sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Existência.


Quem sabe em boa hora parti.
Quem sabe...

Nada criei, saudade não sentirei.
Nada...

Não fiz jus ao presente da vida.
Não fiz...

Não somei, não auxilie, não ajudei.
Não...

Passei pela existência como vento frágil, que nada abala.
Nada...

Não marquei presença em nenhum coração.
Não...

Não fiz por onde alguém sentir minha falta.
Não...

Não tinha laços de amizade, de amor, de paternidade.
Não...

Os meus me antecederam na passagem.
Os meus...

Fico agora no vazio, no limbo, na escuridão.
Fico...

Tão vazio como minha existência sem propósitos.
Vazio...

Só me resta o eco da consciência que me acusa as dores.
Dores...

De ter deixado escorrer pelas mãos o presente da vida.
Escorrer...

Sem ter em nada aproveitada a existência.
Nada...

2 comentários:

.solange disse...

Olá.
Você não imagina o medo que tenho de, um dia olhar pra trás, e ver que não fiz nada, que tive uma vida vazia, que desperdicei presente tão caro... A gente tenta, mas parece que sempre é pouco.
Adoro as coisas que vc coloca no blog.
Beijos e um ótimo final de semana pra vc.

Poemas e encantos disse...

Olá Sol.

Um dia eu disse: não fiz nada...
E uma amiga retrucou: olhe para tudo que conseguiu! Não o que você não fez! Mas, o que realizou.

E já fiz uma porção de coisas. Não coisas que mudaram o mundo. Mas, coisas para mim e para alguns outros. Um sorriso, uma palavra, uma ajuda, um feira básica, uma aplicação de Reiki, fazer rir, um conselho... Um marido, um filho, uma casa, alguns amigos... Uma relação que está sendo construída comigo mesma... Uma relação com Deus.

Quem sabe a tarefa que temos?
Quem sabe é só ofertar a mão para um idoso atravessar a rua?
Levar um bolo a uma vizinha?
Ouvir o choro de uma amiga?

Realizamos o que podemos. Da melhor forma possível.
Deus sabe disso.

Um beijo.