquer assunto.

Riremos das nossas tolices.

Levantaremos do tempo lembranças.

Ainda tenho o jogo de café que me presenteasses.

Minha casa é limpa, muito limpa.

Simples como os dias a rolar.

Mas, por favor, venha me visitar.

Minha solidão é grande.

Minha tristeza maior ainda.

A angústia me sufoca.

A melancolia é minha companheira.

Minha única companhia.

São os olhos de Maria.

Que em sua pintura na sala.

Segue-me constantemente.

Como quem diz:

Estou sempre aqui.

Minha amiga.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A quem importa?

Quem realmente se importa?

Se um dia eu sumir.

Sem deixar rastros.

Sem deixar notícias.

Sem deixar pistas.

Sem deixar pegadas.

Sem deixar saudades.

Sem deixar amigos.

Sem deixar sonhos feitos.

Sem deixar filhos ou marido.

Quem realmente se importa?

Se um dia eu sumir.

E não aparecer jamais.

Desaparecida, abduzida, seqüestrada.

Sem deixar marcas.

Sem deixar dúvidas.

Eu que não plantei nada.

Que não criei nada.

Eu que não amei nada.

Nem tão pouco fui amada.

Quem realmente se importa?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pontos de vistas.


Pontos de vistas.

Quem anuncia a vida

Anuncia a morte.

O sino da igreja que toca pro batismo.

Toca para o velório.

Muitos pés que vieram comemorar a chegada.

Estarão presentes na partida.

Olhos que sorriram no batizado.

Choram no enterro.

O pequeno corpo saudável e vivo da primeira festa.

Inerte e frio na despedida.

O amor substituído pela saudade.

A felicidade pela dor.

Os sonhos pela realidade.

O júbilo pela intranqüilidade.

Os planos pelo desconhecido.

O começo por um novo reinício.

Que não vemos.

Como um barco que do porto parte.

E dobra a linha do horizonte.

Onde desaparece para nós.

E reaparece para outros.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Passou...


Passou...
  
O Sol que se pôs

Pôs a sombra da noite à vista

Pôs a sombra em minha alma

Escureceu minha vida

Desterrou minha alegria

Apagou minhas boas lembranças.

Atiçou minha tristeza

Levou-me a ser grande

A ser adulta

A ser responsável

A ser presente.

Sempre a posto

Feito um escoteiro

Feito um médico plantonista

Um policial de serviço

Sempre esperando o pior.

O pior...

Em forma de sufocar a criança

O sorriso tolo

A brincadeira inesperada

O canto na rua para si mesmo

O ser simples.

Tornar-me grande

Torna-me adulta

Torna-me intragável

Tornar-me inatingível

Tornar-me controlada

Tornar-me controladora.

Quero ser o que já fui...

Correr sem ter pra quê...

Tomar banho de chuva...

Sentar a beira mar sem medo...

Chorar por chora...

Chorar por mim...

Chora por ti...

Chora pelo mundo...

E depois sorri...

Pois o que é...

É assim.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Onde estão?


 
Onde estão?

Àqueles que saíram há poucos minutos?

Os que foram trabalhar,

Os que se deram às caminhadas,

Mas, principalmente, os filhos que foram à escola.

Onde estão?

Àqueles que voltariam em cinco minutos,

Àqueles que retornariam com o pão,

Àqueles que nunca chegaram da viagem.

Onde estão?

Os maridos que foram comprar cigarros,

As esposas que foram provar as roupas novas,

Mas, principalmente, as crianças.

Onde estão?

Os que se perderam na boca da noite,

No vicio das drogas,

Nos seus próprios pensamentos,

Mas, principalmente, nossas crianças.

Quem segurou suas pequenas mãos?

Quem lhes convidou a palácios?

Quem lhes prometeu alguma coisa boa?

Onde estão todos?

Que sumira,

Que desapareceram,

Que se esconderam aos nossos olhos,

Que se ocultaram,

Que se perderam na vida.

Onde estão todos eles?

Esquecidos de nós?

Tão distantes que não podem voltar?

Presos, amarrados, algemados?

Onde estão nossos maridos?

Nossas mulheres?

Nossos amigos?

Mas, principalmente, onde estão os nossos filhos?