sábado, 4 de junho de 2011

História de uma árvore.

A árvore.



Enterrei profundamente minhas raízes na terra.



Escavei o mais fundo que pude.



Enrosquei-me nas pedras duras e frias.



Atravessei camadas e camadas de terras frias, úmidas, fofas.



Cheguei ao barro e atravessei-o.



Fui fundo.



E enquanto me enroscava cada vez mais na Mãe que me nutria.



Cresci em beleza e força.



Meu tronco cheio de nós.



Cheio de rugas grossas e negras.



Meus galhos vivos, viçosos.



Minhas folhas fortes e saudáveis.



Cresci mais que todas as árvores.



Estava ali plena e segura.



Vendo passar o tempo.



Passar as nuvens.



Passar as estações.



Nascerem, crescerem e morrerem os homens.



Mesmo aquele que me plantou.



Liberei sementes.



Fui moradia para pássaros, besouros, formigas, lagartas, borboletas e lagartixas.



As crianças subiam em meu tronco.



Não temiam ficarem dependuradas nos meus galhos.



Eles não quebravam facilmente.



Eu era imponente.



Entre minhas irmãs a mais orgulhosa.



Nada dizia. Mas, meu porte demonstrava o que sentia.



Mas, algo aconteceu.



Minhas raízes atingiram veio d’água.



Que se infiltrou numa quantidade que não podia consumir.



E elas foram apodrecendo, tornando-se frágeis, mortas.



E como uma doença infernal se espalhou por todas as minhas pernas.



E o meu tronco foi descascado, minhas folhas caindo. Meus galhos enfraquecendo.



As crianças já temiam subir em mim.



E fui abandonada pelos moradores.



Só restaram os cupins.



Que me devoravam os últimos resquícios de vida.



Finalmente tombei em dia de tempestade.



Não servi nem para lenha.



Esquecida fiquei por anos e anos.



Apodreci voltei a terra.



E para meu encanto.



Reiniciei a lançar raízes.



A viver de novo.





Como se a natureza desse a cada ser sempre uma nova chance.






De vida e vida em abundância.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para ser feliz.


O que é preciso para ser feliz?

Uma mansão em Hollywood.

Uma ilha particular.

Um avião de luxo só pra ti.

Um castelo na França.

Uma cobertura em New York.

O melhor estilista a criar suas roupas.

Conhecer todos os grandes chefes de Estado.

E os representantes principais das maiores religiões do mundo.

Viver na mídia.

Ser considerada a mais bela e sex mulher do século.

Ser rica, muito, muito rica.

Ter a inteligência de uma Albert Einten.

A oratória de um Hitler.

A astúcia de um Maquiavel.

A fúria das Erínias.

O poder de uma Deusa.

E dobrar a todos com seus desejos.

Até que por ti dobrem os sinos.

E todos os bens.

E todos os poderes.

E todos os amigos.

E toda a beleza.

E toda oratória.

E toda a astúcia.

E todos os desejos.

Serem então reconhecidos como ilusão.

Sensações passageiras numa vida de maya.

Enquanto esqueceste o Eterno:

Deus.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mundos.




Mundos.

Quando vamos.

Não devemos olhar para trás.

Feito a mulher Ló.

Devemos deixar os vivos cuidar dos vivos,

Os mortos cuidar dos mortos.

Vamos ao céu?

Ótimo!

Ao orço?

Pena!

Mas, vamos.

Conscientes de que devemos resgatar nossa dividas,

Saborear nossos acertos,

Viver nossa nova vida.

Aos vivos, o mundo dos viventes.

Passageiro, efêmero, provisório.

Aos chamados mortos

O mundo perene, eterno, perpétuo, permanente.

Acreditei


Acreditei nos Mestres.
E plantei esperanças...Obtive desilusões.

Acreditei nos Mestres.
E plantei boas sementes...Obtive espinhos.

Acreditei nos Mestres.
E plantei responsabilidades...Obtive exploração.

Acreditei nos Mestres.
E plantei socorro...Obtive desprezo.

Acreditei nos Mestres.
E plantei proteção...Obtive esquecimento.

Acreditei nos Mestres.
E plantei paciência...Obtive ofensas.

Acreditei nos Mestres.
E plantei doçura...Obtive fel.

Acreditei nos Mestres.
E plantei amizade...Obtive traição.

Acreditei nos Mestres.
E plantei luz...Obtive a presença das sombras.

Acreditei nos Mestres.
E plantei amor...Obtive ódio.

Acreditei nos Mestres.
E plantei vida...Obtive morte.

Não mais acreditava nos Mestres.
Quando a morte me mostrou...Que tudo tinha sido provação.

E que todas as boas sementes que plantei.
Estavam a minha espera do outro lado do véu de Isis.

