sábado, 4 de setembro de 2010

Morte.

Quão misteriosa és tu morte.

Que chega a todos sem a nada ou ninguém poupar.

Sombra escura e amaldiçoada rouba a vida à pessoa amada.

Quão funesta és tu morte.

Que só traz desespero por quem passa pelos teus portais.

Choro e lágrimas para os que ficaram atrás.

Quão poderosa és tu morte.

Que não falta nem se atrasa.

Qual relógio suíço és pontual.

Quão triste és tu morte.

Que segues sozinha sempre.

Acompanhado o escolhido.

Quão vazia és tu morte.

Que leva o corpo a terra.

E o abandona a sua sorte.

Quão tola és tu morte.

Pois leva a todos de volta a vida.

E os verás renascer sempre.

Depois de abandonarem o corpo decadente.

Renascerão em corpo de Luz.

Feito estrelas que em imenso brilho reluz.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Meia Noite.

O carrilhão badala meia noite.

Doze toques macabros.

Eles saem.

De suas catacumbas e esquifes.

De suas covas e umbrais.

Vagueiam uns sem destino.

Outros em busca do inimigo.

Em bandos se arrastam pelas avenidas.

E fazem algazarras como se ainda estivessem vivos.

Alguns soturnos acompanham encarnados.

Sente-lhe o cheiro do ópio, do crak, da maconha.

Mais um vampirizado que será induzido a aumentar seu vicio.

Belas mulheres em beira de esquina fazem ponto.

Junto a elas as beldades do outro lado.

Que vistas não encantam.

Só aterrorizam e espantam.

Alguns completamente dementados buscam suas famílias.

Contudo não as acham. Procuram há mais de mil anos.

Nas encruzas homens altos, bem vestidos esperam os despachos.

São seus pagamentos pelos serviços prestados.

Nos bares e botequins não se estarreçam.

Almas apenadas em frangalhos.

Bebem juntos aos usuários da cana, do uísque, da cerveja.

Nas baladas, de corpos colados, dançam os jovens.

No ritmo do sexo desvairado. Cingidos a eles muitos desencarnados.

Até que raie o dia será infatigável essa romaria.

E eu os vejo do meu canto.

E dos meus olhos corre o pranto.

Por sentir as suas dores.

Seus pesares.

Seus pendores.

Eu cansado e entristecido.

Há tanto tempo também perdido.

Retorno ao meu canto.

O túmulo onde descansa.

Meus ossos e meus sonhos.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amiga.

O que é uma amiga, uma verdadeira amiga?

É aquela que parece ser mais nossa irmã que nossa própria irmã.

É a que compartilha conosco o último chocolate.

E sempre tem uma piada sobre nossas trapalhadas.

Nunca está cansada para nos atender.

E ouve mil vezes as nossas mesmas queixas.

Divide conosco nossas lágrimas.

E cala-se ao nosso silêncio.

Vai a lugares de que não gosta só porque gosta de estar com a gente.

Rir quando nos vê na hora que acordamos, e nem nos importamos.

Nos acompanha ao médico, nos exames difíceis e espera paciente.

Ainda diz: se precisar é só ligar. Depois de ter ficado sentada umas quatro horas.

Amiga sonha os nossos sonhos.

E nos sonhamos os sonhos dela.

Se estamos felizes ela também fica.

Mesmo cheia de problemas.

Sua voz toca nosso coração.

Seu sorriso nos alegra.

Suas lágrimas nos entristecem.

Sua dor nos incomoda.

Amiga é para sempre.

Mesmo que vá para longe.

Mesmo que nunca mais a vejamos.

Mesmo que o tempo passe e passe muito.

Está sempre na nossa lembrança.

E nos nossos sentimentos.

Amiga é outro nome dado.

Ao anjo guardião encarnado.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Amor eterno

Declaração de amor.

Como é bonita sua pele.

Suas pintinhas no corpo.

Seus grandes olhos expressivos.

Sua boca sensual e carnuda.

Seu corpo ágil.

Sua performance de atleta.

Suas longas pernas.

Seus dedos finos e delicados.

Coroados com pontas arredondadas.

A sua cor igual não há.

E o seu canto...Ha! Seu canto encantador.

Nas noites frias gosto de estar contigo.

E fazer serestas a Lua.

Olhar as estrelas e pegar pirilampos.

Fomos feitos um para o outro.

Nosso amor será eterno.