quarta-feira, 16 de abril de 2008

Morte.


És tu morte?

Não te temo.

Nada mais tenho.

Há não ser um corpo definhando.

Ossos estalando.

Órgãos que não funcionam.

Memórias que não podem ser revividas.

Saudades.

Não há mais amigos.

Nem filhos amorosos.

Ou netos que ouçam minhas histórias.

Visita-me apenas o médico e enfermeiro.

Nesse asilo de velhos e loucos.

Vejo somente tristeza.

Não te temo morte.

Leva-me para o nada.

Para o sono eterno.

A morte eterna.

O fim de tudo.

Onde todos e tudo acabam.

E no seu horrendo rosto cadavérico a morte sorriu e gargalhou.

Ceifou o velho triste e abatido.

Atravessou com ele o portal da vida.

E do outro lado ele encontrou todos que antes haviam partido.
Antes dele.

Vivos, conscientes que o saudaram e o apresentaram:

A vida após a morte.

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