sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ângelus.

Ângelus.

Ângelus que cuida da nossa Terra.

Que sobre esse orbe azul derrama amor rosa incondicional.

Ângelus mensageiro divino

Que pela eternidade recebeu a missão de enviar amor.

Aos que habitam esse planeta.

Ângelus estupendo que ilumina todos os recatos.

Todas as brenhas, todas as brechas, o pico dos montes, as águas abissais.

O coração dos homens e mulheres crentes do Divino.

A criança que ainda vê seu próprio anjo.

Os anciões que se dedicam a Deus.

Os jovens que se prestam ao bem.

Contudo, apesar de sua magnificência, seu poder, seu amor e caridade.

Chora pelas almas escurecidas que chamadas pela última vez à reencarnação.

Nesse planeta de águas.

Dada a última chance de redenção pelo amor.

Trilham, ainda, os caminhos do ódio, do vicio e do egoísmo


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Passagem.


Liberta alma das grades que a ungia.

Aberta a porta da carne que a prendia.

Encontra-se entorpecida.

Até que retorne a consciência.

Precisa o guia paciência.

Enxerga a alma sua nova morada.

O mundo das almas a abraça.

E ela sabe: morri!

E pela tela da sua mente.

Triste ou contente.

Rever sua vida.

De trás para frente.

Sua velhice se conseguiu ser anciã.

A maturidade, a juventude, a infância.

Até ser feto em ventre materno.

Avalia seus feitos e defeitos.

E chora ou ri...

Se possível abraça os que ficam em pranto.

Despede-se de todos com saudade.

E volitando com seu guia.

Parte para a grande viagem

terça-feira, 20 de julho de 2010

Precipício.

Quantas vezes, jogado ao precipício, ao abismo?

Entre as sombras que tresloucadas me agridem chorarei?

E fugindo sem ter para onde, me ocultarei na lama abençoada?

Escondendo-me dos perseguidores implacáveis.

Quantos anos passarei nessa massa amorfa de comparação de vida?

E sentirei a pouca carne que possuo doer e queimar?

E meu coração em chamas já não suportar tanto sofrimento.

Quando então minha consciência banhada em culpa

Pela morte, pelo flagelo que impus aos outros, pelo poder corrupto exercido será

expurgado?

Quantas chagas se abrirão como rosas púrpuras na pouca pele que me recobrem os ossos?

Quantas feridas, queimadura, arranhaduras ainda terei?

E mesmo assim, ainda continuarei no abismo.

Que vento fresco poderá aliviar o calor que me incendeia?

Quantas vidas ainda terei para não ter mais nenhuma?

Quantas linhas cruzarão as minhas e serei tristemente humano?

Quantas pessoas pisarão os meus caminhos, repetirão meus erros?

E mesmo que as avise não me ouvirão.

Quantos estarão comigo nos umbrais e ouvirão meus gemidos?

E até quando cheio de remorso, eu redimido

Socorrido e amparado verei...

Os irmãos do precipício enlouquecidos,

De certa forma, por mim compreendidos e amados

Não me acompanharem na remição.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mulheres e mulheres.

Há senhoras nas ruas.

De pele branca e lisa.

Sem uma ruga só.

Cheia de rococó.

Que desfila belos trajes.

De cores indefiníveis.

Feitos para ela só.

Por grande artífice.

Mulheres de porte elegante.

De mãos finas e delicadas.

De gestos todos pensados.

Gesticulo de fadas.

Com guarda-sol pequenino.

Uma finura de ser.

Um bibelô.

Uma boneca.

Um quase não ser.

Nas frívolas rodas sociais.

Falando da próxima moda.

De festas ou bacanais.

Passando pela vida.

Feito sopro primaveril.

Sem deixar marcas.

Sem contribuir.

Sem perceber que a vida não é para ser fútil.

Há mulheres nas ruas.

De roupas simples e rotas.

De mãos grossas e gastas.

Do trabalho que lhe pesa a vida.

De rosto com marcas infinitas.

De olhos cansados e fundos.

De tantas noites mal dormidas.

Mulheres do povo, mulheres da rua.

Mulheres que lutam com bravura.

Pela porção de alimento.

Para saciar a fome dos rebentos.

Que cuidam dos que lhe são caros.

Os pais velhos e cansados.

A tia que nunca casou.

Que não esquece a vizinha.

Triste anciã abandonada.

Pelos filhos esquecida e má tratada.

Existem essas mulheres.

Não são belas.

Parecem que escolheram o pior lado da moeda.

Não passam pela vida.

Vivem.

Aprenderam a ser gente.

Que cuida de outras gentes.

São velas, candeias, luminárias.

Abrindo luz em brutas trevas.

Esperanças dos que esperam.

Um auxilio.

Um pouco de amor.

E no além.

Quando frente a frente encontram-se essas senhoras.

A dama, a senhora se espanta.

A riqueza se transforma em farrapos.

E alma se quebranta.

Enquanto a mulher do povo.

Ainda em trajes simples.

Recebida é com festa.

Por toda dor que aliviou.

Há braços que abraçam.

Lábios que saúdam.

Amigos que a recebem e ajudam.

E sua alma amorosa estende as mãos...

Para dama, a senhora.

E a convida para ir consigo.

Buscar Luz no trabalho redentor.

Na doação de amor.

A todos que necessitem.