sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Caminhante não há de espantar

Não há de se espantar quando o caminhante coloca os pés no caminhar.

Entre as flores falsas do mundo que o chamam como sereias nos abismos.

Como monstros marinhos a espera de devorá-lo.

Não há de espanta quanto o caminhante coloca os pés no caminhar.

E já não lhe atrai o ouro que brilha a luz do Sol.

Ou o próprio Sol com seu calor e vida.

Não há de espanta quando o caminhante coloca os pés no caminhar.

E não lhe toca mais as lágrimas dos pais, o clamor dos irmãos, o choro da mulher amada.

Pedindo para que fique.

Não há de espanta quando o caminhante coloca os pés no caminhar.

E não sente mais a atração pelas belezas do corpo.

Ou a quentura do sexo.

Não há de espanta quanto o caminhante coloca os pés

no caminhar.

E não o atraem as honras da bravura nem treme se acusado de covardia, os louros da vitória ou a tristes derrota.

Não, não há de espanta que todos os encantos do mundo lhes pareçam passageiro.

Que todas as belezas lhe sejam efêmeras.

Que todas as vivências lhe sejam certas.

Que todos os erros lhes pareçam justo.

Não, não há de estranhar que ele já se sinta vazio do mundo.

Pois, está pleno de Deus.

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