segunda-feira, 20 de abril de 2009

Perdi minhas asas.




Perdi minhas asas.

Minhas asas de anjo.

Enquanto descia do céu.

Das nuvens dos sonhos.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

Que fazia sorrir.

A todos em qualquer canto.

E encantava como de fadas contos.

Perdi minhas asas.

Asas de anjos.

Nos meus primeiros desejos.

Nas minhas birras infantis.

Na busca do eu mesmo.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

Quando me cresceram os pêlos.

E engrossou minha voz.

E me fiz homem.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

Quando amadureci.

Fiquei importante.

E esqueci os sonhos.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

Quando envelheci.

Esquecido do encanto da vida e da sua canção.

E endureci o coração.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

E hoje as procuro.

Em velhos baús.

Em sótãos esquecidos.

Em gavetas mofadas.

Em fotos amareladas.

Perdi minhas asas.

Asas de anjo.

E não sei como reencontrá-las.

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