Em forma de amor e Luz.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Em um instante


Sem despedida.

Repentinamente tal qual um raio.

Um foco de luz que se ascende

Risca o céu,

Cai a terra e falece.

Um sopro, um suspiro, último.

Nem sei se ocorreu...

Pavio acesso de vela

Em beira mar,

Só pode se apagar.

Uma vida vai-se em poucos instantes.

Num segundo extinta,

Sem permissão dos que a amam,

Vai-se,

Foi,

Sem despedida.

Porta...


Não temas.

A morte não detém a vida.

Não a estanca, nem a extermina.

Simplesmente segue...

Segue rumos que desconheceis.

Leva a uma nova vivência.

No baile da existência.

Não temas essa irmã,

Não a ache medonha.

Ela só abre a porta

Para uma nova experiência.

sábado, 28 de maio de 2011

Seixos...


Seixos.


As águas da nossa alma são profundas.

São escuras pelo tempo.

São cobertas de lodo no seu leito.

Como não se perde em meio a sua fúria?

Quando elas se revoltam contra nós mesmos.

Quando acostumadas à comodidade ao eterno sim, recebem um não.

Um não a um ato egoísta.

Um não a uma comodidade.

Um não a uma maldade.

Um não em nosso benefício para ser justo a outro.

O que fazer para não ser tragado pelo lodo que depositamos em nós mesmos?

Dirige-te as margens do rio da vida.

A tantos seixos.

Seixos pequenos.

Seixos grandes.

Seixos leves.

Seixos pesados.

Seixos fáceis de serem carregados.

Seixos que ferem nossos pés e mãos.

E um a um durante a vida vai forrando o leito da tua alma, o leito das emoções de tua alma.

Para que esse lodo nunca mais venha à tona.

Se acostume com o peso do esforço da melhora.

Com o esforço do trabalho.

Com o esforço da escolha em se torna um ser melhor.

Pois, cada seixo colocado representa um esforço no sentido de se tornar um melhor ser humano.

E quando o rio da tua vida, coberto de belos seixos, já não puder o lodo macula tua alma.

Serás um anjo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Medo de amar.


Gostaria de te amar.

Mas, teus olhos só mostram desprezo.

Desejaria poder ajudar.

Mas, tuas mãos não recebem a minhas.

Dar-te-ia meu auxilio.

Mas, irias recusar por orgulho.

Tentaria facilitar tua vida.

Mas, desconfiarias das minhas intenções.

Socorreria-te em tuas aflições.

Mas, me expulsaria da tua dor.

Assistiria tuas aflições.

Mesmo assim não aceitarias minha presença.

Poderia servi-lo em tuas dúvidas.

Contudo renegaria meus conselhos.

Poderia te abraçar.

Mas, fugiria também desse consolo.

Porque ninguém parece ter te amado até agora.

E quem é essa velha para te oferecer o que nunca tivesses.

Perdoa irmão pequeno.

Já que de ti não posso me aproximar.

Recebes do meu coração minhas preces a teu favor.

Para que um dia abra o peito e recebas amor.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Além da vida o que te espera?


Além da vida.



O que te espera?



Tu que em nadas crês?



O vazio.



O silêncio doentio.



O limbo cinza.



De onde não saíras.





Além da vida o que te espera?



Tu que não ligastes para as coisas do céu.



Que se prendesses a terra como uma grande árvore de imensas raízes.



Nada, nada que aqui tivesses.





Além da vida o que te espera?



Tu que só temias?



O castigo a teimar contigo.



O pensamento monótono dos teus erros.



Teus pecados a te perseguir.





Além da vida o que te espera?



Tu que duvidavas de tudo.



Mais dúvidas.



Verás as coisas do espírito.



Mas, elas serão reais.



Ou pura imaginação, um sonho, um pesadelo?





Além da vida o que te espera?



Tu que acreditavas...



O encontro com a Luz.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Haverá outro dia

Mesmo que a dor persista.



Haverá outro dia.



Se a tristeza te visita.



Haverá outro dia.



Choras agora.



Haverá outro dia.



Cheia tua alma de melancolia.



Haverá outro dia.



A saudade de aperta o peito.



Haverá outro dia.



A luz parece ter sumido da tua vida.



Haverá outro dia.



A angústia te atormenta.



Haverá outro dia.



A aflição te corrói.



Haverá outro dia.



São muitas as atribulações.



Haverá outro dia.



O martírio te persegue.



Haverá outro dia.



Pois, não há nada que não finde.



Ficam pois, as lições.



Que aprendidas não se repetirão.



Pois, o fado que nos é dado.



É de acordo com nossas forças.



E nossas ações agora ou no passado.